Temas de Capa

Quando a economia adoece… O mundo sofre

Milhares de viagens canceladas – voos, hotéis… -, jogos de futebol à porta fechada ou adiados, empresas sem capacidade de produção devido à carência de materiais essenciais (muitos deles habitualmente importados da China), escolas fechadas, eventos de grande dimensão cancelados…

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Transversal a todos os continentes, a países mais ou menos ricos, a sombra bem negra da recessão económica à escala mundial escurece-nos os dias e torna o futuro sombrio.

Não estou a falar-vos de uma ficção, ou de um argumento de um filme de vão de escada. Este cenário é hoje já uma realidade. Enquanto o Covid-19 se propaga pelo mundo, uma verdadeira pandemia económica está já instalada. Senão vejamos:

O investimento imobiliário abranda. Nomeadamente em Portugal onde o investimento estrangeiro (muito proveniente da China) nos últimos anos deu um importante contributo para relançar esta área da economia;

A retração das viagens (por vontade própria ou por imposição de governos) aumenta a dificuldade de abastecimento (importação e exportação);

Na área da tecnologia a Goldman Sachs prevê perdas de 2% do PIB mundial, com o crescimento chinês a abrandar de 6% para 1% no primeiro trimestre. A TrendForce estima que as interrupções na produção tirem milhões de unidades às remessas globais, com o maior impacto no setor dos telefones o vírus deve apagar 10% da produção trimestral, para 275 milhões. Já nos computadores, a IDC estima uma quebra de 9% nas vendas. Também a Xiaomi revela sentir “impacto na produção e disponibilidade de produtos”, mas espera que “as consequências estejam limitadas ao primeiro trimestre”;

Escolas e Universidades fechadas na Itália e em Portugal o ESMAE – Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo – do Instituto Politécnico do Porto suspendeu as aulas depois de se saber da contaminação de uma professora;

Grandes eventos desportivos – EURO 2020 e Jogos Olímpicos 2020 – estão na iminência de virem a ser cancelados.

Poderíamos continuar esta lista. De forma quase interminável. A cada dia que passa adensa-se o receio das notícias que se enchem de números – de infetados, de mortes… – e pintam os mercados bolsistas de vermelho.

O impacto no turismo

Todos sabemos a importância do setor do turismo na economia. Particularmente em Portugal onde tem sido, unanimemente, considerado fundamental para o reequilíbrio orçamental do país. A epidemia de Covid-19 está já a afetar o tecido económico ligado ao setor em Portugal, embora que ainda numa fase inicial. E já são muitos os sinais de que haverá pelo menos um sério abrandar (o verbo é muito doce…) na economia e desempenho de empresas que se dedicam à prestação de serviços turísticos. Vamos de novo sublinhar factos:

A Lufthansa (uma das maiores companhias de aviação do mundo) anunciou esta semana que 150 aviões da sua frota estão e estarão em terra nos próximos tempos, devido à diminuição de passageiros;

A TAP cancelou cerca de mil voos agendados para os meses de março e abril;

A FlyBe (uma companhia de aviação low cost) anunciou a sua falência atribuindo as culpas ao novo coronavírus;

A EasyJet decidiu cancelar voos, principalmente de e para Itália;

Pela primeira vez em mais de uma década, o tráfego aéreo global pode quebrar. Serão -5%, quando se previa uma subida de 4% para este ano, varrendo perto de 30 mil milhões de euros dos resultados das companhias de aviação;

O Grupo Pestana, o maior grupo hoteleiro português, assume sentir um impacto negativo “desde janeiro com abrandamento nas reservas e cancelamentos ou adiamentos, em especial de grupos”;

Admite-se a probabilidade do Santuário de Fátima e todo o negócio associado vir a sofrer cancelamentos, pelo menos, por parte dos mercados sul-coreano e italiano;

Neste caso em particular (Fátima) a presidente da Associação Empresarial Ourém-Fátima (ACISO), Purificação Reis, reconheceu esta quinta-feira (5) que o surto de Covid-19 está já a ter consequências na hotelaria em Fátima, com “cancelamento de reservas e de viagens”.

Sem apresentar números, Purificação Reis disse que o surto “terá impacto em Fátima e fora de Fátima, em termos nacionais e internacionais”. No caso concreto da Cova da Iria, sublinhou “é um mercado de grande sensibilidade ao mercado internacional”.

Os efeitos do surto de Covid-19 no turismo estiveram presentes na sessão de abertura dos VIII Workshops Internacionais de Turismo Religioso, que esta quinta-feira (5 de março) começaram em Fátima, numa organização da ACISO, e que registaram o cancelamento de cerca de 20% das presenças previstas, apesar de estarem presentes representantes de 46 países. Inicialmente, a organização esperava a presença de profissionais de 51 países.

Na sessão, a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, sublinhou que “o turismo é a economia da paz, das emoções e dos sentidos”, acrescentando que o turismo religioso em Portugal é um dos “vetores estruturantes” do setor. Perante isto, parece-me que será caso para os empresários dizerem “Deus nos ajude”!

Contactando o Turismo Centro de Portugal ficámos a saber que esta entidade( que é responsável pela promoção da região) “espera que esta fase de maior disseminação do vírus, com o consequente alarmismo social, seja rápida e breve, para que as empresas e os empresários do setor do Turismo possam suprir os possíveis efeitos numa quebra da procura, principalmente no primeiro e no segundo mês depois da confirmação dos casos.” A mesma fonte, para sossegar quem tinha já planeado férias para a região centro do país, garantiu – “estamos preparados para lidar com a situação. Esta região, a maior e mais diversificada do país, continua pronta a receber de braços abertos os visitantes de todo o mundo.”

O medo está a contaminar a economia e entranha-se nas nossas vidas. Há já quem tema mais o estado de saúde debilitado dos mercados bolsistas do que a contaminação pelo novo coronavírus que continua a apresentar-se com uma taxa de mortalidade baixa e já se sabe que a recuperação total pode acontecer e de uma forma relativamente rápida. Já o resto…

Madalena Balça/MS

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