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Vox Pop

Basta sair e circular um pouco pela GTA – são milhares e milhares de carros em deslocação diária. O transporte particular é o mais usado por várias razões, mas o mau sistema de transportes públicos é recorrentemente apontado como o maior responsável pelo trânsito, muitas vezes caótico, na Grande Área de Toronto. O automóvel é assim considerado essencial na vida da maior parte das famílias. O pagamento do seguro automóvel é uma obrigação, mas é cada vez mais pesado no orçamento familiar – para muitos começa a ser mesmo insuportável. Nesta edição do Milénio Stadium, em que tentamos perceber as causas e as consequências dos seguros cada vez mais caros, fomos para a rua falar com quem tem de suportar, mensalmente, os preços dos prémios de seguros que têm contratados. As respostas estão aqui. Deixamos para si as conclusões.

Daniel Figueiredo – 26 anos, Toronto

1- O que pensa do sistema de seguros no Canadá, com especial destaque para os do ramo automóvel? Nomeadamente o que pensa dos critérios para aplicação do valor a pagar?

Honestamente penso que é um negócio muito lucrativo para as seguradoras, no fim de contas, e um serviço extremamente caro com um benefício muito reduzido.

Eu não tenho um conhecimento aprofundado sobre os critérios usados, mas conheço alguns, e dos que conheço, alguns fazem sentido, outros nem por isso.

Por exemplo, acho justo que um condutor com idade inferior aos 25 anos seja considerado “condutor de risco”, mas acho completamente ridículo que o valor do seguro seja afetado pelo nosso código postal.

Pelo facto de morarmos em Toronto, o nosso seguro sobe significativamente em relação a outras cidades fora do GTA.

2 – Considerando que está já anunciado um aumento na ordem dos 11% no seguro automóvel – que peso têm os seguros no seu orçamento familiar?

Não estou muito por dentro destes assuntos, mas acredito que haja uma entidade governamental reguladora para as seguradoras que controla os preços e alguns dos critérios das apólices.

Acho que devia haver um regulamento mais forte relativamente à maneira como as seguradoras avaliam os condutores e os acidentes. Isso sim, tem um grande impacto nos orçamentos familiares. Se virmos que a média de custos mensais para seguro automóvel em Toronto é de $180, nem é um estrago muito grande considerando outras despesas. Mas, por exemplo, no meu caso tive um  acidente e o meu seguro que já era $225 subiu para $433, o que se torna pesadíssimo no meu orçamento mensal.

3 – Considera-se verdadeiramente protegido com o seguro que tem contratado?

Protegido penso que sim, representado claramente não. A experiência que tive no meu acidente em termos de cobertura foi excelente, não houve qualquer entrave em termos de reparação ou apoio na resolução dos problemas.

Mas eu comuniquei à minha seguradora que não achava que a culpa tivesse sido minha e que se devia fazer uma peritagem aos dois carros e, assim, apurar o culpado. Nada foi feito nesse sentido. Simplesmente declaram-me como culpado. Talvez lhes desse jeito… acabaram por me aumentar o seguro quase para o dobro.

4 – Considera que a relação qualidade/preço é equilibrada?

Como citado anteriormente, penso que seria se não houvesse estes “castigos” na carteira, sempre que qualquer coisa acontece.

Os seguros são caros? É relativo. Se tivermos um acidente podemos ter estragos até um milhão de dólares. Se fizermos as contas à média de seguros em Toronto ($180) nunca chegaríamos a pagar o estrago no caso de atingirmos o valor na totalidade.

Mas os acidentes comuns normalmente não passam de $50k e acho que os aumentos das apólices em caso de acidente são ridículos. Há pessoas que preferem pagar do bolso delas ao invés de acionar o seguro – isto quer dizer muito, não acha?

Sara Lopes – 28 anos, Bradford

1 – O que pensa do sistema de seguros no Canadá, com especial destaque para os do ramo automóvel? Nomeadamente o que pensa dos critérios para aplicação do valor a pagar?

