Ambiente

Natureza Venenosa – Portugal

Terra Viva

Os antigos gregos chamavam Ofiúsa, ou seja, Terra das Serpentes, à região que corresponde aproximadamente ao atual território português. O povo Ofi (anterior aos Lusitanos) de onde deriva o nome, venerava as serpentes.

 

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A Víbora Cornuda é considerada, por muitos, como a mais perigosa espécie venenosa em Portuga. Foto:DR

 

Desenganem-se aqueles que pensam que Portugal é um território sem espécies venenosas.

Répteis, aracnídeos, fungos, plantas, peixes, e até animais marinhos como o ouriço-do-mar, estão presentes um pouco por todo o país. Apesar da variedade e quantidade de seres vivos venenosos, são raros os acidentes de envenenamento. Existe um relativo equilíbrio existencial entre o Homem e a natureza no território luso.

A Víbora Cornuda é considerada, por muitos, como a mais perigosa espécie venenosa em Portugal, e eventualmente até será a mais venenosa de entre os répteis existentes neste recanto da Península Ibérica. Porém os acidentes com esta serpente são raríssimos.

Em 2019 houve dois casos noticiados: em maio, na Serra de São Mamede, Portalegre, um homem foi mordido num pé quanto corria, e em junho perto de Penela uma criança de origem inglesa com 11 anos de idade foi mordida numa mão. Ambos passaram um mau bocado com certeza, mas não houve mortes a lamentar. Estes casos são meros acidentes, uma vez que este réptil só ataca quando se sente ameaçado. Existem muitos mais casos de intoxicações com cogumelos do que acidentes com cobras e serpentes.

Acontecendo também apenas por acidente, muito comuns são as dolorosas picadas com peixes-aranha, conhecidos popularmente por lacraias. Estes peixes têm veneno na barbatana dorsal, e como a tática de caça passa por se enterrarem na areia e esperar por uma presa, deixando apenas os olhos de fora, ao caminhar dentro de água é provável que de quando em vez se tenha o azar de pisar algum.

Em maio de 2017, dois amigos com 35 e 43 anos, que praticavam “geocaching” perto de Pernes, concelho de Santarém, confundiram Cicuta (na foto), com cenouras ou salsa selvagens (o que é fácil de acontecer). Sentindo-se indispostos e desorientados ligaram para o 112, porém foi difícil localizá-los. Os bombeiros locais encontraram-nos já sem vida, junto a um riacho em zona desabitada, uma hora após o pedido de socorro.

Para além das referidas, seguem-se apenas alguns exemplos das espécies mais venenosas encontradas em Portugal.

Plantas: Erva-Moira, Dedaleira, Embude. Fungos (cogumelos): Chapéu da Morte, Anjo da Morte, Macrolepiota procera (facilmente confundível com o apreciado Frade). Animais: Víbora de Seoane, Tarântula Europeia, Escorpião. Animais marinhos/Peixes: Peixe Escorpião (Rascasso), Ratão (espécie de Raia), Caravela Portuguesa (alforreca).

Todos estes seres têm a sua importância no equilíbrio dos ecossistemas. Movimentarmo-nos nos seus habitats requer alguma cautela – quando entramos nos seus territórios, nas sua casas, muitas vezes comportamo-nos como elefantes numa loja de cristais. Por desconhecimento dos seus modos de vida, por desconhecimento das suas funções e das suas estruturas físicas e biológicas, por desconhecimento dos seus modos de vida, provocamos reações de defesa que poderão configurar-se perigosas. Vamos invadindo, ocupando e destruindo os seus espaços vitais. Erradamente consideramos que a natureza existe para nos servir, ignorando o apego à vida de outros seres. Devemos perceber, estudar, procurar entender a importância das suas existências e como podemos coexistir equilibradamente, acabando assim por beneficiar mais do que se tivermos uma atitude agressiva e desprezo, ou até de distração. Claro que acidentes acontecerão sempre, porém poderão ser minimizados se procurarmos desfrutar da vida da Terra, com respeito e admiração.

Paulo Gil Cardoso/MS

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