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O nascimento da vida

Terra Viva

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Nascer do sol no espaço. Foto: DR
Ambiente

A partir de inúmeros indícios, calcula-se que a vida na Terra tenha surgido entre 340 milhões a 1000 milhões de anos após a sua formação.

Em 2016, cientistas australianos descobriram na Gronelândia os mais antigos fósseis, com vestígios de vida, encontrados até hoje. Os estromatólitos (rochas fósseis) encontrados foram o resultado de atividade de microrganismos que viveram em ambiente aquático. Estas estruturas geológicas foram descobertas no sudoeste da Gronelândia, após terem emergido devido ao degelo de uma placa no do maciço de Isua. Conclui-se que a vida na Terra começou logo muito cedo após a sua formação.

Os diversos constituintes químicos, existentes no chamado caldo inicial, bombardeados por descargas elétricas e radiações solares, e pela interação entre eles, foram-se combinando numa miríade de possibilidades. Moléculas simples fragmentadas, ricas em hidrogénio, recombinavam-se espontaneamente em estruturas moleculares cada vez mais complexas, e no imenso tempo de interações e possibilidades, aconteceu o aparecimento de uma molécula com a particularidade de fazer rudes cópias de si própria usando outras do “caldo” como “módulos” (aproximadamente a explicação que Carl Sagan usou na sua obra fantástica – Cosmos). Terá sido esta molécula a antepassada da conhecida molécula do ADN (ácido desoxirribonucleico), a molécula-molde de toda a vida na Terra.

Citando Sagan: “… a molécula de ADN tem a forma de uma escada em hélice, em que cada um dos degraus pode ser formado por blocos diferentes, os quais constituem as quatro letras do código genético. Estes blocos, chamados de nucleótidos, dão as instruções hereditárias para a construção de qualquer organismo. Todas as formas de vida na Terra possuem um conjunto de informações diferente, escritas essencialmente na mesma linguagem.”

Os seres vivos na Terra são essencialmente formados por compostos de carbono, hidrogénio, azoto e oxigénio. A água em estado líquido é uma peça considerada também como essencial à vida terrestre: por exemplo, as bactérias são constituídas por 75% de água. Um meio aquático é considerado como grande facilitador de reações químicas entre os elementos.

Resumindo – água em estado líquido (dependente de uma temperatura amena), oxigénio, hidrogénio, carbono, azoto, e fontes de energia como o Sol, geotermia ou descargas elétricas foram e são essenciais para a formação de compostos orgânicos.

Limitar a vida na Terra somente ao atrás exposto é, no entanto, tremendamente redutor. Aproximadamente 75% do planeta são oceanos, rios e lagos, 25% são crosta emersa. Nestes dois meios, a diversidade de condições físicas e químicas é gigantesca.

A interação entre todos os elementos, seres vivos (que condicionam a própria existência e ecossistemas), dinâmica geológica, dinâmica atmosférica, radiações solares e cósmicas, a rotação e translação do planeta, o seu satélite – a Lua -, gravidade, eletromagnetismo, geotermia, e mais uma miríade de peças, que, reforço, interagem dinamicamente numa escala e integração imensas, um infinito puzzle tridimensional e em movimento constante, transformando-se a cada momento, em que as peças se moldam, colidem e ajustam perpetuamente, puzzle nunca acabado, renovando-se, reinventando-se, morrendo e renascendo a cada instante. Esta é a Terra milagrosamente e avassaladoramente Viva, aquela que alguns esperamos compreender, preservar e permitir que continue na sua liberdade dinâmica vital de regeneração…

Paulo Gil Cardoso/MS

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