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11 de setembro - memórias

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Foto: DR

Há 19 anos vivemos um dos acontecimentos mais marcantes da história. O mundo assistiu, em direto, ao atentado terrorista nos Estados Unidos, em que dois aviões embateram nas Torres Gémeas do World Trade Center e no Pentágono. O atentado foi reivindicado pela Al-Qaeda. Os dois edifícios desmoronaram duas horas após o choque. O céu e as ruas de Nova Iorque encheram-se de cinzas, fumo, chamas e pânico. Morreram cerca três mil pessoas e houve milhares de feridos. Foi há 19 anos, e ninguém esquece a manhã daquela terça-feira de 11 de setembro de 2001. Fomos por isso saber que memórias restam da data, fazer um olhar sobre o presente e olhar para o que pode trazer o futuro.       

  • Isadora Mendes

Assistiu ao atentado de 11 de Setembro? O que recorda desse dia?

Eu lembro que minha mãe veio me buscar na escola e ela falou que aconteceu uma coisa muito grave. E eu fiquei assustada mas ela não me contou o que era. Aí eu cheguei em casa, ela ligou a televisão. Nesse momento já tinha batido o segundo avião no prédio. E eu lembro que fiquei bem impressionada, e achei que ia haver uma terceira guerra mundial. Eu era muito nova, mas eu era já muito ligada à política. Então para mim foi um choque muito grande.

Agora, 19 anos depois, o que mudou no que toca ao terrorismo e à segurança?

Eu acho que aumentou o preconceito em relação aos muçulmanos e o xenofobismo. As pessoas estão mais envolvidas na sua própria cultura do que abertas a aceitar as diferenças e a mistura de outras culturas. Também sinto que há mais reforço de segurança, eu viajei para os Estados Unidos e senti que é sempre uma grande tensão para entrar, principalmente nos aeroportos.

Com o que tem acontecido no presente, envolvendo a violência policial, sente-se seguro?

Eu me sinto segura, um pouco mais segura porque sou branca. E acho que só esse facto já me faz privilegiada. Eu acho que não é proporcional. A polícia deveria ter uma nova roupagem, em todo o mundo. Principalmente o país de onde eu vim, o Brasil, é muito despreparada a polícia, eles são mal pagos, não há qualquer tipo de triagem psicológica. Mas eu vejo isso em países de primeiro mundo, pegando no exemplo dos Estados Unidos que também tem uma polícia violenta. Nao sei se desde o 11 de Setembro isso mudou, mas acho que sempre existiu esta violência policial.

O que pensa da milícia popular e dos cidadãos poderem estar armados?

Eu acho que só aumenta a violência. Eu penso que tem de se dar educação porque essa é a grande arma da sociedade, dos líderes, da nossa vivência uns com os outros. Eu acho que é uma coisa muito falsa essa ideia de armar o cidadão ser autoprotecção. Penso que se tem de pegar na origem do problema e não numa falsa solução. E a origem do problema é falta de conhecimento e de educação.


  • Sara Lemos

Assistiu ao atentado de 11 de Setembro? O que recorda desse dia?

Eu era muito pequena, mas lembro-me de ficar completamente chocada, ligada à televisão, sem entender se era um filme ou algo real. Fiquei assustadíssima e ainda mais por ver a reação dos adultos ao meu lado. Não tive a perceção da dimensão do acontecimento no imediato, e talvez só mesmo anos mais tarde vim a compreender o que ali tinha acontecido. Aliás, acho que ainda hoje não entendo de verdade.

Agora, 19 anos depois, o que mudou no que toca ao terrorismo e à segurança?

Tenho consciência que a vida ficou diferente para o mundo a partir daquele dia. Locais públicos no geral, aeroportos em particular – tudo muito mais controlado. Acho que começámos a olhar para o terrorismo como algo mais real e a viver em desconfiança.

Com o que tem acontecido no presente, envolvendo a violência policial, sente-se seguro?

