Temas de Capa

Um casamento que acaba em confusão

A política e o dinheiro podem considerar-se inimigos um do outro

A política e o dinheiro sempre tiveram algo em comum, colam-se muito um ao outro e, por fim, fica o nome corrupção. Devia haver uma lei para divergir estes dois mundos, mas problemas deste tipo acontecem por todo o mundo. Há diferenças de país para país, mas nalguns está a pegar moda. Não é por acaso que um autarca em Portugal só pode estar no poder três mandatos. Eu até sou a favor de dois, no máximo. Por vezes acontece que há quem salte de localidade para se poder candidatar novamente – não no mesmo local, mas na “casa” ao lado.

Atenção, eles não têm culpa nenhuma, culpa tem quem vota. O dinheiro não fala e quando as pessoas se habituam a um tipo de vida e depois do limite máximo de mandatos tem que mudar de vida, isso para muitos é muito complicado. Na política o dinheiro é a desgraça de muitos que a ela se dedicam. Começa logo na campanha: a maior parte tem que arranjar financiamento ou então usar o do próprio bolso. Quando um cidadão decide concorrer como independente não tem suporte de nenhum partido, então recorre a privados para apoio. Logo aí começam os desvios, no bom sentido, porque esse dinheiro tem que ser justificado (dizer-se de onde veio) e declarado. Mesmo assim a maior parte das vezes os próprios são fiscalizados.

Um grande número de políticos desgraça a vida pelo facto de acumular riqueza em pouco tempo e não conseguir justificar de onde veio, mas esses têm tempo de colocar a família toda em boas condições económicas. No passado bem recente, antes da entrada em vigor do limite de mandatos, ex-autarcas antes de entrarem na política andavam com uma mão atrás e outra na frente, mal tinham para suportar as próprias despesas. Ao fim de três, quatro mandatos tinham fortuna acumulada, não era pelo ordenado.

Há fatores de desigualdades de rendimentos enormes. Se olharmos para trás alguns anos, nas últimas décadas, formaram-se políticas favoráveis às camadas mais ricas da sociedade, nomeadamente na área fiscal. A fiscalização e a justiça para a classe política nem sempre funcionam como funcionam para o resto da população. É tudo na base de dinheiro. A passagem de testemunho para os mais jovens e futuros governantes não é a melhor, as lições que levam são prejudiciais para o futuro. Atualmente faz-se tudo acima das possibilidades – a começar pela classe política -, depois bate-se à porta dos privados e em troca há que prometer algo. Política e dinheiro… é muito complicado. Os políticos são preparados para corromper as leis para que se possam governar a si próprios. É triste, mas é a realidade das coisas no mundo em que vivemos. Infelizmente há menos honestidade e cada vez mais se desconfia da política e dos políticos. Tudo derivado ao dinheiro, o maior inimigo do ser humano.

Os partidos políticos já foram constituídos por pessoas de bem. Hoje em dia os partidos demonstram a sua capacidade nas próprias contas de cada um: o PCP é o partido mais rico em Portugal, atualmente.  Conta-se que tem no banco mais de três milhões de euros, o que corresponde a um valor superior às poupanças detidas por PS, PSD, CDS, Verdes e PAN. Em estado perigoso encontram-se o PS e o CDS, os dois em falência técnica. Segundo consta, o valor dos passivos é superior ao ativo – o PS tem um buraco superior a 4,5 milhões e o CDS tem um défice de 456 mil euros. Como é que um partido destes pode governar o país se a própria casa é mal governada? E depois admiramo-nos pelo simples facto de haver um desequilíbrio entre ricos e pobres, que infelizmente é a mais antiga e a mais fatal doença da maioria das nações. Seria desnecessário dizer isto, mas os grandes partidos estão a passar uma fase problemática no que diz respeito a finanças e procuram grandes empresas para suporte que, em troca, ganham excelentes relações com o Governo no futuro. Esse dinheiro é o que financia as campanhas eleitorais de bons partidos.

As únicas receitas dos partidos são as quotas e outras contribuições dos seus filiados, as contribuições de candidatos e representantes eleitos em listas apresentadas por cada partido. Para os que sabem fazer também existem as atividades de angariação de fundos por eles desenvolvidas e têm os próprios rendimentos provenientes do seu património e doações que são feitas por filiados. 

Augusto Bandeira/MS

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