Ambiente

As Nuvens

Terra Viva

As nuvens fazem-nos sonhar e libertar a nossa imaginação e, por vezes, também nos podem assustar. De qualquer maneira são sempre fantásticas.

O que são as nuvens? As nuvens são, essencialmente, pequenas gotas de água que podem estar no estado líquido ou em forma de pequenos cristais de gelo tendo, no entanto, outras substâncias e materiais na sua composição, desde poeiras a cinzas ou fumos diversos.

As nuvens formam-se normalmente a partir da condensação de ar húmido que arrefece ao subir em altitude, transportado pelos ventos. A água arrasta consigo para a atmosfera todo o tipo de substâncias e até seres vivos. Sabemos hoje que as poeiras do Deserto do Saara, transportadas por nuvens e ventos são um fertilizante mineral para a Amazónia que fica a um Oceano de distância.

As partículas existentes na atmosfera influenciam a composição e até a formação de nuvens e, claro está, partículas resultantes da poluição provocada pelo homem, também. Partículas de toda a espécie viajam com as nuvens através de todo o globo, significando que emissões poluentes geradas em qualquer continente afetarão todos os outros. Quem já não ouviu falar em chuvas-ácidas que provocam a destruição de culturas e plantas em geral?

Um estudo publicado em 2016 na revista Nature Geoscience, da autoria de diversos cientistas de várias nacionalidades, entre os quais o canadiano Allan K. Bertram do Departamento de Química da Universidade de British Columbia em Vancouver, demonstrou que a poluição atmosférica gerada pela cidade de Manaus condiciona o estado físico de partículas na atmosfera Amazónica, prejudicando o mecanismo de formação de nuvens e diminuindo a existência de nutrientes necessários à floresta como o cálcio, fósforo, enxofre e nitrogénio. O estudo também refere que a existência de partículas de poluentes na atmosfera altera o equilíbrio energético da Terra, condicionando a absorção da energia solar e, por consequência, a formação e composição das nuvens.
Estudos como o referido demonstram que temos de ter extremos cuidados com a emissão de gases, poeiras e fumos de origem essencialmente industrial e dos transportes que queimam combustíveis de origem petrolífera. A preocupação deve ser a de reduzir essas emissões, seja através de energias alternativas ou através de sistemas de filtros de captação de partículas.

As nuvens, dependendo dos seus formatos e alturas, têm diferentes nomes, se forem altas poderão ser Cirrostratus, Cirrus, Cirrocumulus; se forem médias poderão ser Altostratus, Altocumulus; se forem baixas poderão ser Stratus, Stratocumulus, Cumulus fractus. Quanto à sua constituição poderão ser sólidas, compostas por gelo e podendo chegar a pesar uma tonelada; poderão ser líquidas constituídas por gotículas de água ou mistas compostas, claro, por gotas de água e cristais de gelo.

A nossa imaginação leva-nos a muitas vezes comparar os seus formatos com animais, montanhas ou aquilo que as asas da nossa mente quiserem, servindo até na literatura para brilhantes textos como o do escritor português José Gomes Ferreira no “Mundo dos Outros” em que, para ele, e depois de uma discussão sobre o formato de uma nuvem e sobre as diferentes perspetivas humanas da realidade, afirma: “para mim continua a ser um hipopótamo!”
Apreciamos a beleza das nuvens, mas por vezes desejamos que não nos roubem o Sol ou que se desvaneçam para que a chuva ou a neve cessem, porém quando não há nuvens no céu, durante muito tempo, acabamos por desejá-las para nos darem alguma sombra confortável ou um pouco de chuva para acalmar a seca.

Tudo na Terra tem o seu equilíbrio necessário, e para que possamos continuar a usufruir desse equilíbrio devemo-nos esforçar por desfrutar da natureza com respeito e admiração.

Paulo Gil


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