Acho que é um exagero. Arrisco-me a dizer que é um roubo, mas pronto, infelizmente é a realidade deste país que me acolheu e me dá outras coisas boas. No entanto, os seguros são realmente absurdamente caros – eles abusam muito! Eu pago 300 dólares por mês para o meu seguro do carro porque ainda sou jovem, tenho menos de 30 anos, não estou como “second driver” porque os meus pais não vivem cá, e não contam os anos de experiência de condução no meu país de origem. Muito injusto.

2 – Considerando que está já anunciado um aumento na ordem dos 11% no seguro automóvel – que peso têm os seguros no seu orçamento familiar?

Olhe, tendo em conta o que acabei de dizer na pergunta anterior, deve calcular que acho este aumento um atentado às carteiras. Só podem estar a brincar com as pessoas. Esse aumento, no meu orçamento familiar, pesa demasiado – ao ponto de me preocupar muito.

3 – Considera-se verdadeiramente protegido com o seguro que tem contratado?

Não. Eu pago 300 dólares como lhe disse e foi o mais barato que encontrei. Era tudo mais de 500. Sendo o mais barato, tenho o mínimo dos mínimos de segurança nessa escolha que fiz, mas financeiramente não suportava algo mais caro.

4 – Considera que a relação qualidade/preço é equilibrada?

Não. Acho que pago muito dinheiro para o tal mínimo a que tenho direito. Não consigo entender como um país destes aceita que as companhias de seguro abusem da população a este nível.

António Moniz, 63 anos, Toronto

1 – O que pensa do sistema de seguros no Canadá, com especial destaque para os do ramo automóvel? Nomeadamente o que pensa dos critérios para aplicação do valor a pagar?

Nunca conheci outro sistema. Vivo aqui há mais de 40 anos. Mas sei que os mais novos pagam mais porque não têm tanta experiência e os seguros querem é ganhar dinheiro, não querem prejuízos. Até acho bem.

2 – Considerando que está já anunciado um aumento na ordem dos 11% no seguro automóvel – que peso têm os seguros no seu orçamento familiar?

O meu seguro é muito antigo por isso não é assim tão caro, mas já ouvi dizer que há por aí gente que tem muita dificuldade em pagar o seguro do carro, porque são perto de 500 dólares por mês. E isso é mesmo muito dinheiro.

3 – Considera-se verdadeiramente protegido com o seguro que tem contratado?

Sim. Eu há muitos anos tive um pequeno acidente sem ter culpa nenhuma e o meu seguro pagou tudo e eu não tive problema nenhum.

4 – Considera que a relação qualidade/preço é equilibrada?

Para mim, sim. Agora ouço muita gente a queixar-se. Até na televisão e no café onde vou, de vez em quando, estão lá a falar mal dos seguros que têm.

Paula Gonçalves – 29 anos, Mississauga

1 – O que pensa do sistema de seguros no Canadá, com especial destaque para os do ramo automóvel? Nomeadamente o que pensa dos critérios para aplicação do valor a pagar?

Penso que é um sistema construído de uma forma que acaba por ser pouco benéfico para o cidadão. Os seguros no Ontário, mesmo os mais baixos, são caros. Além disso, tudo está bem até haver um acidente – mesmo de pequena dimensão. Muitas vezes as pessoas acabam por não reclamar acidentes ao seguro porque sabem que vão sair altamente penalizadas. Já pagamos uma mensalidade bem cara e a conta ainda dispara para valores exorbitantes. Então estamos a pagar para quê?

2 – Considerando que está já anunciado um aumento na ordem dos 11% no seguro automóvel – que peso têm os seguros no seu orçamento familiar?

Como tenho carta há pouco tempo, o meu seguro é caro. A seguir à renda de casa, é a maior conta que tenho a pagar. A subida de 11% é injustificada e vem piorar ainda mais o cenário de uma população que paga dos valores mais altos de seguros de todo o Canadá.

3 – Considera-se verdadeiramente protegido com o seguro que tem contratado?

As seguradoras que tive até ao momento sempre cobriram as situaçōes tal como previsto. Por vezes o processo é demorado, mas sempre se resolveu. O que já aconteceu foi darem informação que induziu em erro e acabei por pagar mais do que esperava.

4 – Considera que a relação qualidade/preço é equilibrada?

