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Piripiri, Malagueta, Jindungo

A pimenta do Novo Mundo

A família Capsicum L. (vulgo piripiri) é originária do continente americano. Na segunda viagem de Cristóvão Colombo, em 1493, o médico da expedição, Diego Alvarez Chanca, recolhe e retorna a Espanha com alguma plantas, destacando as suas propriedades medicinais.

 

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Apesar de serem os espanhóis a trazerem as malaguetas para a Europa, foram os portugueses que depressa as introduziram em África – afinal de contas, as especiarias eram naqueles tempos o grande negócio português.

A Capsicum foi usada desde a pré-história pelos povos da América Central e do Sul. Apesar de ser também apelidada de pimenta, esta nada tem que ver com essa outra especiaria. A pimenta do reino, pimenta branca, pimenta verde e pimenta preta é originária da Ásia, muito comum essencialmente na Índia, e que é uma trepadeira de nome Piper e que tem bagas também muito apreciadas.

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A ardência provocada pelo piripiri é uma ilusão sensitiva. O composto da químico da capsaicina (8-metil-N-vanilil-trans-6-nonamida), ilude os sensores cutâneos, sendo interpretado como um ácido – as defesas do corpo reagem de imediato como estando em presença de uma lesão, aumentando a fluidez do sangue e a irrigação da zona pretensamente queimada. Hipófise e outras glândulas são estimuladas para produção de endorfinas no intuito da redução da dor, aumenta a transpiração, etc. O corpo reage a uma lesão inexistente. A sensação de dormência e ligeira tontura, aliadas à amplificação de aromas e sabores na comida, levou ao seu uso desde há cerca de 7.000 anos.

A variedade da Capsicum é imensa, havendo frutos de várias cores, dimensões e formatos, começando pelos menos, ou nada picantes, como o pimentão doce, passando pelos pimentos de pádron, em que só alguns são picantes tornando a sua ingestão uma divertida roleta russa, bolas mexicanas, chiltepín, caiena, poblano, rocoto sul-americano, jalapeño, habaneros, chili, tabasco, arbol, aji, etc., etc.. Existe até uma escala para a intensidade do picante desenvolvida em 1912 pelo farmacêutico Wilbur Scoville.

Os frutos e sementes desta planta revelam a adaptação e evolução extraordinária que até as plantas podem alcançar. Como o processo digestivo dos mamíferos destrói as suas sementes, a evolução de sobrevivência seletiva potenciou a progressão dos frutos que têm capsaicina, a qual provoca a ilusão de queimadura nas mucosas. As aves por sua vez são insensíveis a este picante, ingerindo as sementes e propagando-as.

A capsaicina evita que os frutos sejam comidos por mamíferos que lhes destruiriam as sementes, desta forma a planta parece escolher qual a melhor via de proliferação – ser ingerida por aves.

A vida na Terra é algo de extraordinário, de soluções de sobrevivência surpreendentes. Conhecendo-a, desfrutaremos melhor da sua beleza, e a admiração e respeito serão com certeza maiores.

Paulo Gil Cardoso/MS

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