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Tilray – Quebrar estereótipos em nome da saúde

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Crédito: DR

Em Portugal a legalização do uso de produtos feitos à base de canábis para fins medicinais foi aprovada em junho de 2018. O acesso ao tratamento com medicamentos, preparações e substâncias à base da planta da canábis depende sempre de avaliação clínica, efetuada por um médico, e a dispensa de produtos pode ser feita em qualquer farmácia, mas obriga à apresentação de receita médica.

No que ao cultivo da planta, preparação e distribuição diz respeito todo o processo é bastante controlado, de forma a garantir que os produtos seguem as práticas e requisitos impostos no domínio da qualidade e segurança.

Com raízes no Canadá, a farmacêutica Tilray é pioneira global na produção, investigação e desenvolvimento de preparações e substâncias à base da planta da canábis para fins medicinais. Foi em 2019, e com base em diversos critérios como, por exemplo, a mão de obra qualificada, que a empresa decidiu criar uma unidade de produção, com cerca de 15 mil metros quadrados, em Portugal, mais concretamente em Cantanhede, na região Centro do país.

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Rita Barata, VP Marketing EMEA & Country Manager Ibéria da Tilray Portugal

Mas não se fica por aqui: a empresa tem também uma parceria até 2024 com a Universidade de Coimbra para desenvolver produtos médicos derivados de canábis e recentemente chegou a acordo com o Esporão, no Alentejo, para aumentar a produção desta planta em Portugal. Os produtos Tilray estão disponíveis em países como França, Reino Unido, Alemanha, República Checa, Argentina, Israel, África do Sul e Nova Zelândia e os ensaios clínicos são feitos nos Estados Unidos da América e na Austrália.

Utilizadores da rede social Reddit têm mostrado especial interesse pelas ações de diversas empresas na área da produção da canábis, como é o caso da Tilray, que viu a sua cotação em bolsa subir 50%. Consequentemente, registou uma valorização de 670% desde o início de 2021.

Nesta edição do jornal Milénio Stadium, dedicada ao uso medicinal da canábis, tivemos a oportunidade de colocar algumas questões a Rita Barata, VP Marketing EMEA & Country Manager Ibéria da Tilray Portugal, para sabermos não só o porquê da aposta da empresa em criar uma unidade de produção em território luso como também para percebermos de que forma é que viram a aprovação, por parte do Infarmed, da primeira substância à base da planta da canábis para fins medicinais em Portugal.

Milénio Stadium: Quais foram as razões que levaram a Tilray – uma das maiores empresas canadianas de produção de Canábis para fins medicinais, a escolher Portugal para desenvolver o seu produto?

Rita Barata: A escolha de Portugal foi feita com base no clima e na mão-de-obra qualificada, na tradição e conhecimentos nas áreas agrícolas e florestais e na preparação do país em matéria legal.

MS: Em que tipo de situações/doenças é que a canábis já provou ter efeitos benéficos na saúde das pessoas?

RB: Em Portugal, a utilização de preparações e substâncias à base da planta de canábis para fins medicinais está aprovada, pelo INFARMED, Autoridade Nacional do Medicamento, para várias indicações, nos casos em que se determine que os tratamentos convencionais não produzem os efeitos esperados, entre as quais, dor crónica, associada a doenças oncológicas ou ao sistema nervoso; espasticidade, associada à esclerose múltipla ou a lesões da espinal medula; náuseas e vómitos, resultantes da quimioterapia, radioterapia e terapia combinada de HIV e medicação para a hepatite C, estimulação do apetite nos cuidados paliativos de doentes sujeitos a tratamentos oncológicos ou com SIDA, síndrome de Gilles de la Tourette e glaucoma resistente à terapêutica.

Em muitos outros países da UE, as terapêuticas canabinóides são recomendadas para indicações semelhantes.

MS: Sentem que o “estigma” associado à canábis ainda existe? Se sim, como o conseguimos contornar?

RB: Como em muitas outras áreas e especialmente no que diz respeito a matérias de saúde, como é o caso, um dos principais motivos para que exista estigma é o receio próprio associado à inovação. É por isso uma prioridade da Tilray garantir acesso a informação credível  e baseada em evidência por forma a esclarecer os profissionais de saúde que irão, como sempre, fazer um ótimo trabalho no esclarecimento dos pacientes.

MS: Também durante este mês de fevereiro a Tilray recebeu por parte do Infarmed a aprovação da primeira substância à base da planta da canábis para fins medicinais em Portugal. Como foi todo este processo e o que significa esta “luz verde”?

RB: Estamos muito orgulhosos da autorização de colocação no mercado emitida pelo INFARMED, que confirma que os produtos de canábis medicinal da Tilray estão à altura dos mais altos padrões nacionais e internacionais.

Esta é a primeira e única substância à base da planta de canábis para fins medicinais permitida em Portugal, e confirmamos que estamos a planear, num futuro próximo, tornar outros produtos acessíveis aos doentes, em Portugal. As exigências dos doentes estão a aumentar e a nossa missão é disponibilizar os produtos mais seguros e de melhor qualidade que satisfaçam ao máximo as suas necessidades.

Em Portugal, de acordo com a legislação em vigor, a prescrição de preparações e/ou substâncias à base da planta de canábis para fins medicinais será feita exclusivamente por médicos, sendo a receita médica uma condição obrigatória, para que o doente possa aceder à terapêutica, que será dispensada exclusivamente em farmácias, tal como acontece com todos os medicamentos sujeitos a receita médica.

A Tilray está a fazer todos os esforços, em parceria com a Entidade Reguladora do Medicamento, por forma a garantir o acesso a este tratamento, no início do mês de abril.

Inês Barbosa/MS

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