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Unidos pelo presente e futuro da cultura portuguesa em Toronto

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Surgida há mais de meio ano no maior país da Ásia Oriental e o mais populoso do mundo, a pandemia de coronavírus disseminou-se a um ritmo vertiginoso à escala global, provocando nas sociedades efeitos devastadores no campo socioeconómico, espelhados em milhares de vítimas e de casos de infeção no mundo, assim como generalizadas medidas de isolamento social que paralisam a economia e empurram as nações para uma recessão sem precedentes.

Espalhadas pelos quatro cantos do mundo, as comunidades portuguesas, centelhas incessantes de amor pátrio, não estão imunes a estes efeitos que têm alterado radicalmente o nosso quotidiano. Para além da perda de rendimentos e ameaça de insegurança económica, são conhecidos infelizmente vários casos de infeção e de mortes entre emigrantes lusos, e é também conhecido o cancelamento ou adiamento de inúmeros eventos e iniciativas que integram os planos anuais de muitas associações.

Nestes tempos difíceis que atravessamos, o meio associativo das comunidades portuguesas, um dos mais importantes, se não mesmo o mais importante vínculo de pertença e dinamização cultural dos emigrantes lusos nos países de acolhimento, encontra-se submerso em dificuldades e incertezas.

Dificuldades e incertezas resultantes do cenário pandémico, que entrava a realização de eventos e iniciativas, como foi o caso paradigmático do Dia de Portugal, qual barómetro anual da dinâmica e vitalidade do meio associativo na diáspora, que este ano se cingiu a comemorações simbólicas. Celebrações minimalistas que substituíram a realização de tradicionais iniciativas, que em muitos casos garantem a obtenção de receitas que permitem custear o normal funcionamento das associações, como seja o pagamento da água, luz, rendas dos espaços ou a sua manutenção.

Nesse sentido, o risco de fecho definitivo de diversas associações no seio das comunidades portuguesas nunca foi tão real, e é ainda agravado pela problemática do envelhecimento dos seus quadros dirigentes, da maioria dos seus associados e da escassa participação dos lusodescendentes.

Este perigo acrescido de encerramento deve portanto impelir as forças vivas do movimento associativo da diáspora a colocar definitivamente em cima da mesa, não só, quando a vida voltar a normalizar, a diversificação de atividades capazes de conciliarem a cultura tradicional enraizada nas coletividades com novas dimensões socioculturais, como o cinema, a literatura ou a moda, de modo a atrair as jovens gerações de lusodescendentes. Como também a adoção de um novo modelo de atuação e organização das associações, que necessariamente terá que passar por um paradigma de partilha de uma “casa comum”, capaz de reunir num só espaço com dignidade e dimensão a valiosa argamassa identitária das comunidades portuguesas.

Creio ser este o caminho que terá que ser trilhado pelo dinâmico e relevante meio associativo da comunidade portuguesa em Toronto, capital da província do Ontário e maior cidade do Canadá, onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes nesta nação da América do Norte.

Uma comunidade que se destaca hoje pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico, que para salvaguardar o passado, e projetar o presente e futuro das suas associações, ou seja, da sua identidade cultural portuguesa, deve a médio prazo procurar adotar um modelo de “Casa de Portugal”, de portas sempre abertas às várias nacionalidades, através de parcerias com agremiações, escolas e universidades onde se ensina a língua portuguesa.

Uma “Casa de Portugal”, com uma agenda capaz de congregar as diversas sinergias do movimento associativo, de diluir as diferenças e egos, e potenciar o coletivo, a união, os parcos recursos humanos e financeiros, em prol da cultura portuguesa.

Uma “Casa de Portugal“, como por exemplo a Maison du Portugal – André de Gouveia, em Paris, capital francesa onde se encontra a maior comunidade portuguesa no estrangeiro, onde se organizem vários eventos culturais do movimento associativo. Desde as festas e festivais de folclore, à programação de artes plásticas, cinema, dança, literatura, teatro, ciclos de conferências ou divulgação de trabalhos dos investigadores que cada vez mais proliferam na lusodescendência.

Uma união pelo presente e futuro da cultura portuguesa em Toronto, capaz de inspirar muitas outras comunidades lusas, e simultaneamente capaz de despertar junto das autoridades nacionais a necessidade de reforço dos apoios para a área cultural e movimento associativo das comunidades portuguesas, as mais genuínas embaixadoras da pátria de Camões. Uma pátria que se espraia em várias comunidades e descendentes espalhados pelos quatro cantos do mundo, indubitáveis portugais onde remanesce a cultura e língua portuguesa, elos comuns da identidade lusófona.

Daniel Bastos/MS

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