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Radicalismo

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Crédito: DR.

Discursos inflamados que exaltam práticas e políticas de nacionalismo, soberania do Estado, repúdio aos estrangeiros e imigrantes, rejeição à globalização e à cooperação económica entre nações, entre outras tantas ideias de segregação e rejeição ao “diferente”. Conforme as regiões do mundo em que se apresentam, as características variam, mas esses são os pilares mais conhecidos sobre os quais se erguem os movimentos e partidos de extrema-direita, que já há alguns anos ganham força e popularidade em diferentes países, isso quando de facto não chegam ao poder. Na Europa os ventos do extremismo sopram forte. O mais recente exemplo vem de Portugal, onde nas últimas eleições presidenciais o partido Chega alcançou meio milhão de votos, com destaque para o facto de ter acumulado milhares deles em territórios com um forte histórico de voto no Partido Comunista. Nos Estados Unidos, no início deste ano, membros dos Proud Boys, organização extremista de direita, com raízes canadianas, protagonizaram a invasão do Capitólio. O local foi palco de selvagerias e destruição, dando um claro exemplo da força dessa organização terrorista, apoiada e incentivada pelo então Presidente Donald Trump. O Brasil, desde a eleição de Jair Bolsonaro, flerta com essas ideias populistas e nem sempre democráticas. Segundos investigadores do assunto, esses fenômenos ganham força através do descontentamento popular com as políticas vigentes, e crescem exponencialmente com situações de crise econômica e social.  Atualmente, as redes sociais têm sido terreno fértil para a disseminação e propagação dessas ideias extremistas e totalitárias. Nessa edição do Milénio Stadium nos propomos a abordar esse tema tão complexo, mas também tão urgente, afinal, coloca em perigo a existência de um pilar básico da nossa sociedade atual: a democracia. Fomos ouvir o que alguns membros da comunidade têm a dizer sobre o assunto.

  • Mário Lança, 33 anos, Empresário – Real Estate Broker

Nos últimos anos temos assistido, em vários países do mundo, ao crescimento de movimentos e partidos políticos de extrema-direita. Na sua opinião, o que gera nas populações esse desejo por governos ou representantes conservadores e autoritários?

Acima de tudo o descontentamento para com os governos, aguçados normalmente por crises econômicas que resultam na perda de rendimentos, de emprego, e consequentemente, da qualidade de vida das pessoas. Mas a esquerda elitista, citadina e arrogante no cimo da sua superioridade moral e adjuvada por uma comunicação social desonesta e conivente com o establishment, não estão, muito pelo contrário, isentas de culpa do aumento da popularidade do fenômeno da extrema-direita.

Que tipo de consequências a disseminação dessas ideias de radicalismo e intolerância, pregadas por esses partidos, organizações e indivíduos, pode trazer para o bem-estar comum da sociedade?

A desinformação é consequência e motor de qualquer extrema, seja direita ou esquerda, mas penso que a desunião e o conflito social serão o maior perigo da disseminação desse fenômeno.

Acha que a extrema-direita é uma ameaça à democracia?

Qualquer extremo ideológico é uma ameaça à democracia, e a extrema-direita não é exceção.


  • Francisco João Cordeiro Gaspar, 31 anos, Soldador

Nos últimos anos temos assistido, em vários países do mundo, ao crescimento de movimentos e partidos políticos de extrema-direita. Na sua opinião, o que gera nas populações esse desejo por governos ou representantes conservadores e autoritários?

Penso que são dois os principais factores para isso e que se conjugam, sendo um deles o completo descrédito nos políticos que governaram nos últimos anos, bem como nos que não governaram, e outro o discurso populista e sempre de temas fracturantes entre a população.

Que tipo de consequências a disseminação dessas ideias de radicalismo e intolerância, pregadas por esses partidos, organizações e indivíduos, pode trazer para o bem-estar comum da sociedade?

Pode fazer com que até uma sociedade relativamente tolerante em relação a outras etnias, religiões, ou nacionalidades, se torne bastante discriminatória e com comportamentos de rejeição até à data não vistos.

Acha que a extrema-direita é uma ameaça à democracia?

Qualquer ideologia que não defenda a igualdade de direitos e oportunidades a qualquer indivíduo, seja ele nacional ou não, é uma ameaça à democracia, especialmente este discurso da extrema-direita.


  • Luiz Ferreira, 37 anos, Gerente de produto

Nos últimos anos temos assistido, em vários países do mundo, ao crescimento de movimentos e partidos políticos de extrema-direita. Na sua opinião, o que gera nas populações esse desejo por governos ou representantes conservadores e autoritários?

Acho que primeiramente os movimentos de direita em geral vêm aumentando nos últimos 10-15 anos pelo mundo afora por conta de um repúdio as políticas insustentáveis mais populistas e progressistas na América, bem como desastrosas econômica e socialmente em países em desenvolvimento. Por hora, os combates a essas políticas “mais de esquerda” fortalecem as ideias conservadoras de direita e por vezes abrem uma brecha para os movimentos extremistas de ambos os lados.

Que tipo de consequências a disseminação dessas ideias de radicalismo e intolerância, pregadas por esses partidos, organizações e indivíduos, pode trazer para o bem-estar comum da sociedade?

Radicalismo e intolerância vindos de qualquer órgão, instituto, partido, organização e também de indivíduos, trazem sempre péssimas consequências para o equilíbrio democrático e a credibilidade das instituições. Paralelamente, a corrupção e a guerra pelo poder também corroboram para complicar ainda mais esse cenário, que já é complexo.

Acha que a extrema-direita é uma ameaça à democracia?

Todo movimento extremista pode se tornar uma ameaça a qualquer processo democrático.


