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Vox Pop – Magellan Community Charities

Promover um ambiente de compaixão e dignidade para os idosos, abraçando e promovendo as tradições portuguesas: este é o compromisso do projeto Magellan Community Charities, que prevê abrir portas já no próximo ano.

Cartoon feito pela artista Stella Jurgen

O Magellan quer dar aos seniores a oportunidade de viverem ao máximo as suas vidas, fornecendo cuidados contínuos e culturalmente sensíveis. Será que a comunidade vê esta iniciativa como algo essencial? É importante terem cuidados fornecidos por portugueses? De que serviços sentem mais falta? Foi o que tentámos descobrir esta semana junto de representantes de várias faixas etárias.

Helena Santos, 36

Milénio Stadium: É importante para si o arranque do projeto Magellan? Porquê?

Helena Santos: Eu acho importante por causa da minha avó. Ela estava em nossa casa, antes. Agora o governo já tem um programa, mas na altura não. A minha avó tem direito a uma hora por dia, o que dá um descanso às pessoas que estavam a cuidar dela. E quando foi o meu pai, quando ele estava doente, eu percebi que eles também só davam uma hora por dia. Eu procurei muito, e o máximo que consegui foram três horas por dia para ficarem com ele. Eu fiquei surpreendida porque isso é muito pouco tempo para ajudar a cuidar de alguém.

MS: Sente a necessidade de uma instituição que acolha idosos, no quotidiano?

HS: Sim, acho bem para poder dar uma pausa à familia. O meu pai estava de cadeira de rodas, com um problema cerebral, e não podia ser acolhido por qualquer programa. Achei mal não haver lugar para ele e não fazerem certos serviços. O meu pai ia para o centro, mas eles não o podiam ir buscar, como os outros. Nós é que o levávamos. Acho que eles não dão horas suficientes para tomar conta dos idosos e que a família não tem ajuda suficiente.

MS: Esta instituição é fundada e terá também uma equipa com portugueses. Para si este seria um fator importante, relativamente a outros centros que já existem?

HS: Sim. Como eu falei, pela minha experiência, quem mandavam para cuidar do meu pai costumava ser sempre uma senhora espanhola. E está tudo bem, mas quando mandavam um brasileiro o meu pai ficava com muito mais alegria. Apesar de ele também falar inglês, sentia que era mais um amigo.

MS: Que serviços gostaria mais de ter no Magellan Centre?

HS: Gostava que houvesse “drop-in programs”. Seria mais uma oportunidade para dar um descanso à família. Programas em que eles ficam lá a cuidar da pessoa durante a manhã ou a tarde e os seniores podem fazer atividades durante esse tempo. Para mim isso é o mais importante.

José Rebelo, 63

Milénio Stadium: É importante para si o arranque do projeto Magellan? Porquê?

José Rebelo: Eu penso que este tipo de projetos são sempre importantes. Nós temos de manter em mente que Toronto é uma cidade com muita população, muito movimento, e por isso exige muito da população ativa. O que significa que, para sustentar a família, temos de trabalhar muito, temos de dedicar muito tempo ao trabalho, às vezes sete dias por semana. Muitas pessoas, a partir de uma certa idade, são muito dependentes e as famílias nem sempre têm tempo para ficar com elas.

MS: Sente a necessidade de uma instituição que acolha idosos, no quotidiano?

JR: Sim, é muito importante, especialmente na comunidade portuguesa. Em 90 por cento dos casos as pessoas não conseguem pagar este tipo de cuidados. Ou nem sequer existe vaga nos centros de seniores para os acolher.

MS: Esta instituição é fundada e terá também uma equipa com portugueses. Para si este seria um fator importante, relativamente a outros centros que já existem?

JR: Na nossa comunidade, a língua é um fator chave para os seniores. É de conhecimento comum que muitas das primeiras gerações de imigrantes, dos anos 50, 60 e 70, tiveram e ainda têm dificuldades em falar inglês. No meu caso, os meus pais falam inglês. Mas nós convivemos com pessoas da nossa comunidade que não falam sequer uma palavra de inglês.

MS: Que serviços gostaria mais de ter no Magellan Centre?

JR: Todos os cuidados básicos de saúde e bem estar têm de estar presentes diariamente para todas as pessoas. Algumas pessoas preferem ficar nas suas casas por várias razōes. E nós temos de respeitar isso. Para este tipo de situações, acho que a comunidade deve ter serviços ao domicílio. Um banho, uma refeição e 10 minutos de convívio todos os dias. Isso faria uma diferença muito grande na vida destas pessoas.

