Ambiente

Glaciares

Os glaciares são como rios sólidos, gigantescas massas de água congelada que se movem lentamente. Depois dos oceanos, agregam a maior quantidade de água na Terra, sendo os maiores reservatórios de água doce do nosso planeta.Essencialmente resultantes da acumulação de neves compactadas pelo peso, ano após ano, década após década, por vezes durante séculos, existindo em climas frios, em altitudes elevadas e nos polos.

Há glaciares em todos os continentes, estimando-se que existam entre 198 mil a 200 mil. Os maiores, e também em maior número, encontram-se na Antártida e na Gronelândia. O Glaciar Lambert, situado no Polo Sul, é o maior no planeta, com 96Km no seu ponto mais largo, 434Km de comprimento, com uma altura de 2,5Km no seu ponto mais espesso e movendo-se à velocidade de 400m a 800m por ano. A título de exemplo, o gelo do início do maior e mais longo glaciar do Alasca demora cerca de 400 anos a chegar à sua extremidade.

O mais antigo glaciar do mundo situado na Antártida julga-se ter cerca de um milhão de anos. Na Gronelândia existem glaciares com 100 mil anos e no Alasca com cerca de 30 mil anos.

O gelo glacial é considerado um mineral devido à sua dureza idêntica à do granito. Sendo uma rocha monominerálica, o gelo mineral é a forma cristalina da água, resultando da acumulação e compactação de milhares de flocos de neve transformados em cristais de gelo glacial.

Até há poucos anos julgava-se que no interior dos glaciares não existiam formas de vida, no entanto elas existem. As minhocas do gelo, Mesenchytraeus solifugus, podem atingir até 15mm de comprimento e 0,5mm de diâmetro, sendo os únicos anelídeos conhecidos que passam toda a sua existência no gelo glaciar, deslocando-se à superfície para se alimentarem de algas da neve, ao entardecer e ao amanhecer. Este ser vivo só se encontrou, até agora, nos glaciares do Alasca, Washington, Oregon e Columbia Britânica.

Desde 1850 que se verifica o recuo de alguns glaciares – só os Alpes suíços perderam mais de 500 glaciares desde a década de 80 do século 19, um quarto dos anteriormente existentes portanto, havendo ainda cerca de 1500 mas que, se a tendência se mantiver, correm o risco de desaparecimento em cerca de 90% até final deste século. O mais preocupante é que a velocidade de degelo tem aumentado muito mais do que o previsto há 10 anos. No Canadá, o emblemático Glaciar de Atabasca, situado nas Montanhas Rochosas Canadianas, tem perdido cerca de 5m de espessura anualmente e recuou cerca de 1,5Km.

Os glaciares das Montanhas Rochosas, Alpes, Himalaias, Cordilheira das Cascatas, Kilimanjaro e Andes são aqueles que apresentam a maior diminuição nas suas extensões.

O derretimento dos glaciares um pouco por todo o mundo é tido como uma evidência do aquecimento global provocado pela atividade humana. As consequências são há muito elencadas pela classe científica, desde a subida do nível médio dos oceanos, passando pela perda de reservas de água doce, destruição de habitats, etc.

Que impactos terão na realidade as alterações a estas peças no imenso puzzle que é a Terra? Podemos especular, mas nunca teremos certezas. Como será que as peças se encaixarão com os seus novos formatos, ou como ficará o puzzle na ausência de peças? Esperemos que se reencaixem sem dor, para podermos continuar na senda da descoberta e compreensão deste admirável planeta.

Paulo Gil Cardoso/MS

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