Temas de Capa

“Um dia de cada vez” Estar próximo, mesmo que à distância

O First Portuguese é uma das instituições comunitárias que tem desenvolvido um importante trabalho de apoio e integração social dos idosos luso-canadianos, para além do crucial ensino da língua portuguesa aos mais pequenos.

Com uma história que se construiu lado a lado com a história da presença portuguesa na cidade de Toronto, o First Portuguese passou por períodos de grande glória, mas também muitas dificuldades.

Recentemente, uma nova direção pegou numa instituição que, entretanto, se transformou numa organização de apoio social, para tentar reativá-la, a bem da comunidade e honrando a sua história.

Os tempos já não estavam fáceis, mas a pandemia da COVID-19 vieram dar-lhes uma dimensão mais profunda. Para além da questão financeira, a agonia de quem gere a sua atividade diária prende-se com a certeza de que o maior desafio que têm nos dias que correm é conseguir estar próximo de quem realmente precisa. E por vezes bastava um abraço ou um sorriso…

Nesta edição do jornal Milénio Stadium, tivemos a oportunidade de falar com Carina Paradela, presidente do First Portuguese Canadian Cultural Centre, que partilhou connosco a atual realidade desta associação.

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Carina Paradela, presidente do First Portuguese Canadian Cultural Centre

Milénio Stadium: Como estão a lidar com a crise? Estão a conseguir continuar a apoiar os idosos?

Carina Paradela: Em qualquer crise há sempre muito mais a fazer do que aquilo que é possivel. O First Portuguese não foge à regra. Continuamos a apoiar os nossos idosos por telefone, mantendo o contacto sempre que possível, apesar de não ser o suficiente numa altura em que a distância social nos é imposta. Muitos deles precisam do contacto físico, de um abraço, e de todo o restante apoio que oferecíamos no nosso centro de dia. Estamos a fazer o melhor que podemos face à situação inesperada que enfrentamos.

MS: Que medidas tiveram que tomar para prevenir a contaminação da Covid-19?

CP: Até esta semana o nosso centro esteve fechado. Reabrimos apenas esta segunda feira, dia 6 de julho, com serviços e funcionários reduzidos. Com a reabertura existem imensas medidas de prevenção que tivemos de adotar, de acordo com as orientações do Serviço Municipal de Saúde, tais como o uso de máscara dentro das instalações, limpeza e desinfeção dos espaços comuns com produtos aprovados, sinalética, entre muitas outras. Irá ser necessário que todos se ajustem a esta nova realidade, mas em breve será, com certeza, o nosso novo “normal”.

MS: O First Portuguese já se debatia com problemas financeiros antes da pandemia. Como está agora a vossa situação?

CP: Os problemas financeiros são, obviamente, um problema que se agravou, e bastante, com esta pandemia. O facto de o centro estar fechado, sem qualquer fonte de rendimento, durante três meses e meio, veio agravar uma situaçao financeira já bastante precária. No entanto, reabrimos o centro com um pequeno summer camp e algumas aulas para tentar fazer face às despesas. A direção está a tentar o seu melhor para que a organização se ajuste a estes novos tempos e assim, esperamos, não ter de fechar a porta.

MS: Como preveem o futuro?

CP: Estamos todos no mesmo barco e a frase mais dita hoje em dia é: “Um dia de cada vez!” Não temos como prever o futuro da organização enquanto vivemos estes tempos tão incertos. No entanto, continuaremos a trabalhar com dedicação, para podermos voltar a abrir a associação em pleno com todas as suas valências.

MS: De que modo a comunidade portuguesa poderia ajudar?

CP: O First Portuguese tem a “desvantagem” de ser relembrado com a nostalgia daquilo que foi no passado. O First já não é um clube há muitos anos, é sim uma associação sem fins lucrativos a prestar serviços muito necessários aos idosos e crianças da comunidade portuguesa, e não só. A nossa comunidade poderia começar por olhar para a associação como ela é hoje e envolver-se mais, ajudando com trabalho voluntário, donativos, divulgação, participação em eventos e tudo mais que pudesse ajudar a manter aberto o primeiro clube português em Ontário.

Catarina Balça/MS

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