Manuela Henriques, 71

Milénio Stadium:  É importante para si o arranque do projeto Magellan? Porquê?

Manuela Henriques: Eu não tenho ainda necessidade de estar num lugar permanente. Estou metade do tempo numa casa de terceira idade e a outra metade estou por casa. Ainda vou fazendo as minhas coisas e a minha filha também me vai ajudando quando é preciso. Mas acho muito bom que se faça mais casas de terceira idade, porque é uma grande ajuda. Eu gosto de ir para lá, mas também há quem não goste e queira ficar na sua casa. Mas é bom porque em alguma altura a gente vai precisar.

MS: Sente a necessidade de uma instituição que acolha idosos, no quotidiano?

MH: Faz sempre falta mais uma casa que receba as pessoas. Mesmo que for só para ir e passar um bocado. Ainda mais para quem precisa de certo tipo de cuidados, é difícil encontrar lugar nestes centros. São caros, é uma boa despesa, e mesmo assim não há muitas vezes lugar.

MS: Esta instituição é fundada e terá também uma equipa com portugueses. Para si este seria um fator importante, relativamente a outros centros que já existem?

MH: É importante porque eu e outras pessoas como eu, falamos inglês mas não é a mesma coisa. A gente quer conversar, explicar alguma coisa… consegue-se, mas não é igual. E há quem fale muito pouco inglês e acaba por não querer ir para estes lugares, acabam por ficar isolados.

MS: Que serviços gostaria mais de ter no Magellan?

MH: Do que eu conheço aqui as casas de terceira idade fazem um trabalho bom, já. Acho que se abrirem um centro novo podem fazer mais programas, que trazem um bocado de alegria à vida das pessoas e no fundo que dê também oportunidade a quem está à espera de ser recebido.

António Alves, 47

Milénio Stadium:  É importante para si o arranque do projeto Magellan? Porquê?

António Alves: Sim, porque as pessoas de mais idade ficam muito sozinhas. Nós trabalhamos o dia inteiro e eles ficam sozinhos em casa durante muito tempo. Nunca ficamos descansados. Estes centros sempre podem dar alguma assistência.

MS: Sente a necessidade de uma instituição que acolha idosos, no quotidiano?

AA: No caso da minha mãe acho muito importante. O meu pai faleceu há dois anos e desde aí ela tem estado sozinha. Ela não vê muito bem e já é difícil fazer algumas coisas precisas para o dia a dia. Infelizmente, por motivos profissionais, eu não posso estar lá sempre. Torna-se complicado porque nunca se sabe o que pode acontecer. O centro Abrigo tem ajudado muito, por isso quanto mais instituições houver, menos idosos têm de estar em casa sozinhos.

MS: Esta instituição é fundada e terá também uma equipa com portugueses. Para si este seria um fator importante, relativamente a outros centros que já existem?

AA: Claro que sim. A maior parte da geração deles veio para o Canadá sem saber falar inglês e tem dificuldades com a língua. Pode ser um dos fatores que faz com que eles prefiram ficar em casa.

MS: Que serviços gostaria mais de ter no Magellan Centre?

AA: Ter serviço de transportes é muito importante. No caso da minha mãe ela ainda tem condição de ir sozinha mas eu levo-a sempre que posso e fico mais descansado.

Milénio Stadium:  É importante para si o arranque do projeto Magellan? Porquê?

Miguel Tavares: Sim porque de hoje para amanhã todos seremos séniores. E todos poderemos precisar de ajuda. As pessoas de idade precisam de um lugar onde sentem que pertencem.

MS: Sente a necessidade de uma instituição que acolha idosos, no quotidiano?

MT: Sim, a comunidade precisa de mais cuidados médicos, de carinho e de respeito. Precisamos que tratem dos nossos idosos com respeito e dedicação.

MS: Esta instituição é fundada e terá também uma equipa com portugueses. Para si este seria um fator importante, relativamente a outros centros que já existem?

MT: Sim. Falarem português é importante sobretudo para os idosos se sentirem mais à vontade.

MS: Que serviços gostaria mais de ter no Magellan?

MT: Ter um lugar onde sejam atenciosos e ofereçam mais variedade de serviços médicos, serviços de saúde no próprio centro.


Autor(a): Telma Pinguelo/MS
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