Temas de Capa

Quando se pode parar, não se quer… Quando se quer parar, não se consegue.

Addictions and family

Esta frase (e sentimento) é bem conhecida por todos aqueles com algum tipo de adição. Álcool, tabaco, jogos, drogas, sexo, internet… A panóplia de assuntos nos quais se pode desenvolver adição é interminável. A vida de um dependente passa a ser uma espera; a espera de uma dose para a outra, a espera de algo que lhe possa dar o tal conforto que só a ‘droga’ alcança. E não é só a pessoa que sofre: a família passa a viver em função do ente querido.

Em memória de Manuel da Costa

Quem de nós não conhece alguma família despedaçada por dependências? Adição é uma doença grave que ainda é vista como uma fraqueza.

Normalmente, o ‘viciado’ consegue estar algum tempo na sombra; por vezes, anos. No início, as dependências ajudam no dia-a-dia; depois o doente passa a viver para a dose, e para outra, e para outra. Até que toda a vida se transforma num abismo em que só com a ‘droga’ se vê a luz…

A família torna-se ‘co-dependente’ e muitas das vezes precisa de ajuda de profissionais, tal como o paciente. Essa perceção é abafada pelos sentimento: normalmente, acha-se que o amor e o carinho vão resolver a situação, mas só o tratamento especializado pode realmente ajudar a longo prazo. A família deve entender que a dependência é uma doença que precisa de tratamento multidisciplinar.

Muitas vidas são perdidas diariamente… e muitas ainda estão por perder.

O Milénio Stadium falou com António de Oliveira, genro de Manuel da Costa, que faleceu devido a dependências.

Milenio Stadium: Que tipo de adição tinha o seu sogro?

Antonio de Oliveira:  Ele começou por jogar nas máquinas de “poker”, um vício que levou nessa altura muitas famílias à ruína e que só não o fez na nossa família porque a esposa, a minha sogra, se interpôs energicamente, ajudada pelos filhos. Depois, devido a este hábitos, tornou-se viciado no álcool.

MS: Quando é que se aperceberam que ele tinha um problema?

AO: Frequentes saídas noturnas, um hábito novo, levaram à suspeição de que havia algo de errado…

MS: Quais foram as consequências familiares mais visíveis?

AO: Discussões frequentes, perseguições noturnas, invasões de locais, denúncias às autoridades – e aqui convém referir que esse tipo de jogo era permitido por lei, o que mais tarde deixou de acontecer… tarde demais! A consequência mais terrível foi a sua morte, devida ao abuso do álcool.

MS: O que a família fez para tentar ajudar?

AO: Todo o tipo de ajuda: dos familiares, dos amigos verdadeiros e até médica.

MS: Como é que ele alimentava o vício?

AO: Na altura, anos 80, tornou-se empresário (fabricante de candeeiros) e, como tal, o dinheiro aparecia com muita fartura. Só que a contabilidade, embora positiva, não condizia com as quantias recebidas, o que levou à conclusão de que o dinheiro devia levar desvio: o jogo… Não arruinou totalmente a família, mas deixou-a menos estável financeiramente do que seria normal se não existissem essas tendências negativas.

MS: Existe historial de dependências na sua família?

AO: O álcool abunda na região do Norte de Portugal. Não é de esconder a existência de variadíssimos casos na família, infelizmente.

MS: Qual é o sentimento ao ver um ente querido perder a vida para o vício?

AO: Sinceramente, é muito triste ver alguém que amamos muito ceder ao vício e não aceitar ajuda de ninguém escudado no facto de pensar que não é vício nenhum.

Eu próprio também passei pela fase do vício (tabaco, do jogo e de outros…), e devo confessar que o álcool ainda está muito presente na minha vida, mas enfim… É por isso que, quem tem telhados de vidro não atira pedra”… Acho que com a idade talvez acabe por passar. Veremos.

Sara Oliveira/MS

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