  • Bob Hatcher, 60 years, Photographer

In the past years we’ve noticed, in several countries around the world, the rise of populist radical far-right parties and movements. In your opinion, why are people voting for conservative and authoritarian governments or representatives?

There is a lot of division when it comes to politics. There is a stark contrast between the haves and the have nots. The gap between the rich and the poor has become wider than ever. People with all the money and all the power are voting Conservative. While the people who have nothing are at the point now where they have nothing to lose, so they are rising up and becoming more vocal. If you toss in a political figure like Donald Trump into the mix who has the platform to stir things up and cause more havoc it seems to embolden the far-right.

I do not have all the answers when it comes to the far-right, but I think people who are isolated and have nowhere to go are welcomed into those groups. Is this where people become radicalized? It is a possibility.

With the spread of radicalism and intolerance preached by these parties, organizations and individuals, what kind of consequences will society face?

The consequences of the far-right being in power and imposing their policies only serves a select group of people. Far-right has a hard time lifting people out of the gutter. There is less tolerance, less kindness less compassion. More greed, more oppression and less tolerance.  In my opinion the far-right have a win at all costs attitude. Even at the expense of others. Greed is the name of the game. The rich get richer, the poor get poorer.

Do you believe far-right parties and movements can be a threat to democracy?

I would have to think that far-right parties can be a threat to democracy. The ability for the far-right to spin things out of control has been on display front and centre for the last four years in the United States of America. There have been some amazing valuable lessons learned by watching Donald Trump being in power for four years. Let’s hope that we are all paying attention so that moving forward we can recognize and the signs of an emerging dictatorship on the horizon. As we have found out there are many organizations that are laying in wait – for their time to shine and take over. The Proud Boys movement in the United States is just a small example of some of the problems that are being uncovered. The far-right have emboldened the radicals.


  • Maria Luiza de Castro, 53 anos, Bancária

Nos últimos anos temos assistido, em vários países do mundo, ao crescimento de movimentos e partidos políticos de extrema-direita. Na sua opinião, o que gera nas populações esse desejo por governos ou representantes conservadores e autoritários?

Acho que isso é um reflexo da insatisfação da população com governantes corruptos, com a pobreza e desemprego, enfim, com a falta de oportunidades e a crise que tomam conta de alguns países. Então surgem esses grupos, com ideias de protecionismo, dizendo que toda culpa pela pobreza e desemprego é dos imigrantes, essas ideias radicais, mas que acabam ecoando entre parte da população, e com ajuda das redes sociais, fica muito mais fácil angariar milhares de pessoas com os mesmos pensamentos tortos e isso é um perigo, na minha opinião.

Que tipo de consequências a disseminação dessas ideias de radicalismo e intolerância, pregadas por esses partidos, organizações e indivíduos, pode trazer para o bem-estar comum da sociedade?

Muitas, e todas ruins. Temos que pensar que antes de mais nada, não importam países, regiões, religiões…somos todos seres humanos, e todos merecemos viver com dignidade e termos amparo social quando precisamos, para isso existe o Governo, não para ditar regras e controlar as nossas vidas.

Acha que a extrema-direita é uma ameaça à democracia?

Com certeza. Todos temos direito de defender nossas ideias e crenças, desde que não preguem o desrespeito e a violência aos outros. Não consigo entender como tantas pessoas se juntam a esses movimentos, e o pior, eles são a raiz para a formação de partidos políticos com essas ideologias e políticas. Temos que tomar cuidado, ou perderemos algo que nossos pais, avós lutaram tanto para conseguir em diferentes países e épocas: a democracia.


  • Paulo Mateus, 64 anos, Reformado

Nos últimos anos temos assistido, em vários países do mundo, ao crescimento de movimentos e partidos políticos de extrema-direita. Na sua opinião, o que gera nas populações esse desejo por governos ou representantes conservadores e autoritários?

Uma das maiores armas da extrema direita é o populismo, mas as soluções rápidas para problemas complexos de resolver não passam de pura demagogia. Acredito que uma boa parte do eleitorado de André Ventura em Portugal não leu o plano do partido que defende a privatização do ensino e a criação de um imposto único para ricos e pobres. As pessoas hoje preferem ler o feed do Facebook do que consumir informação de um jornal ou de um canal sério e credível…

Que tipo de consequências a disseminação dessas ideias de radicalismo e intolerância, pregadas por esses partidos, organizações e indivíduos, pode trazer para o bem-estar comum da sociedade?

O crescimento da extrema-direita na Europa e no mundo é assustador, sobretudo num país como Portugal que teve a ditadura mais longa da Europa, mais de 40 anos de fome, miséria e repressão. As consequências são ditaduras e retrocessos civilizacionais. Um dos financiadores do Chega, João Maria Bravo, forneceu armas e tecnologia ao Estado português no valor de mais de 33 milhões de euros durante os governos de António Costa. Escusado será dizer que se o dinheiro é canalizado para o Exército não vamos ter dinheiro para investir na educação nem na saúde.

Acha que a extrema-direita é uma ameaça à democracia?

Sem dúvida alguma, ela vai destruir as conquistas democráticas. O Ventura impôs a lei da rolha no seu próprio partido e ninguém pode falar contra ele. Primeiro acaba-se com a liberdade de expressão, depois tira-se o direito ao ensino da constituição e só Deus sabe o que virá a seguir. O Ventura fez dos ciganos o seu principal problema, quando a população cigana corresponde a apenas 3,8% dos beneficiários do RSI. Imagine-se se os portugueses que tiveram que emigrar para o Canadá encontrassem aqui a mesma tolerância…

Lizandra Ongaratto/MS

• Leia mais Vox Pop das edições anteriores , clique aqui.

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