Temas de Capa

O que tanto nos aproxima também nos distancia

Uma vida antes dos telemóveis e redes sociais? E como é que eles faziam? As gerações mais novas esquecem-se que já existiu uma época assim, em que o contacto era feito cara a cara. E agora? Agora os olhos vivem colados ao ecrã e as conversas são feitas por mensagem. O que tanto nos aproxima também nos distancia.
E pior que isso é a ilusão que se instalou no nosso dia a dia. Somos a geração que vai e faz para mostrar que foi e fez. A ânsia de partilhar tudo o que se vive, para mostrar aos outros que vivemos. E esquecemo-nos de viver a vida real.

E hoje em dia, as redes sociais parecem funcionar como um lugar onde se procura aprovação de um público imaginário. Os followers, likes e comentários parecem medir o nosso valor enquanto pessoas e a nossa autoestima varia consoante o sucesso nas redes sociais. E toda a gente procura a foto perfeita, editada e promovida como se fossemos todos um produto e aquele o nosso meio de marketing.

Principalmente para as gerações mais novas, estar nas redes sociais, de forma saudável, exige amor próprio, a valorização daquilo que somos e a noção de que nem tudo é o que parece. No entanto, como sabemos, a adolescência é ainda uma altura em que as pessoas querem ser aceites e ainda estão a descobrir o seu valor. Como se não bastasse a televisão e as revistas a promoverem padrões de beleza pouco realistas, chegou agora as redes sociais, onde todos fazem de tudo para se destacar e serem vistos. E isto afeta todos, de qualquer idade, mas a maturidade relembra-nos que só importa aquilo que somos e aquilo que temos.

As redes sociais têm muito de positivo, mas têm tanto ou mais de negativo. Na competição de quem tem a vida mais feliz, o melhor relacionamento, quem passou as melhores férias, quem tem o melhor emprego ou quem está mais em forma. Esquecemo-nos que não temos de nos comparar, a única competição que temos somos nós próprios e cada um está no seu caminho, no seu próprio tempo. Além disso, muitas vezes são publicações vazias cujo objetivo é mostrar algo que não é verdade. Neste mundo, longe da realidade, torna-se difícil distinguir o que é ou não verdade.

E, portanto, estas aplicações que foram feitas com o pretexto de nos unirem e completarem um suposto meio de comunicação que nos faltava. Na verdade, em muitos casos, criam seres mais inseguros e desconectados com a vida real. E alimentam-se das nossas inseguranças e vontade de impressionar.

Inês Carpinteiro

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