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Portugal Green Walks – Os caminhos do turismo

O turismo em Portugal, tal como na maior parte do mundo, tem sido violentamente abalado pela pandemia que ainda (e por tempo indeterminado) nos assombra. Neste setor, vive-se com angústia a procura de soluções para os turistas que não desistem de visitar e conhecer culturas diferentes. Acontece que não são muitos aqueles que arriscam ser turistas este ano e por isso o impacto negativo neste meio é cada vez mais evidente.

A Portugal Green Walks é uma empresa que literalmente nos guia os caminhos pelo norte do país, num turismo seguro, tranquilo e muito bonito, mas que enfrenta, também ela, uma fase de desassossego.

Tivemos a oportunidade de falar com Paulo Lopes, diretor executivo da Portugal Green Walks, para percebermos como está a ser lidar com a crise pela qual todos passamos, mas que o turismo sente bem de perto.

Milénio Stadium: O setor turístico é um dos mais afetados quando falamos do impacto económico da pandemia. Como é que a Portugal Green Walks está a enfrentar o tempo que estamos a viver?

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Paulo Lopes, diretor executivo da Portugal Green Walks

Paulo Lopes: Com alguma apreensão uma vez que os nossos clientes são, na grande maioria, estrangeiros que desejam fruir ao longo de uma a duas semanas de caminhadas da beleza das nossas áreas rurais, da nossa hospitalidade, gastronomia, clima ameno, segurança e de uma boa relação qualidade/preço.

Isto para dizer que o nosso negócio está completamente parado desde março e a equipa de 12 pessoas está em lay-off. A partir de agosto o Governo vai implementar um outro plano que prevê a retoma gradual do trabalho, mas no nosso caso vai ser algo muito reduzido uma vez que as expetativas de ainda termos algum movimento em setembro/outubro já foram desfeitas com os níveis de cancelamentos que temos tido.

Como estamos a enfrentar isto tudo? Reduzindo os custos ao máximo. Fechámos um dos dois escritórios, vamos incrementar o teletrabalho, cancelámos investimentos e lamentavelmente vamos ter de despedir algumas pessoas no final do ano. É a única forma de garantir a sobrevivência tentando não nos endividar.

Na tentativa de ver o copo meio cheio, incrementámos os contactos com os operadores internacionais para dar a conhecer as nossas propostas, na expectativa de que em 2021 possamos vir a trabalhar com eles. Estamos a preparar o lançamento de mais quatro programas de caminhadas pelo norte de Portugal, em zonas mais remotas apostando na sustentabilidade das comunidades locais. Estamos também a mudar toda a nossa estratégia de comunicação por forma a impulsionar as vendas para 2021.

Não vamos baixar os braços, mas temos que ser realistas e, neste momento, o futuro é uma grande incógnita!

MS: Que garantias podem dar aos eventuais clientes de que as férias que proporcionam são seguras?

PL: Caminhadas nos Parques Naturais ou em zonas rurais de baixa densidade, longe de multidões e em modo self-guided são a melhor garantia de umas férias seguras.

A Portugal Green Walks, e todos os seus parceiros envolvidos nos programas que oferece, têm o selo Clean & Safe (https://www.portugalgreenwalks.com/clean-and-safe-certification/) e cumprem com as normas de segurança exigidas pela Direção Geral de Saúde.

Todos estamos conscientes da importância destas medidas de segurança e distanciamento social. Espera-se também que os clientes sejam responsáveis.

MS: Como tem visto o facto de vários governos europeus terem excluído Portugal da lista de destinos seguros para férias?

PL: Com alguma perplexidade uma vez que se está a levar em consideração apenas um indicador (número de casos por 100 mil habitantes) que não reflete a realidade do país. Não se leva em consideração onde é que os focos ocorrem, o número de mortes, o número de internados e a capacidade do Serviço Nacional de Saúde para dar resposta.

Por outro lado, há países que deixaram de testar e isso cria uma visão distorcida da realidade. Não há critérios homogéneos e assistiu-se ao vale tudo para beneficiar determinadas regiões turísticas.

MS: O turismo interno vai chegar para garantir trabalho neste verão?

PL: Claro que não. Os portugueses nunca foram suficientes para “animar” o setor do turismo. A começar pela baixa percentagem dos portugueses que fazem férias e, dos que fazem, muitos ficarem em casas de familiares, ou seja gastam pouco. Com a incerteza económica que se avizinha parece-me mais prudente esperar para ver.

MS: Como perspetiva o futuro não apenas da Portugal Green Walks, mas do turismo de uma forma geral?

PL: O turismo de uma forma geral alimenta-se de sonhos e confiança. O medo e a insegurança são tudo aquilo que pode destruir o setor do turismo. Daí entender que o nosso futuro está intimamente ligado à descoberta de uma vacina que seja eficaz contra a covid-19. Sem isso vamos continuar com os focos aqui e ali, com confinamentos e desconfinamentos e sobretudo com a incerteza que mina o planeamento de férias futuras.

Se o 2020 está perdido, por agora encaramos o 2021 com algum otimismo face às reservas que vão sendo feitas, mas tudo pode mudar de um momento para o outro. Sobre o turismo em geral, penso que a reinvenção passará muito por todos aqueles locais icónicos, que atraiam multidões de turistas, resorts, mega eventos ou mega concertos… Não sei, é cedo para perspetivar o futuro do turismo, mas pelo impacto que provocou em todo o planeta e pelas ondas de choque que abanaram os alicerces de todas as sociedades, este pode ser um ponto de viragem para termos, e praticarmos, um turismo mais sustentável e responsável. Haja essa vontade em cada um de nós.

MS: Que conselhos/desafios faz a quem ainda está sem saber se este ano vai gozar as suas férias em Portugal?

PL: Como disse anteriormente, os focos ativos em Portugal estão bem delimitados e controlados. O setor do turismo preparou-se durante meses para receber os turistas, implementando em toda a sua cadeia procedimentos e regras de segurança.

As praias são vigiadas para garantir que não excedem a sua capacidade máxima. O turismo rural no interior de Portugal tem excelentes opções se pretende privacidade. Os restaurantes diminuíram a sua lotação… E depois tem as nossas caminhadas, 100% seguras e tranquilas (www.portugalgreenwalks.com).

Dado que o Canadá não tem restrições de voos com Portugal eu diria que este será um excelente ano para descobrir o nosso país de uma forma segura e muito mais tranquila. Basta todos nós respeitarmos as normas de segurança e distanciamento social.

Catarina Balça/MS

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