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Universal, gratuita e facultativa: assim será a vacina da Covid-19 em Portugal

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Não foi preciso sequer um ano para a vacina contra a Covid-19 estar pronta… e com uma eficácia acima dos 90%. No entanto, em Portugal, o medo deste vírus que nos ameaça a saúde e a vida, parece não ser o suficiente para aceitar, sem pensar duas vezes, recebê-la. De facto, grande parte dos portugueses assume que não irá tomar a vacina mal esta esteja disponível. A razão para tal parece estar relacionada com o receio dos efeitos secundários que esta pode, eventualmente, provocar.

Num inquérito realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, onde foram inquiridas 1691 pessoas, 28% admitem tomar a vacina mal esta esteja pronta a ser administrada, 62% prefere esperar “algum” ou “muito” tempo e 10% afirmam não a querer tomar.

A vacinação dos portugueses tem como intuito reduzir a mortalidade e o número de internamentos em cuidados intensivos, controlar surtos e minimizar o impacto não só no SNS (Sistema Nacional de Saúde) como também na economia do país. Ainda que ainda sejam necessários alguns “ajustes” ao plano de vacinação contra a Covid-19 em Portugal, foram divulgadas recentemente algumas diretrizes importantes e já tidas como certas.

O acordo

Todo o processo de aquisição e avaliação das vacinas tem por base uma estratégia coordenada no âmbito da União Europeia: ora segundo Rui Ivo, presidente do Infarmed, existem já seis acórdãos concluídos pela Comissão Europeia. Assim, espera-se que a Portugal cheguem 6,9 milhões de doses da vacina desenvolvida pela Astrazeneca, 4,5 milhões de doses da Johnson & Johnson e outros tantos da vacina da Pfizer/BioNTech. Já da Moderna poderão chegar 1,8 milhões de doses e da CureVac, a que estará mais atrasada no seu desenvolvimento, Portugal estima receber quatro a cinco milhões de doses. Para a Sanofi/GSK ainda não estão definidas as quantidades de doses.

Susana Castro Marques, diretora médica da Pfizer Portugal, assumiu que, no caso de ser aprovada, a primeira vacina a “aterrar” em solo luso será a da farmacêutica que desenvolveu o famoso “comprimido azul” – mais precisamente três dias após a “luz verde” da Agência Europeia do Medicamento, ou seja, no primeiro dia de janeiro de 2021. Estarão asseguradas todas as etapas do transporte e distribuição da vacina e haverá lugar a uma “componente de distribuição aérea para alguns pontos fulcrais do país ou da região e depois uma rede de transporte terrestre para fazer depois, a partir desses centros, a distribuição para outros locais que sejam designados”, segundo a diretora. A primeira tranche poderá servir para vacinar 300 mil pessoas.

Os grupos prioritários

Existem três, divididos em “fases”. Na primeira estão as pessoas com 50 ou mais anos que possuam patologias graves (insuficiência cardíaca e/ou renal, doença coronária, Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica ou doença respiratória crónica sob suporte ventilatório e/ou oxigenoterapia de longa duração) e os profissionais de saúde envolvidos na prestação de cuidados, profissionais das Forças Armadas, de segurança e serviços críticos.

Para além destes, estão também incluídos neste primeiro grupo os residentes em lares ou similares, os internados em cuidados continuados e respetivos profissionais.

Já na segunda fase estão as pessoas com mais de 65 anos sem qualquer patologia associada e aquelas que tenham entre 50 e 64 anos e que apresentem um vasto leque de doenças pré-existentes, tais como diabetes, hipertensão e/ou obesidade.

Por último, na terceira fase encontra-se “o resto da população” residente em Portugal.

Quando?

“As vacinas não chegam todas no primeiro dia, mas vão chegando gradualmente ao longo de todo o ano”, explicou o primeiro-ministro português, António Costa.

Ainda que com chegada prevista para o início de 2021, é importante lembrar que todo o processo depende dos resultados da terceira fase de testes à eficácia da vacina, bem como da aprovação da Agência Europeia do Medicamento.

Assumindo que “há muitas incertezas”, Marta Temido, ministra da Saúde, ressaltou que os ensaios clínicos já publicados incidem sobretudo na população entre os 18 e 65 anos, não se conhecendo “a duração da vacina e não estão incluídas crianças e grávidas” e não lhes sendo, portanto, recomendada a imunização, pelo menos para já.

Primeira fase – no melhor dos cenários serão vacinadas 950 mil pessoas até ao final de fevereiro (em média, 16 mil pessoas por dia). Numa perspetiva mais pessimista, esta primeira operação poderá prolongar-se até abril.

Segunda fase – acredita-se que aqui a tarefa seja mais difícil, já que terão de ser administradas mais de cinco milhões de doses e as convocatórias e marcações terão que ser feitas pelos centros de saúde. Assim, espera-se que esta segunda fase aconteça no segundo trimestre de 2021, podendo estender-se até julho, consoante o ritmo de abastecimento das vacinas.

Terceira fase – finalizadas as duas primeiras fases, começará a vacinação da restante população, caso não haja alteração dos prazos de entrega previstos. No entanto, se tal acontecer, definir-se-ão um terceiro e quarto grupos prioritários. Esta fase tem início previsto para o mês de julho.

Em relação ao abastecimento das vacinas, e de acordo um documento recentemente divulgado, espera-se que os primeiros três meses do próximo ano cheguem cerca de quatro milhões de doses de vacinas, no segundo trimestre à volta de 7,5 milhões, e no terceiro quase oito milhões. Finalmente no último trimestre de 2020 chegará nova remessa de dois milhões de doses e no primeiro trimestre de 2022 mais cerca de 1,5 milhões.

Onde?

Marta Temido explicou que as vacinas serão administradas no Serviço Nacional de Saúde, em mais de 1.200 centros de saúde, sob marcação. Existirá uma capacidade de cerca de 300 mil vacinas por semana numa fase inicial.

No caso dos lares e das unidades de cuidados continuados as respetivas equipas de enfermagem poderão administrá-las na própria instituição ou a equipa do Agrupamento dos Centros de Saúde deslocar-se-á ao local.

Numa terceira fase, prevê-se uma extensão dos pontos de vacinação.

Como?

Cada pessoa deverá tomar duas doses da vacina. Em situação normal terá que, depois de feita a marcação, deslocar-se à unidade de saúde para a toma da vacina, sendo informado, no fim do processo, da data da segunda dose.

A execução do Plano de Vacinação Covid-19 e a taxa de imunização comunitária serão monitorizadas por uma rede nacional a ser criada. Existirá ainda um sistema de monitorização de eventuais reações adversas.

Quanto?

Portugal terá adquirido cerca de 22 milhões de doses, o que perfaz um total que rondará os 180 a 200 milhões de euros.

Inês Barbosa/MS

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