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Fontes Termais

As águas termais foram sempre utilizadas pelo Homem – as civilizações da antiguidade, como a Grega ou a Romana, exploraram quer as temperaturas, quer as propriedades químicas dessas águas.

Mas afinal o que são as águas termais e como funciona o seu aquecimento e afloramento à superfície da Terra?

As águas quentes que provêm do interior do nosso planeta têm essencialmente duas razões para as suas elevadas temperaturas: o vulcanismo e a consequência da pressão derivada da profundidade, conhecida por gradiente geotérmico.

Consideram-se águas termais aquelas que jorram de nascentes com temperaturas superiores a 36 graus Celsius. A variedade e quantidade no nosso planeta é enorme, existindo muitos milhares espalhados por todos os continentes, nas profundezas dos oceanos e até dentro dos círculos polares.

Extraordinários, pelo seu espetáculo natural, são os Geiseres, sendo os mais ativos localizados nos Estados Unidos da América, Islândia, Chile, Rússia e Nova Zelândia. A maior concentração facilmente visitável é no Parque Nacional de Yellowstone, existindo entre 300 e 500 destes repuxos naturais de água a ferver.

Nos Açores, mais propriamente na ilha de São Miguel, existem as célebres fumarolas, fontes hidrotermais resultantes de atividade vulcânica. As fumarolas das Furnas são uma área de várias nascentes termais e outros fenómenos geotérmicos, sendo usadas as águas destas nascentes para diversas terapias. É também usado o calor da terra e das fumarolas para os míticos cozidos das Furnas, onde os tachos são enterrados durante horas, resultando daí excecionais e requintados sabores gastronómicos.

Algumas das muito procuradas termas em Portugal, com águas sulfúreas alcalinas, são de um tipo relativamente raro mundialmente.

Existem 38 termas em Portugal Continental com excelentes estruturas de apoio, com alojamento, piscinas e serviços de tratamentos acompanhados por equipas dedicadas à saúde através de águas termais. Destaca-se o Hospital Termal das Caldas da Rainha por ser o mais antigo do mundo, tendo sido fundado pela Rainha Dona Leonor em 1485. (para saber mais: www.termasdeportugal.pt).

As fontes termais, além de serem aproveitadas para cozinhar e para a saúde humana, são também alvo de aproveitamento energético para aquecimento ou produção de eletricidade – casos a destacar são as duas Centrais Geotérmicas de São Miguel, a Central Geotérmica de Ribeira Grande com a capacidade de 13MW e a Central Geotérmica do Pico Vermelho com a capacidade de 10MW, contribuindo as duas com cerca de 40% da energia elétrica da ilha.

Importante referir também as fumarolas marinhas, que no fundo dos oceanos permitem a existência de vida a mais de 3000 metros de profundidade, onde não chega a luz do Sol. Fauna e flora dependem da energia calorífica e dos nutrientes expelidos por estas submersas fontes termais.

Estas dinâmicas de águas aquecidas por fenómenos resultantes da atividade geológica da Terra comprovam a sua vida, por contraposição por exemplo com outros planetas do sistema solar e até com a nossa Lua, onde não se verificam. Muita da busca pela vida fora da Terra passa exatamente por verificar a existência desta dinâmica geológica acompanhada da presença de água.

Inteligentemente, ao longo de milhares de anos, aproveitámos este recurso natural, porém as suas potencialidades estão ainda muito subaproveitadas, especialmente no que diz respeito ao aproveitamento para produção de energia elétrica e térmica.

Aproveitar a energia vital da Terra de forma inteligente e com equilíbrio é algo que ainda necessitamos desenvolver. Aproveitemos o que o nosso planeta nos disponibiliza, claro que com sapiência, respeito e admiração.

Paulo Gil Cardoso/MS

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