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O voto que eu não tenho

A 21 de outubro decide-se quem vai dominar Parliament Hill. A escolha varia entre Justin Trudeau (Libeal), Andrew Scheer (Conservative), Jagmeet Singh (NDP), Elizabeth May (Green Party), Yves-Francois Blanchet (Bloc Quebecoise) e Maxime Bernier (People’s Party). Todas as eleições são um momento de reflexão e avaliação. Tal como Winston Churchill disse “Democracy is the worst form of governement, except for all others”. E como tal, a democracia só pode ser bem-sucedida quando expressamos as nossas escolhas e principalmente quando escolhemos de forma informada e ponderada.

Como alguém que não pode votar, vejo isso como existir uma parte de nós que não pertence, que não tem escolha. Somos parte deste país, mas não a 100%. Ser imigrante e adquirir cidadania no país onde escolhemos viver não nos torna menos portugueses. Não é escolher um sobre o outro, é ser dos dois. E nas próximas eleições espero já poder votar.

O sistema político está cada vez mais desacreditado, mas que isso não sirva de desculpa para vivermos alienados no local onde escolhemos viver. Ainda acredito que somos nós que temos o poder e para o mantermos temos de nos educar nos assuntos que nos afetam e que afetam o nosso país.

Cada vez mais sentimo-nos pouco representados, mas ao mesmo tempo também não nos chegamos à frente nem procuramos uma solução. Hoje em dia, a maior percentagem de voto continua a ser das pessoas que têm mais de 35 anos. No entanto, o envolvimento dos jovens na política ou em questões socioeconómicas é cada vez maior. Acho que somos uma geração de 8 ou 80, ou vivemos num mundo à parte e pouco nos interessa as questões políticas e o que se passa à nossa volta, ou gostamos de estar informados e ter uma voz ativa na nossa sociedade.

Em época de eleições, todos os líderes saem à rua, todos nos ouvem e todos têm as respostas certas para os nossos problemas. Cabe a nós saber ver além da manipulação e da procura do voto. A política é perceção. Contudo, o voto é dado por nós, temos uma responsabilidade na decisão de quem nos governa.

O nosso voto é influenciado pelas nossas experiências pessoais, o que inclui a nossa cultura, valores e o nosso círculo pessoal, como ainda os estereótipos associados a cada partido e a personalização desse partido em determinado líder. Ou seja, na realidade tudo influencia o nosso voto e os políticos jogam com isso para garantir o nosso voto.

As alterações climáticas, por exemplo, são a maior problemática do século XXI, todos os partidos querem demonstrar que irão tomar uma atitude. No entanto, são poucos os que apresentam um plano realista e fazível. E o mesmo acontece com as promessas de um sistema universal de saúde, cuidados dentários gratuitos, redução das propinas no ensino superior ou até o seu desaparecimento e, o meu preferido, a redução do deficit. São muitas as promessas, mas poucos os planos concretos.

Quem assistiu ao debate percebe o politicamente correto presente em todas as respostas, principalmente no que diz respeito ao clima, à imigração e à discriminação… não vão os eleitores ficar ofendidos. À exceção de Maxime Bernier onde o politicamente correto fica à porta e, na minha opinião, toda a capacidade política. Depois temos ainda o habitual de respostas vazias que não nos acrescentam nada, a única coisa que todos os partidos têm em comum. Andrew Scheer, mais focado em denegrir a imagem de Justin Trudeau do que em nos mostrar o que tem para oferecer, mesmo sabendo todos eles “are not as advertised”. E tal como Singh relembrou, vamos discutir menos quem será mau para o país e focar-nos em quem será bom.

Não desesperemos! A política está em crise, mas não estamos assim tão mal (ainda). E a culpa tem dois lados, dos políticos que olham apenas aos seus interesses, do sistema político que torna difícil a tomada de certas decisões principalmente com as questões de jurisdição federal/provincial. E dos cidadãos que não se envolvem, dos “votar para quê se é sempre o mesmo?”. A política não é só política. Afeta tudo o que está à nossa volta, os nossos direitos, os nossos deveres, aquilo a que temos acesso, o nosso dia a dia.

Quer votem pelo Partido ou pelo Líder, votem com consciência.

 

 

 

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