Penso que o que é oferecido fica aquém do valor que pagamos. Além disso, os preços continuam a subir e o serviço continua o mesmo. E como o seguro é obrigatório, é um esquema do qual não temos como fugir.

Bruno Firmino – 37 anos, Toronto

1 – O que pensa do sistema de seguros no Canadá, com especial destaque para os do ramo automóvel? Nomeadamente o que pensa dos critérios para aplicação do valor a pagar?

Tenho um carro e penso que o valor do meu seguro é razoável tendo em consideração os preços praticados em Toronto e comparando com outras províncias, como por exemplo em Quebec. Pelo que oiço, isso deve-se aos “claims” e burlas de antigamente. O critério de aplicação para o seguro tem uma certa lógica, mas é sempre a beneficiar a seguradora e não o consumidor! De certa forma concordo que um cliente novo tenha de pagar um pouco mais pelo seguro em comparação a um cliente que já tenha um seguro há 10 anos e nunca tenha tido acidentes ou “claims”. Por outro lado gostava que os preços fossem mais acessíveis para quem está a fazer um novo seguro e conforme o tempo passa e o cliente precisa de usar o seguro ou não, isso ditaria o preço do seguro desse cliente. Exemplo: tem acidentes o preço aumenta e se não tem o preço baixa!!!

2 – Considerando que está já anunciado um aumento na ordem dos 11% no seguro automóvel – que peso têm os seguros no seu orçamento familiar?

Não tenho conhecimento desse aumento de 11%, mas vindo a ser aplicado vai com certeza afetar o consumidor financeiramente! Um seguro de 2000 dólares ao ano se aumentar 11% são $220. O que daria menos de $20 por mês. Para muitos consumidores $20 de aumento mensal é muito visto que a vida está tão cara em Toronto. As casas, as rendas, a comida… tudo tem aumentado e as pessoas começam a perder o poder de compra! O aumento a ser aplicado é mais um problema para muita gente.

3 – Considera-se verdadeiramente protegido com o seguro que tem contratado?

Não!!! Nunca estamos verdadeiramente protegidos! Há sempre alguma opção não incluída no seguro que não temos conhecimento e quando mais precisamos, porque tivemos um acidente ou um vidro partido ou o carro roubado, e pensamos estar coberto pelo seguro,  vamos a ver e não está! O consumidor só pensa no preço e só se for baixo é que fica satisfeito, mas quando elas acontecem, as surpresas não são boas! As seguradoras têm a suas técnicas para angariar clientes e não lhes divulgar toda a informação! Isso não acontece só no ramo automóvel, acontece com seguros de vida, acidentes pessoas e doenças críticas! No meu ver, o cliente precisa de ser mais bem informado nos serviços que está a adquirir.

4 – Considera que a relação qualidade/preço é equilibrada?

Não! A relação qualidade preço não é equilibrada de todo! Um preço de um seguro o mais básico possível já é elevado então se formos adicionar as opções extra para estarmos cobertos para essas eventualidades, faz do seguro unaffordable!!!

Jennifer Santos, 42 anos , Brampton

1 – O que pensa do sistema de seguros no Canadá, com especial destaque para os do ramo automóvel? Nomeadamente o que pensa dos critérios para aplicação do valor a pagar?

Sinceramente acho que há coisas muito difíceis de entender. Por exemplo, porque é que eu tenho que pagar mais porque vivo em Brampton? Não tenho nenhum acidente no meu registo e estou a pagar pelos erros dos outros. Não acho bem.

2 – Considerando que está já anunciado um aumento na ordem dos 11% no seguro automóvel – que peso têm os seguros no seu orçamento familiar?

Um peso muito grande. Eu nem sabia que iam aumentar… agora é que vai ser ainda mais difícil. Mas não posso deixar de ter carro. Os transportes públicos não ajudam – são poucos e maus.

3 – Considera-se verdadeiramente protegido com o seguro que tem contratado?

Eu ainda não sei se estou ou não. Porque nunca tive nada para saber se estou bem protegida.

4 – Considera que a relação qualidade/preço é equilibrada?

Nem sei responder a essa pergunta. Só sei que é muito dinheiro que pago.

Madalena Balça/MS

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