Ambiente

É oficial. O plástico está, literalmente, a cair do céu

Micropartículas detetadas no ar são consistentes com as que se acumulam no tecido pulmonar. O plástico já domina os quatro cantos do planeta (chega mesmo aos locais mais remotos) e nem os cientistas queriam acreditar nos resultados recolhidos.

Que os oceanos estão carregados de toneladas de plástico, ameaçando peixes, aves e espécies marinhas, já não é novidade. Mas e se lhe dissermos que, na verdade, está a chover plástico e não existe um único recanto no planeta onde ele não consiga chegar?

Um novo estudo publicado na revista Science conclui que a poluição gerada pelo plástico está, literalmente, em todo o lado. No ar que respiramos, a viajar ao sabor do vento e a cair do céu. Janice Brahney, cientista da Universidade de Utah que liderou a investigação, avança que, a cada ano, chovem mais de mil toneladas de micropartículas de plástico em parques nacionais e zonas selvagens do oeste americano. Número que representa entre 123 e 300 milhões de garrafas plásticas. “É mesmo muito irritante pensar nisto”, reconheceu, em declarações ao jornal The New York Times.

Estudos anteriores já tinham dado conta da presença de microplásticos no ar da Europa, da China e do Ártico. A nova investigação vem, agora, estendê-la a zonas remotas dos Estados Unidos da América (EUA). Os cientistas recolheram 339 amostras em 11 parques nacionais e encontraram minúsculos pedaços de plástico em 98% delas.


“Todos os anos, chovem mais de mil toneladas de microplásticos no oeste americano “


 

Os resultados foram “tão surpreendentes” que Janice Brahney assumiu que a equipa estivesse errada e decidiu refazer os testes. Mas não havia qualquer erro. Tudo batia certo. As maiores partículas caíram com chuva e neve, sendo que as mais pequenas – e leves – surgiram com o tempo seco, transportadas pelo vento.

Os cientistas concluíram ainda que as microfibras identificadas eram consistentes com os tipos de têxteis usados na confeção de roupas e na produção de carpetes e revestimentos industriais, além de equipamentos para atividades ao ar livre, como tendas e roupas impermeáveis.

Embora o efeito da absorção de partículas de plástico pelo ser humano não seja bem conhecido, a ecologista e professora Chelsea M. Rochman, da Universidade de Toronto, garante que o tamanho das partículas detetadas na investigação de Brahney coincide com o tamanho daquelas que se acumulam no tecido pulmonar.

De referir que a poluição gerada pela poeira, fuligem e outras ameaças aéreas tem sido associada a ataques cardíacos e doenças respiratórias. Aliás, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que este tipo de poluição tenha causado, em 2016, 4,2 milhões de mortes prematuras em todo o mundo.

JN/MS

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