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O peso da obesidade

Infelizmente, a obesidade também entra para as “hashtags” do século XXI. Sendo, só por si, um grande problema, traz ainda “às costas” uma série de outras doenças que podem vir a manifestar-se, dependedndo do nível de obesidade do doente. Estima-se que, por ano, cerca de 1500 portugueses perdem a vida por doenças derivadas desta condição.

Segundo a Comissão Europeia, Portugal está entre os países europeus com maior número de crianças afetadas pela doença. Apesar de, nos últimos anos, o número de obesos ter vindo a diminuir, mais de metade da população adulta portuguesa é afetada pelo excesso de peso ou pela obesidade. Já entre as pessoas com mais de 65 anos, que, como sabemos, são uma grande fatia da população portuguesa, os problemas de peso podem verificar-se em mais de 80% dos casos.

Depois do tabaco, a obesidade é a outra principal causa de morte no mundo com possibilidade de prevenção, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

A Dr.ª Ana Isabel Monteiro, nutricionista e autora do blog Laranja-Lima, Nutrição e bem-estar, esteve à conversa com o jornal Milénio Stadium e deu-nos a sua opinião sobre a realidade da obesidade em Portugal, da importância das redes sociais e até do aproveitamento que, muitas vezes, é feito em torno desta doença, tornando o seu tratamento num verdadeiro negócio.

Milénio Stadium: Qual é a realidade em Portugal em termos de obesidade? Há algum “grupo” social em que a doença seja mais predominante?

Ana Isabel Monteiro: Segundo o Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (2015-2016), 22.3% dos portugueses são obesos, sendo a prevalência superior em grupos com escolaridade mais baixa: 38.8% em pessoas sem escolaridade, com o 1º ou o 2º ciclo, 34.5% com 3º ciclo e secundário, e 30.7% com ensino superior.

MS: Quais são os principais problemas de saúde que esta doença provoca?

AIM: A obesidade pode estar relacionada com a Diabetes Mellitus tipo 2 e doenças cardiovasculares, essencialmente.

MS: É importante, numa altura em que as redes sociais estão cada vez mais presentes na maioria (senão na totalidade) da vida dos portugueses, também os próprios profissionais da área marcarem presença neste mundo?

AIM: Sem dúvida, desde que seja para cada um falar da sua área. Pode ser uma grande mais-valia.

MS: Sente que existe uma maior preocupação da população portuguesa em perder peso?

AIM: Não necessariamente. Nas consultas tenho muita gente a querer perder peso, mas também há cada vez mais pessoas a querer ganhar. Esquecemo-nos muitas vezes do reverso da moeda, mas também existe baixo peso. 

MS: Existe algum “motivo” mais comum para uma pessoa tomar a decisão de emagrecer?

AIM: A grande maioria das pessoas é por uma questão de autoestima, mas uma grande fatia da população também o faz por questões de saúde. Diria que a motivação varia com a faixa etária.

MS: Terão também as redes sociais um papel central nesta decisão?

AIM: Sim, embora não ache que seja uma influência totalmente positiva. Há muitas comparações e isso pode causar imensa frustração num processo de emagrecimento.

MS: Também está presente nas principais redes sociais e ainda possui um blog – que temas aborda e o que pretende, em concreto, com o seu blog?

AIM: Inicialmente o objetivo era partilhar receitas simples e mostrar que a alimentação saudável também podia ser saborosa. Hoje em dia passa mais por simplificar a alimentação vegetariana e informar os leitores sobre vários temas da nutrição. 

MS: O que faz de um blog de nutrição um blog de sucesso?

AIM: Eu gosto de acreditar que são as referências bibliográficas e a informação baseada em evidência científica.

MS: Será que os “padrões” que tantas vezes vemos serem divulgados, por exemplo no Instagram, podem ser um “pau de dois bicos”? Isto é, tanto podem influenciar positivamente como podem acabar por “diminuir” quem sofre desta doença?

AIM: Sim. A tal questão das comparações que falei há pouco.

MS: Podemos dizer que há, também, um “lado negro” associado às propostas de emagrecimento – muitas vezes são encaradas e desenvolvidas para que se tornem num negócio muito lucrativo… Concorda?

AIM: Claro que sim. O dinheiro move mundos, e a promessa de resultados sem o mínimo esforço move mesmo muita gente.

MS: Há também a problemática de algumas pessoas, tidas como influencers, acabam por, muitas vezes, darem conselhos que podem não ser os mais adequados…. Afinal, cada caso é um caso, correto?

AIM: As pessoas influentes podem ser uma grande fonte de inspiração e motivação, seja a nível do exercício físico ou da alimentação, mas penso que devem servir mais de exemplo. Não devem aconselhar sem ter formação para tal.

MS: Por fim, que conselhos daria a uma pessoa que sofre de obesidade?

AIM: Que dê o primeiro passo. Não é fácil dar a volta, mas é mais que possível. E aconselho também a procurar ajuda de profissionais.

Inês Barbosa

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