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Resíduos Mortais

Terra Viva

Entre 1946 e 1993, 13 países usaram o fundo do mar para se livrarem de lixo radioativo resultante de centrais nucleares e de outras atividades envolvendo energia nuclear.

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Resíduos Mortais

Na sequência dos tratados de Basileia e da Convenção de Londres, foram suspensos os despejos de materiais radioativos nos oceanos, no entanto, nas águas ao largo da Somália, contra todos os tratados, foram submersos até há poucos anos resíduos nucleares provenientes essencialmente da Europa. Aproveitando a ausência de governos credíveis e o caos político somali, durante mais de 15 anos, barris de resíduos nucleares foram depositados no fundo do Oceano Índico. O gigantesco tsunami do Índico de 2004 trouxe à costa da Somália diversos contentores com resíduos nucleares e outros. Urânio radioativo, chumbo, cádmio, mercúrio, diversos resíduos industriais e químicos, e até resíduos hospitalares. Esta informação foi divulgada num relatório das Nações Unidas publicado cinco anos após o tsunami. O relatório da responsabilidade da UNEP (United Nations Environment Program) não deixa dúvidas sobre a responsabilidade de empresas e estados europeus. Em 2009, um porta-voz da UNEP, Nick Nutall, apresenta claramente a razão financeira e cega para esta irresponsabilidade: “em média, custou às empresas europeias 2,50 USD por tonelada para despejar os resíduos nas praias da Somália, em vez de 250 USD por tonelada para descartar os resíduos na Europa”.

Muitos barris de resíduos, levados pelo tsunami, foram esmagados e destruídos, libertando e espalhando resíduos até 10Km dentro de terra. Nutall afirmou que a contaminação foi desastrosa. Além de problemas respiratórios, hemorragias abdominais, da boca e vias respiratórias e problemas de pele, os aquíferos subterrâneos foram também contaminados.

Este é apenas um exemplo da incúria humana resultante da ganância, do desrespeito pelo seu semelhante e pela sua própria casa – a Terra.

Até 1993 despejaram-se no fundo dos oceanos 982.394m3 de resíduos radioativos. Estes números foram os comunicados por diversos estados e países, assim como os locais de depósito: União Soviética (20 locais no Ártico e 12 no Pacífico), Reino Unido (23 locais no Atlântico), Suíça (3 locais no Atlântico), E.U.A. (11 locais no Atlântico, 18 locais no Pacífico – este omitiu o peso de cerca de 90.543 contentores, indicando apenas o número), Bélgica (seis locais no Atlântico), França (dois locais no Atlântico), Holanda (quatro locais no Atlântico), Japão (seis locais no Pacífico), Suécia (um local no Atlântico), Rússia (vários locais no Ártico e Pacífico sem indicação de número de locais), Nova Zelândia (quatro locais no Pacífico), Alemanha (um local no Atlântico), Itália (um local no Atlântico) e Coreia do Sul (um local no Pacífico).

Apesar da propaganda feita por alguns organismos relativamente à segurança dos resíduos nucleares, a comunidade científica independente adverte para a sua elevada perigosidade tóxica e cancerígena, sendo altamente perigosos para a maioria das formas de vida e para o ambiente.

O lixo radioativo resultante da fissão do átomo emite radiações beta e gama. A sua perigosidade é de muito longa duração: urânio – 234 (245 mil anos), neptúnio – 237 (2,144 milhões de anos), plutónio – 238 (87,7 anos), amerício (432 anos)e califórnio (898 anos).

A escala humana (em todas as direções ou condições, seja de tempo ou de dimensão geométrica) é absolutamente díspar e distante da engrenagem do cosmos – essa pequenez tolda-nos e limita-nos a perceção da realidade, a própria Terra parece-nos imensa e infinita na sua existência. Isto só acontece por ser tão breve e reduzida a nossa própria existência, porém, será que o facto de sermos tão efémeros nos desresponsabiliza sobre os danos que podemos causar?

A diferença humana para com outros seres assenta apenas na capacidade de raciocínio e inteligência. Não sobrevivemos por termos garras maiores, por sermos mais rápidos ou mais fortes, não sobrevivemos e evoluímos por ter capacidade de mudar de cor ou por podermos envenenar outos seres com uma mordida.

Sobrevivemos devido à inteligência, então… usemo-la.

Paulo Gil Cardoso/Ms

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