Temas de Capa

SUSHI, o herói

É uma tarde de sol no início de mais um verão. Mais uma grande superfície comercial é inaugurada, as pessoas brotam de todos os lados e clientes entram e saem. No primeiro andar do prédio em frente, na sua almofada está, confortavelmente instalado, um gato. O seu nome é Sushi, tem quatro anos de ronrons e de muita energia.

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Sushi

Muito independente e carinhoso, o Sushi cedo despertou fascínio por quem o adotou, chegando mesmo a tornar-se rapidamente membro da família.

No final de um dia cheio, ele é um verdadeiro filtro, que limpa as energias negativas, tristeza e angústia que trazemos para casa. Basta um miar de mimo e uma brincadeira para se tornar o super-herói da casa. Tenho a convicção que ele vive melhor do que eu:  não paga qualquer imposto, come, dorme quando quer e tem liberdade de estar em todas as divisões da casa. Quando abrimos a porta do frigorífico lá vem ele com toda a pressa e a todo o vapor, percebe quando é a altura dos donos se levantarem e até quando por descuido nos esquecermos do despertador… mia por inúmeras razões. Mas quando ele se porta mal, já sabe. Castigo.

Certo dia, e depois de ter destruído um pacote das minhas bolachas preferidas, foi chamado diversas vezes; estranhou-se a sua ausência. Depois de uma procura exaustiva por toda a casa, encontramo-lo imóvel e a soltar “miaus” sofridos como que a pedir ajuda.

Passaram-se alguns dias e o nosso herói amigo não queria comer e movimentava-se com dificuldade.

Fomos ao veterinário. Ao sair de casa dentro da sua gateira, revelaram-se os dotes de “tenor” do Sushi e a enorme paciência de quem o levava para um sítio estranho como é o hospital veterinário. O Sushi nunca foi um gato agressivo e jamais danificou algo, mas aquela gateira sofreu muito.

Foi a uma consulta, onde lhe receitaram medicamentos que precisou tomar, que o deixaram sonolento e enjoado, e a nós com os braços completamente arranhados. Dar comprimidos a alguns gatos, muitas das vezes é uma tarefa muito árdua, não é aconselhável a menores e requer roupa de segurança.

No hospital, e feitos vários exames, o prognóstico não foi nada animador: algo está a danificar os intestinos do bichano. Nós, os donos, assumimos assim a responsabilidade por todos os tratamentos e cuidados que o amigo iria necessitar. Sushi tem uma doença grave nos intestinos. Já foi operado – tiraram-lhe 12cm de intestino e o pior é que lhe diagnosticaram um tumor. Já vai para a terceira sessão de quimioterapia.

A fraca frequência do uso da sua caixa de areia foi um dos sinais que indicou que estava doente.  O facto de não comer como sempre, com o mesmo apetite, os seus bombons preferidos também foi um sinal claro de que alguma coisa não estava bem. Nem o brincar e o beber água da torneira acontecia. As mudanças de peso foram significativas, mas… pelo menos foi diagnosticado a tempo. A probabilidade de cura é grande e está a ser pouco agressivo o tratamento.

Temos o desafio de curá-lo. Sushi está a superar o seu medo, está mais carinhoso, brincalhão e companheiro a cada dia que passa. Observo que todos nós em casa precisamos do seu ronronar.

Paulo Perdiz/MS

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