Não sendo eu uma pessoa de cor, não tenho tanto receio como sei que existe naqueles que, por serem negros, por exemplo, sentem. Mas há algo em comum: a revolta. Sinto-me indignada e desconfiada. Não por mim, mas pelos outros. Mas respondendo à pergunta de forma mais direta: não. A partir do momento que sinto que alguém, exatamente igual a mim, que se distingue apenas e só pela sua cor da pele, não está seguro, então eu também não me sinto segura, porque eu estarei bem quando todos, sem exceção, se sentirem protegidos como devem. Como posso estar segura se, do dia para a noite, sem motivo aparente, um amigo meu ou até familiar for vítima desse abuso de poder? Claro que isso me afeta e me faz sentir insegura.

O que pensa da milícia popular e dos cidadãos poderem estar armados?

Acho que violência gera violência. Sou adepta da comunicação e não da justiça pelas próprias mãos, mas sinceramente chega a um ponto que qualquer um perde a cabeça, até o mais racional. As pessoas tentam tudo e continuam a não ser respeitadas como devem. Racismo é crime. Um polícia devia ser tudo menos preconceituoso, e caso o seja, que não deixe que essa lacuna na sua identidade afete o seu profissionalismo. Por outro lado, acho completamente ridícula a política adotada em países como os Estados Unidos, por exemplo, onde qualquer um pode ter acesso a armas. Aí, na minha perspetiva, começa o problema. Porque depois, numa situação de confronto, a facilidade de sacar de uma arma é tão impulsiva como, por exemplo, em Portugal se manda o outro pastar. Em Portugal insulta-se, difama-se, nos Estados Unidos manda-se um tiro. Com o seu devido exagero, esta é a realidade e todos acham que têm o direito de se defender e o argumento de autodefesa é sempre posto em cima da mesa. A polícia, por exemplo, ao deter alguém, pode por seu lado sempre argumentar que atira porque lhe “parece” que alguém vai pôr a mão a uma arma – pode ser desculpa, pode não ser, depende. Por isso, o acesso a armas dificulta a vida tanto das forças policiais, quanto dos cidadãos que podem estar em situações menos boas por ter a liberdade de ter acesso a armas. Mas em jeito de remate, quero dizer que toda esta questão do abuso (ridículo e ordinário) da força policial e da justiça que o povo quer ver a acontecer… Acho que chegámos a um ponto que a pergunta se impõe: Quem é que nos protege da polícia?


  • João Santos

Assistiu ao atentado de 11 de Setembro? O que recorda desse dia?

Nesse dia lembro-me que estava com a minha avó em casa e era um dia como qualquer outro, estávamos a ver televisao no sofa, tudo estava calmo. E de repente os canais comecaram com emissões especiais para transmitir aquele acontecimento. Eu era pequeno, no início nem percebi bem a dimensão do que estava a acontecer, mas lembro-me da minha avó estar chocada e a dizer que ia ser o fim do mundo. A partir daí, durante semanas, não  se falou de outra coisa.

Agora, 19 anos depois, o que mudou no que toca ao terrorismo e à segurança?

Eu vejo que hoje vivemos de forma totalmente diferente, até porque vimos outros atentados acontecer depois do 11 de Setembro. Não foram de uma dimensão tao grande, mas penso que hoje em dia existe um alerta e um reforço significantemente maior comparado ao que havia antes daquele evento.

Com o que tem acontecido no presente, envolvendo a violência policial, sente-se seguro?

Isso é um pouco relativo, porque se eu for branco sei que posso sentir-me mais seguro do que se for de outra etnia. Muitas vezes sinto-me seguro por mim mas não por algumas pessoas que conheço, amigos e família.

O que pensa da milícia popular e dos cidadãos poderem estar armados?

Acho que a solução não passa por aí e é inclusive assustador pensar que qualquer pessoa pode ter uma arma.


  • Fernando Moura

Assistiu ao atentado de 11 de Setembro? O que recorda desse dia?

