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O futuro da lusofonia por terras canadianas

Caros leitores.

Espero-vos bem. Uma excelente sexta-feira enfim, melhor dizendo seria, excelente início de Outubro. Mesmo. Mais um mês que fica lá atrás. Surreal este ano Capicua…  Tudo de “bom” ironicamente, claro está, tem acontecido. Mas se vamos escrevendo e lendo, menos mal.

Falando de nós, do estado da nossa comunidade Lusa por estas terras que nos acolheram há muitos anos, a alguns há mais tempo do que a outros, claro. Mas acolheu-nos a todos. E para não esquecer e dar asas a nossa tão justa “saudade”, desde que os Portugueses começaram a chegar de barco a Halifax nos anos 50, que essa palavra tomou outro sentido. Uma coisa é viver em Portugal e, muitas e tantas vezes não dar valor, nem tão pouco prestar atenção ao que se tem – a nossa rica cultura, hábitos, costumes e a imensa gastronomia. Outra é mais acérrima e verdadeiramente SAIR e deixar atrás a muitos quilómetros de distância (6,922 Kms), a nossa Pátria amada.

Então que se fez? Formavam-se grupos, clubes, associações e a nossa cultura começava a ser revivida por estas terras. Cada terra com seu uso e cada roça com seu fuso, já lá diz o ditado. A Casa dos Açores, do Alentejo, clube do Minho, etc., associação disto e mais daquilo. Muitos outros clubes nasceram. Até a minha pequena grande cidade, a terceira maior de Portugal, cá teve representação, Setúbal. Algures num salão pequeno na Dundas Street por cima de uma loja. Como é hábito… Tem portas e janelas? Serve para abrir um clube. Enfim… Mas desde todo o sempre com muitos poucos Sadinos na rédea deste projeto. Até porque democraticamente fomos muito poucos a deixar Portugal, comparativamente ao Norte do nosso país e as regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, mais adiante. E claro tinha mais o que opinar, mas não vou.  Não é intenção magoar as boas intenções dos nossos conterrâneos que formaram estes lugares de aconchego para matar as saudades da pátria amada.

No entanto, nem só de clubismo e de bailaricos e de sacrificar as mesmas pessoas todos os fins de semana na cozinha e a servir nas salas podem viver estes lugares.

Onde está a organização? A verdadeira liderança? A inovação? Sempre a mesma coisa. Mais do mesmo. Semana após semana se A, B ou C não é convidado para participar na direção mesmo que só marque presença, há confusão. Ciúme. Não deveria ser assim. