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“O meu primeiro brinquedo foi uma bola de futebol”

Afinal o que leva hoje tantos jovens a tentarem seguir uma carreira num mundo do futebol? Mauro Eustáquio tem 26 anos e joga no Calgary FC, em Alberta. Em entrevista ao Milénio Stadium, Mauro explicou-nos o que o levou a seguir uma carreira profissional nesta área onde cada vez há mais competição e onde o dinheiro parece falar cada vez mais alto.

Milénio Stadium: Porquê o futebol e não outro desporto qualquer?
Mauro Eustáquio: O futebol em Portugal é como uma religião e o meu pai, quando era jovem, chegou a ser jogador de futebol. O meu primeiro brinquedo foi uma bola de futebol – está dentro de nós, é muito difícil de explicar. Quando era pequeno jogava muito à bola com o meu irmão, Stephen Eustáquio, que hoje joga no Cruz Azul, no México.

MS: Chegaste a estar matriculado no Instituto Politécnico de Leiria.
ME: Eu nasci em Leiria e fiz o secundário em Alcobaça. Depois entrei para a universidade para fazer a licenciatura, mas acabei por desistir do curso. E ainda bem, porque hoje percebo que teria sido um erro. Os meus pais imigraram para o Canadá, para a província de Ontário (Leamington). A nossa família sempre apoiou o futebol, sobretudo o meu pai, porque para a nossa mãe a escola era a prioridade. Na altura tínhamos um contrato – só jogávamos futebol se as nossas notas não descessem. Comecei a dar os primeiros pontapés na bola quando tinha três anos e sempre quis manter o meu nome próprio como nome profissional porque tenho muito orgulho nas minhas raízes.

MS: Hoje jogas pelo Calgary FC, mas já passaste por vários clubes.
ME: O meu primeiro contrato profissional foi no Ottawa FC, na altura tinha 20 anos e acabei por ficar lá três épocas. Depois fui para o Edmonton FC, onde estive uma época e antes de vir para o Calgary FC fui para o Penn FC nos EUA. Quando estive na América sofri uma lesão e estive nove meses em recuperação. Nessa altura pensei em desistir, mas pensei muito no meu irmão que é a minha maior inspiração. O Stephen é um jogador baixo, franzino e magro, mas sempre lutou e trabalhou para se transformar num grande jogador.
MS: O futebol da América do Norte é muito diferente do europeu.
ME: O futebol em Portugal e na Europa é muito mais tático, enquanto que aqui, na América do Norte, é mais físico. Já representei a seleção nas camadas jovens e gostava muito de um dia representar a seleção nacional do Canadá.

MS: O futebol movimenta muitos milhões e alguns jogadores famosos são acusados, de vez em quando, de fugir ao fisco.
ME: Todo o cidadão tem de pagar impostos, não são apenas os jogadores de futebol. Acho que o problema poderia ser ultrapassado se o Estado aumentasse a fiscalização.

MS: Os clubes deviam apostar mais na formação?
ME: O meu primeiro clube em Portugal foi o União Desportiva de Leiria. Recordo-me que o União começou a enfrentar problemas financeiros porque gastava muito dinheiro em contratações estrangeiras. Acho que os clubes hoje já perceberam que o jogador português tem muito valor e cada vez apostam mais na formação.

MS: A rotina de um jogador profissional é muito exigente?
ME: Comecei a viver sozinho com 19 anos. No Calgary FC acordo às 8h e às 8:30h já tenho de estar no Centro de Treinos. Às 9h tomo o pequeno-almoço e tenho reuniões e depois vou para o ginásio. Às 10:30h começo a treinar e depois volto a fazer ginásio e almoço antes de ir para casa. Devo sair por volta das 2h30 pm e depois vou para casa.
Tenho disciplina alimentar, evito sair à noite, não fumo e só bebo álcool em ocasiões muito raras. Tento dormir oito ou mais horas, se possível, e todos os dias vou ao ginásio, inclusive aos fins-de-semana.

MS: A carreira profissional de um jogador acaba normalmente por volta dos 32 anos.
ME: Já venci dois campeonatos e gostava muito de voltar para a Europa. Em Portugal podia estar mais perto da minha família, mas um dia gostava de jogar pela seleção nacional do Canadá.

Joana Leal


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