Temas de Capa

O futuro de uma comunidade

Caro leitor,

Grata pela continuidade da sua leitura. Espero que se encontre bem….

Tudo o que escrevo e da minha inteira responsabilidade e jamais tem a intenção de ferir ou de magoar qualquer suscetibilidade.

No artigo de opinião desta semana, algo mais sensível, algo de que quase ninguém gosta ou tem a coragem devida de aproximar.

O futuro de uma comunidade, da nossa comunidade.

Radicados há mais de 6 décadas neste país de sonhos e de oportunidade, o Português criou raízes, trabalhou, criou negócios e as devidas infraestruturas para recomeçar uma nova vida, não deixando jamais a sua cultura cair no esquecimento.

Contudo, à medida de que se formavam os vários clubes e associações, muitos demasiados… os egos cresciam, o sentimento de poder estar à frente dessas mesmas organizações, por vezes conduzidas com algum saber, outras nem por isso… cresciam também.

Às camadas mais jovens, pouco ou nada se dava de incentivo. Desviem-se vão brincar, disto entendemos nós. Ora, com o passar dos anos, com a falta de atualização de muitas dessas associações, o uso caiu em desuso.

Assim sendo, ocorre a estagnação, onde o bailarico permanece, as quermesses, os jantares de pot luck, as tais matanças tradicionais à moda desta e daquela região…

Esquecendo que os tempos evoluíam, que até no nosso país, território continental, arquipélagos da Madeira e dos Açores, já se notavam mudanças, “modernices”… e mundo fora, na Diáspora Portuguesa, havia e há sede de mudança. Nunca minimizando os nossos valores nem tradições, MAS… com o desvalorizar da adaptação pelas camadas mais jovens a novas inserções de costumes e vontades… estamos a cair do “pedestal”.

Os mais velhos que teimam em permanecer na liderança dos mesmos clubes e associações, e os mais jovens, que já nem são tão jovens quanto se desejaria, a seguirem o mesmo trilho, sem inovação. Muitos a não poderem com a carga económica das hipotecas por falta de associados porque, entretanto, essa história de ir ao bailarico do clube com os pais “obrigatoriamente “ todos os finais de semana, saiu de moda.

Quando essa geração que veio para o Canadá com os filhos já crescidos, e que lhes ensinou tudo a que fomos habituados, desaparecer – as senhoras que trabalham arduamente durante a semana e, alguns senhores também, e fim-de-semana sim, fim-de-semana sim, passam fechados dentro das paredes das cozinhas ou desses salões, sem quase nunca passarem tempo com a própria família, quando isso findar….findam as outras coisas. E sabe porquê Sr. Leitor?

Porque quando colocada a hipótese de se formar um centro da Casa de Portugal, onde diferentes regiões se podiam representar, surgem os nãos, os contras, os críticos… Que fazer depois aos títulos de cada um – os Srs. e as Sras. Presidentes deixariam de ser chamados como tal…

Visão egotista e reservada. Essa mesma visão, ou a falta dela… vai pôr fim, aliás já tem vindo a pôr fim a uma comunidade que precisa de acordar e de inovar.

Digo isto com todo o respeito que sinto e no sentido de tentar preservar o que de muito bom ainda nos resta.

Continuação de um excelente fim de semana.

Cristina da Costa/MS

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