Temas de Capa

Quando o Sistema de Educação pára de servir aqueles que deveria servir

Tal como muitos de vocês já lidaram ou irão lidar no futuro com as mudanças radicais pelas quais adolescentes de 14 anos passam e com o intensificar da preocupação dos pais e daqueles que os rodeiam, tenho vivenciado isso com o meu filho de 14 anos. O início da adolescência, as tentações trazidas pela sociedade, a pressão social dos amigos, a mania das redes sociais e mais efetivamente em setembro ir para o ensino secundário, tudo muda. Essencialmente, durante 14 anos tivemos esta criança carinhosa e amorosa, um filho perfeito.

Depois, na primavera do ano passado, a decisão de onde iria frequentar o ensino secundário tornou-se primordial e difícil. E ainda, a mãe dele tinha decidido mudar de bairro antes da conclusão do 8º ano. Isso também conduziu a alguma ansiedade da parte dele em particular. Durante grande parte do 7º e 8º ano ele estava decidido que queria ir para a Dante quando fosse para o ensino secundário. Quando se deu a mudança de casa e ao longo do verão a ansiedade sobre essa decisão crescia e tornava-se rotina. Esses eram os sinais iniciais e sim, deveríamos ter prestado mais atenção. Chegou setembro e ele foi para a Dante. O primeiro semestre tem sido, no mínimo, um desafio. Mudanças de humor inesperadas, comportamento que grita por um pedido de ajuda e desobediência perante toda a gente, desde professores aos membros da família. Tempos difíceis.

O pior estava mesmo ao virar da esquina. Enquanto ambos os pais estavam, com dificuldade, a tentar ter paciência, apoiar e permitir que o seu progresso acontecesse ao seu próprio ritmo, fora deste ‘período de nevoeiro’ o Toronto Catholic District School Board informa que Dante Alighieri é uma das seis escolas que estão a ser realocadas em setembro de 2020. Sem consultar a comunidade, sem aviso prévio para os pais, simplesmente nada. Além disso, como se as coisas não fossem já más, a relocação da escola para os próximos quatro anos, basicamente todo o seu tempo de ensino secundário, é a 13 quilómetros da Highway 400 e Finch. Não é aceitável.

A 16 de janeiro, os administradores das escolas locais enviaram um aviso aos pais com variadas desculpas ‘da treta’. Primeiro, que apenas soube da relocação poucos dias antes. Depois que recebeu uma nota informativa a 17 de dezembro, mas que não a viu. Devem estar a brincar comigo.  Que ela, a equipa de administração, professores e SIM, estudantes, foram apanhados de surpresa. E, SIM… NÃO acredita em consultar a ‘comunidade’ depois destas decisões serem tomadas. E por fim, espera que consigamos uma extensão para consultar as comunidades escolares antes da relocação.

Em conclusão, como um pai que vê os desafios diários do seu filho, a lidar com mudanças pelas quais passa um adolescente de 14 anos – se nós, pais, soubéssemos da futura realidade da Dante e da sua relocação nunca o teríamos inscrito nessa escola…

José M. Eustáquio/MS

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