Eu tinha acabado de chegar de viagem e estava a ir para o escritório. Lembro-me de estar a subir as escadas e encontrar um colega que me disse que uma avioneta bateu contra as Torres Gémeas em Nova Iorque. Eu corri para a sala e vi que era muito maior do que isso. Toda a gente dizia que estava a começar a Terceira Guerra Mundial. Fiquei por lá mais um tempo e vimos em direto o segundo avião bater na segunda Torre. Foi uma sensação de horror, parecia que estava a ver um filme, mas era realidade.

Agora, 19 anos depois, o que mudou no que toca ao terrorismo e à segurança?

Muito mudou, houve mudanças drásticas nos gastos militares, que dobraram. Osama Bin Laden foi morto mais tarde. E agora há uma política de segurança muito maior. Naquela altura a prioridade dos Estados Unidos era o aspeto económico, enquanto agora é a segurança. Hoje ainda sentimos isso. Temos a vigilância em larga escala, que começou após o 11 de Setembro. E no geral foi declarada guerra ao terrorismo.

Com o que tem acontecido no presente, envolvendo a violência policial, sente-se seguro?

Sinto, e de um modo geral penso que as pessoas podem sentir-se seguras. Há obviamente práticas que precisam de ser revistas. O sistema precisa de reformas, em muitos países, para reduzir e evitar o tipo de acontecimentos a que temos assistido.

O que pensa da milícia popular e dos cidadãos poderem estar armados?

Na minha opinião pessoal, as pessoas não estão preparadas para ter uma arma no seu poder. Uma arma abre portas para um grande número de possibilidades e nenhuma dessas possibilidades ia beneficiar em nada nem a sociedade nem o cidadão individualmente.


  • Nuno Lopes

Assistiu ao atentado de 11 de Setembro? O que recorda desse dia?

Eu era criança, devia ter uns sete ou oito anos. Lembro-me de estar em casa dos meus avós nos meus últimos dias de férias de verão. Estava a ver televisão depois do almoço, à procura de desenhos animados, e lembro-me do meu avô vir a correr da cozinha para ver o que eu estava a ver, eu não percebi o que era, a mim pareceu-me um filme. A minha avó juntou-se a nós e foi tão estranho vê-los tão preocupados com o “filme” e a falar da minha “tia da América” (irmã da minha avó).

Agora, 19 anos depois, o que mudou no que toca ao terrorismo e à segurança?

Não posso dizer que senti diferença porque ainda era criança quando o 11 de Setembro aconteceu, mas por relatos de outras pessoas sei que as pessoas se tornaram mais frias, mais desconfiadas. Os Estados Unidos da América embarcaram numa caça ao homem e num incansável combate ao terrorismo e grupos islâmicos.  Em termos de segurança acho que foram implementados muitos métodos que mitigaram muitas lacunas na segurança transfronteiriça, especialmente via aérea. Mas penso que ainda há uma grande guerra contra o terrorismo para ser combatida e será sem armas e sem feridos, uma cyberwar.

Com o que tem acontecido no presente, envolvendo a violência policial, sente-se seguro?

Sim, sinto-me seguro, acho que devia haver mais tempo investido em treino e educação policial para garantir ou pelo menos melhorar a nossa segurança e a segurança dos próprios policiais.

O que pensa da milícia popular e dos cidadãos poderem estar armados?

Acho que seria um problema muito grave, iríamos regredir muitos anos. Aquilo a que nós chamamos justiça deve ser moderada e regulada por profissionais como juízes. A questão das pessoas andarem armadas, é uma questão menos consensual. Eu pessoalmente acho que todos devem ter o direito de fazer o curso de uso e porte de arma de defesa pessoal e ser sujeitos a vários testes psicológicos e periódicos para garantir que a pessoa tem capacidade e estabilidade psicológica para não pôr em risco ninguém. Mas preferia o total desarmamento civil do que ter pessoas pelas ruas armadas à procura de fazer justiça pelas próprias mãos baseado em vingança, ódio ou racismo.

Telma Pinguelo/MS

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