Temas de Capa

Ti Irene

A Ti Irene acredita que nasceu no dia 29 de novembro de 1936 – digo acredita já que na sua cédula de nascimento havia um número que ninguém conseguia identificar com clareza. Ora parecia um número um a uns, ora parecia um número nove a outros. Farta de incertezas, acabou por se decidir pelo dia 29 e passámos a celebrar o seu aniversário nessa data.

Ti Irene-mileniostadium-portugal
Ti Irene. Foto: DR

E já que falamos em crenças, diz-se que quem nasceu no dia 29, seja de que mês for, “provavelmente tem o talento de conciliar pontos de vista, conhecimentos, pessoas e ambientes aparentemente divergentes ou simplesmente ser um colo reconfortante, que com a sua simples presença ampara e oferece segurança emocional aos outros” – e não é que lhe assenta que nem uma luva? Afinal, que melhor definição haverá para uma avó?

São o nosso colo, a nossa voz da sabedoria, a nossa fonte de bondade inesgotável.

A Ti Irene é avó de três meninas (se bem que o tempo em que éramos meninas já lá vai, mas isso são outros quinhentos) que a um “Oh vó!!!” já sabem que vão ouvir um “Uuuuuh?”, que sabem também que para chamar pela “Sara” ela vai dizer primeiro “Filipa!”, “Inês!” e só depois é que vai acertar, e que sabem também que têm sempre direito a comer aletria ao domingo porque “tens que comer porque estás muito magrinha”.

Ela sempre esteve presente nas nossas vidas. Mais recentemente ganhou uma “vida nova” com o nascimento da bisneta – a Maria Eduarda. Uma bebé que veio alegrar toda a família, mas que veio também acrescentar mais um capítulo à vida da bisavó, que não se cansa de dizer que não sabe se “está cá para o ano”.

Já nos pregou alguns sustos, tem problemas que, com 83 anos, são completamente expectáveis, mas – e como costumamos dizer – está “fina”! Tanto que, a título de exemplo, e ainda há bem pouco tempo, a vimos correr, a acompanhar o ritmo da Maria Eduarda. E acreditem que ela é uma pequena velocista!

Ela é uma “personagem” relativamente conhecida na zona onde moro já que durante muitos anos, e até se reformar, trabalhou na Escola Secundária – e já lá tinha um “feitiozinho” bastante… peculiar, vamos chamar-lhe assim. Nem tudo rosas, não! Como qualquer outra pessoa, a Ti Irene também tem os seus “quês”… Gosta das coisas feitas à sua maneira e na maioria das vezes não pensa duas vezes naquilo que vai dizer, nem na maneira como vai dizer.

Casou aos 19 anos, teve o seu primeiro filho aos 20 – o Luís -, a “Nela” aos 22 e aos 24 ficou viúva. Talvez (para não dizer de certeza) tenha sido este cruel destino que lhe tenha moldado a personalidade – rígida na educação dos filhos, mais “mole” na dos netos, mas sempre a querer estar “em cima do acontecimento” e sempre com uma opinião na ponta da língua, pronta a ser “disparada”, doa a quem doer.

Ainda assim, até aqui nos consegue ensinar muito: que os murros no estômago que vamos levando durante a nossa vida, por mais fortes que sejam, não podem ser capazes de acabar com a nossa vontade de continuar, de sermos felizes.

São muitos os que dizem – e com toda a razão – que não sabemos a sorte que temos em ter os nossos avós junto de nós. Um amor sem barreiras, que em troca só “pede” uns lanchinhos aos domingos ou uma chamada para saber se está tudo bem.

Acredito que os avós de todo o mundo tenham como “missão” terem uma influência positiva na vida dos seus netos – pois Ti Irene, minha avó, tenho a dizer-te que a tua missão foi, e continua a ser, cumprida com sucesso. Obrigada por tudo!

Temos que ir comer um hambúrguer! Beijinhos, “vó!”!

Inês Barbosa/MS

Redes Sociais - Comentários

Artigos relacionados

Back to top button

DONATE NOW