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Os efeitos e o impacto da pandemia durante o desenvolvimento das crianças

Fala-se tanto e tenta-se procurar soluções, mas no que toca a crianças muito pouco se preocupam

Os efeitos e o impacto da pandemia-mundo-mileniostadium
Foto: DR

Ultimamente o tema de conversa é sempre o mesmo, qualquer canal de televisão ou estação de rádio, mesmo jornais, diariamente falam e escrevem sobre a pandemia que estacionou à nossa volta e não está com pressa de nos deixar. Será que veio para nos dar uma lição de como se deve viver? Ou veio para nos assustar e nós próprios tomarmos um ritmo de vida diferente, até pensar diferente, que é isso que se começa a notar na maioria das pessoas? Todos vamos alterar a pouco e pouco o tipo de vida, a pouco e pouco vamos mudar e nem nós vamos dar por conta da alteração em nós próprios.

E as crianças? Será que estão preparadas para uma mudança radical como tem acontecido ultimamente? Primeiro foi a escola à distância, que no meu ponto de vista não serviu para nada, as crianças perderam tempo de aulas presenciais que dificilmente será recuperado, especialmente crianças com idades entre os seis e 12 anos. Ninguém pensou muito a sério o quanto estas podiam ser prejudicadas. Ninguém pensou a sério num formato que não as prejudicasse, mas sim as protegesse sem que tivessem de se separar umas das outras. Tudo o que seja para proteger é bom, mas medidas de distanciamento social, conforme as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde), com o objetivo de retardar o aumento do número de casos de Covid-19, atingem a saúde mental das crianças e adolescentes. Aqui não há sintomas – este tipo de doença anda escondida. As crianças hoje andam estranhas, saem à rua com medo. Se pensarmos bem, a mensagem foi transmitida de forma errada, assustou e pouco ajudou. Mas todos nós temos culpa, porque o tempo para pensar em coisas que não dão lucro não é nenhum e a maioria acha que crianças não dão lucro a curto prazo e por isso esquecem-se delas e quando realmente notarmos o impacto que tudo isto pode vir a causar pode ser tarde.

Muito se tem culpado os chineses por tudo o que está entre nós, mas os mesmos fizeram um estudo com 320 crianças e adolescentes do qual resultou uma evidência dos principais impactos da pandemia na saúde mental das crianças – 32%  tem uma dependência excessiva dos pais e 29% com desatenção, mais comum nos menores de seis anos, 21% com distúrbio do sono, 18% com falta de apetite, 14% com pesadelos, 13% desconforto e agitados. Além de tudo isto, há o prejuízo na aprendizagem no setor primário, que é o que envolve as crianças entre os seis e os 10 anos. As aulas virtuais nunca vão superar as expectativas concretas para uma criança, falta-lhes o contacto, o ver e ouvir alguém próximo, ou então, como uma amiga ligada ao ensino disse, quem respondia a tudo eram os pais. Será que isto é solução e vai ajudar para o futuro? Claro que não, as próprias crianças sentem-se desconfortáveis, não é o habitat delas nas idades em que se encontram.

Depois há outras partes negativas e que em nada ajudam as crianças. Ninguém perde tempo a distraí-las e a retirar-lhes o pensamento da pandemia. Há crianças que evitam sair à rua de tanto ouvir a palavra vírus. Alguém fala a verdade e numa linguagem que a criança compreenda, tipo respeitar a maturidade e compreensão e num tom que as ajude a perceber tudo isto? Alguém conta histórias e lê com as crianças para as próprias notarem que alguém se preocupa? Alguém se senta a desenhar a pintar livros com histórias que os ajude a aprender? Tudo isto ajuda na saúde duma criança, e não nos podemos esquecer de elogiar as crianças em tudo que seja bem feito e corrigir o que se acha que foi mal feito, mas neste ponto sem ser direto, tipo, “não sabes que isto está tudo mal?”, isto não ajuda uma criança muito menos agora nesta altura da pandemia.

Com todos estes acontecimentos de vida que alteram o ambiente e a nossa rotina e que acabam por provocar uma tensão em todos em geral, mas muito mais nos futuros/as adultos/as deste mundo, não nos podemos esquecer que uma das principais medidas contra o coronavírus é o isolamento social, no entanto, para a maioria das crianças, o lar não é o local mais seguro e o aumento de tempo de permanência em casa, aliado ao stress dos mais velhos derivado das novas regras após pandemia, podem desencadear conflitos entre família e isso é muito prejudicial para qualquer criança.

Vamos ser positivos e tornar, na medida do possível, este período de dificuldades, em cenários dos quais os nossos filhos, netos, etc., vão ter boas lembranças do tempo que estivemos presentes e próximo deles durante toda esta pandemia.

Augusto Bandeira/MS

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