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“Muitas vezes, as mulheres trabalham em dois empregos apenas para sobreviver”

O National Council of Women of Canada (NCWC) foi fundado em 1893 e é uma organização sem fins lucrativos que representa as mulheres canadianas que trabalham em diferentes áreas de atividade. O NCWC luta para empoderar as mulheres e melhorar as suas condições de vida e das suas respetivas famílias. Patricia Leson tomou posse como presidente do NCWC em 2019 e em entrevista ao Milénio Stadium sublinhou que os cuidados infantis e um salário universal são a chave para que as mulheres canadianas tenham uma carreira profissional tal como a maioria dos homens.

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Patricia Leson (a direita) tornou-se presidente da NCWC em 2019. Crédito: DR.

Na opinião de Leson, as províncias podiam ter usado mais dinheiro para apostar em creches acessíveis. “O Canadá deve ter um plano abrangente para creches universais, económicas, acessíveis e de elevada qualidade. Embora o governo federal tenha fornecido milhões de dólares às províncias para tornar isso uma realidade, muitas das províncias não utilizaram esse financiamento ao máximo. Agora podemos ter mais vagas para creches, mas não temos pessoal qualificado em número suficiente para prestar estes cuidados”, esclareceu.

Outro dos problemas são os salários baixos e os empregos sem benefícios. “Muitas mulheres trabalham por contrato ou com horas mínimas em cargos sem benefícios, licença médica ou a possibilidade de uma pensão decente. Muitas vezes as mulheres têm dois empregos para conseguir pagar as contas, se é que o conseguem fazer. Temos que reconhecer e compensar as mulheres que trabalham nos 5C’s: cleaning, caring, cashiering, catering and clerical”, defendeu.

Pouco depois do Speech Throne de setembro de 2020 onde o primeiro-ministro canadiano apelou à criação de uma rede nacional de creches, a ministra das Finanças disse que o Canadá não podia ser competitivo e as mulheres não podiam fazer parte da força de trabalho se não tivessem acesso a creches acessíveis. Patricia diz que foi muito encorajador ouvir o discurso de Freeland e refere “que talvez o tempo de mudança seja agora”.

Alguns especialistas têm defendido que o desemprego feminino motivado pela pandemia se tratou de um retrocesso social e que pode demorar muitos anos para ser corrigido. Ainda assim Patricia Leson não concorda com esta análise e tem uma leitura diferente dos factos. “Os filhos aprendem as lições de coragem, força e esperança das suas mães, que decidiram não regressar ao mercado de trabalho. Isso não é um retrocesso social, é mais um reagrupamento, uma reestruturação de prioridades, uma reafirmação na garantia de que as necessidades básicas das famílias estão a ser atendidas”, sustentou.

Em mais de 100 anos de atividade, o Council tem “trabalhado para melhorar a qualidade de vida das mulheres no Canadá através da educação e da defesa de direitos”. A presidente do NCWC está orgulhosa das conquistas, mas assegura que ainda há muito trabalho pela frente “para pressionar aqueles que estão em posições de liderança para criarem programas necessários para melhorar a vida das mulheres, crianças e famílias no país”.

Patricia decidiu abraçar este desafio depois de anos de envolvimento com outros Conselhos. “Trabalhei pessoalmente com os nossos Conselhos locais, provinciais e nacionais e acredito que o NCWC é o único Conselho qualificado para abordar o nosso governo com sugestões e recomendações baseadas em políticas cuidadosamente sustentadas a aprovadas democraticamente para melhorar a qualidade de vida das canadianas. Tenho orgulho de continuar a ser a voz daquelas que não têm nem a força nem a coragem para o fazer”, adiantou.

Numa altura em que a terceira fase da pandemia ameaça o país e mais empresas que não são essenciais têm de encerrar as portas devido a um novo confinamento em Ontário imposto durante um mês para travar a transmissão, existem alguns casos que podem ser inspiradores para outras mulheres. “A título pessoal, a minha nora era uma professora itinerante que alternava entre três escolas diferentes a cada semana. Preocupada com o risco de contágio ela achou que ia colocar o marido (o meu filho) e os seus dois filhos em perigo. Agora ela está em casa a dar aulas virtuais e é uma situação agradável para todos”, revelou.

Antes da pandemia, as mulheres contribuíam em cerca de 42% para o PIB do Canadá.

Joana Leal/MS

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