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Portugal é o país da Europa com mais divórcios

As famílias portuguesas estão diferentes e acompanham a tendência das famílias canadianas. No ano passado a Pordata, uma base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, traçou o “Retrato de Portugal” e concluiu que os portugueses estão a criar famílias diferentes.

Na última década os nascimentos entre pais não casados aumentaram 20 pontos percentuais e em 19% destes casos os pais não viviam juntos. O número de crianças nascidas em agregados familiares cujos pais já tinham filhos de outros relacionamentos também aumentou de 12% para 17%.

Os casamentos diminuíram e, comparativamente com 2009, em Portugal registaram-se menos nove mil uniões, sendo que 2% dos casamentos aconteceram entre pessoas do mesmo género. Recorde-se que em Portugal este tipo de união só foi legalizado em 2010, cinco anos depois do Canadá.

A Pordata refere ainda que “entre 2008 e 2018 registou-se um aumento das famílias de uma pessoa (em 37%), de famílias monoparentais (em 47%) e de casais sem filhos (14%)”. Os casais com filhos também sofreram uma redução de 9% e nos outros tipos de composição familiar a natalidade também caiu 27%. Em 2018, a soma das famílias sem filhos ou que vivem só com um dos pais ultrapassou a dos casais com filhos.

Em Portugal hoje, em média, existem 72 divórcios por dia e por cada dois casamentos há uma separação. Portugal é o país europeu onde existem mais divórcios e no país de hoje existem mais famílias monoparentais e mais casais sem filhos. Segundo o INE, o Instituto Nacional de Estatística, há 50 anos a média era de dois divórcios por dia.

Mas desengane-se se pensa que os portugueses deixaram de dar importância às relações conjugais, antes pelo contrário. Sofia Aboim, socióloga e investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, garante que as relações representam uma das dimensões da vida que mais contribuem para a felicidade, mas hoje “o casamento ou a relação conjugal tem de servir os interesses dos indivíduos e a sua satisfação afetiva e não o oposto”.

Por outro lado, o estigma de ser divorciado também mudou. “Mesmo que se divorciassem tinham um preço a pagar, o que já não acontece hoje, o estigma já não existe -, a relação torna-se uma empreitada muito mais a dois e muito mais exigente, porque tem de se negociar essa satisfação pessoal e os prós e os contras da relação quando ela não corre bem”, disse a investigadora em entrevista ao Diário de Notícias.

Os conceitos reinventam-se e acompanham a tendência das famílias modernas: pais biológicos, pais sociais e novos meios irmãos. As prioridades mudaram e casar e ter filhos já não faz parte do sonho de vida de muitos. As famílias do século XXI vieram para ficar e parece que hoje já ninguém tem medo de ser feliz… à sua maneira.

Joana Leal/MS

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