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Pelee Island, praia e bom vinho

Quando visitei o Canadá pela primeira vez, no início dos anos 1980, tive oportunidade de conhecer a vila de Leamington, localizada junto ao Lago Erie. O objetivo era dialogar com os professores da escola portuguesa e ficar a conhecer a comunidade que ali se tinha fixado e se ocupava, maioritariamente, da agricultura (cultivo do tomate) e da pesca.

 

 

Apesar dos mais de 300 km percorridos de Toronto até lá, e da proximidade com o lago Erie, não me apercebi, nessa ocasião, de que me dirigia para o sudoeste da província. Só muitos anos mais tarde ouvi falar da beleza do Point Pelee National Park, em Leamington, e da Pelee Island, localizada no ponto mais a sul do Canadá, tendo ficado com muita curiosidade de a conhecer.

Um fim de semana é o ideal para visitar  esta pequena ilha, que tem 19 km de comprimento por 6 km de largura. Um espaçoso “ferry boat”, que sai da doca de Leamington,  leva cerca de uma hora e meia a fazer a travessia. Apesar de ter sido ocupada pelo colono inglês Thomas McKee apenas no ano de 1788, há provas da presença de tribos nativas Ojibwa e Ottawa naquele lugar há mais de 10 000 anos, conforme informação do Pelee Island Heritage Centre.

 

Point Pelee National Park.

 

A Ilha é particularmente conhecida pelo elevado número de espécies de pássaros, borboletas e libelinhas, assim como pela variedade de flores, plantas e árvores, algumas únicas no mundo. É muito frequentada pelos amantes da caça do faisão, em determinadas épocas do ano. Há a opção de passear de carro, ou andar de bicicleta, o que é muito mais prático, pois, assim, facilmente fazemos pausas para admirar a paisagem.

Uma das maiores atrações da ilha são as vinhas e o vinho que ali se produz. Graças à sua latitude – a mesma das zonas vinícolas famosas no norte de Portugal, Espanha e França – e ao clima propício, o vinho de Pelee Island tornou-se conhecido e muito apreciado. Durante um passeio, ir parando nas adegas para provar os vários tipos de vinho produzidos, é obrigatório e bastante agradável. As ruínas de Vin Vila, a primeira quinta produtora de vinho do Canadá, fundada em 1866, demonstram a importância que o cultivo da vinha tem tido naquela região do país.

Há várias trilhas que se podem fazer – levando-nos uma delas até ao Farol histórico -, bem como excursões guiadas a recantos escondidos e praias menos frequentadas.  É um lugar excecional para relaxar, estar em contacto com a natureza, tomar banho e apanhar sol. Fiquei maravilhada com as praias calmas, de areia clara e muitas conchas, e água morna.

No fim de semana em que estive na Ilha, a vaga de calor foi tal que dezenas de peixes enormes nadavam nas águas tépidas do lago Erie, vindo alguns morrer na areia. Segundo depois soubemos, foi algo anormal, já que a temperatura da água atingira os 29 0.

Na ilha pode alugar-se casa, ficar em pequenos hotéis ou B&B; optei por um B&B pois gosto de conversar com as famílias, experimentar pequenos-almoços diferentes e ouvir histórias narradas pelos locais. Apenas cerca de 200 pessoas vivem na ilha, embora no verão mais de 1 500 a visitem.

Quando se regressa ao continente, vale a pena guardar umas horas para conhecer o Point Pelee National Park. Essa península cheia de bosques, pântanos e trilhas assinaladas proporciona passatempos como canoagem, ou, simplesmente, desfrutar das praias de areia fina e das zonas de piqueniques e lazer.

O Ontário é uma província imensa, com uma oferta diversificada de lugares que podem proporcionar ao visitante experiências de férias cheias de atividades ou a descoberta de lugares de grande paz e sossego. A escolha é nossa.

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Imagens cedidas por Manuela Marujo

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