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Parentalidade vs Greves vs Emprego

VOX POP

Não falhar no emprego enquanto se é mãe ou pai nem sempre é fácil. Os horários que não são compatíveis, as emergências que surgem, os imprevistos que teimam constantemente em aparecer, o filho que fica doente ou a filha que afinal hoje não tem escola porque há greve.

Ser mãe ou pai é por si só um trabalho, mas ter que ultrapassar estes obstáculos pontuais inerentes a esse papel, que tantos desempenham, pode exigir um grande jogo de cintura.

O jornal Milénio Stadium desta semana foi tentar perceber de que forma os pais conciliam a necessidade de ter uma vida profissional ativa, que proporcione bem-estar à família, com o acompanhamento aos seus filhos que lhes é exigido. Para além disso, quisemos perceber o que acontece no dia a dia destas famílias, por si só já complexo, em dias de greve nas escolas.

Melissa Oliveira, registered early childhood educator

How many children to you have?

I have two children and the third on the way.

How can you conciliate having a job and being a mother?

I’m fortunate to have a mother in law who can either take my children to school or pick them up from school when I need it. It’s a challenge working and then coming home and having the energy for your family. But somehow being a mom you kind of have no choice and just do things, whether you are tired or just don’t want to do it.

What happens when schools have strike days? Does it affect your daily life in any way?

With the strike like I mentioned before, I have my mother in law who doesn’t work and is able to stay with my children and my husband who works from home sometimes too. So it’s not too difficult to figure out something for my children. They are also older where at this point could stay at home on their own if worse came to worse.

Helder Botas, eletricista

Quantos filhos tem?

Tenho três filhas.

Como consegue conciliar o facto de ter um emprego, com o outro trabalho que é ser pai?

Por ser pai sou obrigado ainda mais a concentrar-me e ser mais eficaz no trabalho para poder continuar a providenciar uma vida normal para as minhas filhas, mas sei que lhes falto um pouco na presença e educação pois os dias de trabalho são longos e praticamente só as vejo de manhã a dormir ou de noite ao jantar antes de começar a rotina de ir para a cama. No verão, no entanto, há mais tempo.

Gostava de ter mais tempo para a família com certeza.

O que acontece em dias de greve nas escolas? Prejudica de alguma forma o seu dia a dia?

Nos dias de greve é um grande transtorno, pois tanto eu quanto a minha esposa trabalhamos e um de nós (normalmente eu, porque tenho mais disponibilidade) vai levá-los a um familiar, se possível, ou a uma ama se houver disponibilidade. Se não houver recursos, um de nós tem de ficar em casa. Perdemos um dia no trabalho, mas não há outra alternativa.

Cristina Pinheiro, florista

Quantos filhos tem?

Tenho dois filhos.

Como consegue conciliar o facto de ter um emprego, com o outro trabalho que é ser mãe?

Há dias em que corre tudo bem, mas há outros que temos que fazer uma ginástica bem acrobática (risos). Porque cumprirmos horários de trabalho e de escola torna-se difícil nesta cidade.

O que acontece em dias de greve nas escolas? Prejudica de alguma forma o seu dia a dia?

No meu caso não, porque trabalho por conta própria e a minha filhota já é grande.

Dra Marcelina Benedito, dentista

Quantos filhos tem?

Eu tenho três filhos: um menino de 13 anos de idade, uma menina de 11 anos de idade, e uma caçula de quatro anos de idade.

Como consegue conciliar o facto de ter um emprego, com o outro trabalho que é ser mãe?

Eu já me acostumei a conciliar as duas vidas, ou seja, a de mãe e a de dentista.  No início não era fácil, mas com o passar dos anos se tornou o meu estilo de vida.  Eu trabalho período integral e também três noites na semana. Eu preparo as lancheiras de escola, as refeições, e às vezes comemos também lanches rápidos como sanduíches e pizza. Ajudo as crianças com tarefas da escola quando necessário e também levo e pego eles na escola e a jogar futebol. O meu assistente me ajuda levando eles para aulas de português e para a ginástica. Eles também estudam música, mas para facilitar a rotina matriculei eles em uma escola bem próxima aonde conseguem ir sozinhos.

O que acontece em dias de greve nas escolas? Prejudica de alguma forma o seu dia a dia?

A greve não tem afetado a nossa rotina, porque os meus filhos já são maiorzinhos e conseguem ficar um dia ou outro em casa. O mais velho fez um curso de babá com a Red Cross e a de 11 anos tem um curso de “home alone”, também feito através da Red Cross.  Às vezes vão brincar com os amigos vizinhos. A mais novinha fica com o pai nesses dias.

Teresa Marques, profissional de marketing

Quantos filhos tem?

Tenho uma filha com seis anos.

Como consegue conciliar o facto de ter um emprego, com o outro trabalho que é ser mãe?

Não é fácil, nada mesmo. Há dias que fico mesmo desesperada. Sou mãe solteira e ter que ajustar os horários do trabalho, com os horários escolares, com o trânsito, com tudo o que há para fazer em casa e ainda dar atenção à minha filha… É uma loucura (risos). Não me queixo, porque sinceramente desde que tenhamos saúde, temos que nos considerar sortudos. Mas é, de facto, muito complicado… Sem exagero digo que todos os dias são uma aventura.

O que acontece em dias de greve nas escolas? Prejudica de alguma forma o teu dia a dia?

Prejudica e muito. Eu posso até entender que as greves sejam necessárias, as pessoas querem lutar pelos seus direitos, mas enquanto essa luta acontece, todos perdermos. Não tenho outra alternativa a não ser ficar em casa com a minha filha. Se o meu patrão não fosse compreensivo, eu a esta altura do campeonato já tinha perdido o meu emprego – não só pelas greves, mas porque não controlamos os atrasos do trânsito e os horários escolares, como falei anteriormente, e também não conseguimos controlar se os nossos filhos ficam doentes. Por isso acho mesmo que tenho muita sorte, porque na minha empresa compreendem que eu não tenho outra pessoa para dividir esta tarefa difícil que é criar uma criança. Perder o meu emprego é a última coisa que pode acontecer e estas greves, apesar de não fazerem com que alguém fique sem trabalho assim do dia para a noite, causam muito transtorno na minha vida e, acredito, na de muita gente.

Catarina Balça/MS

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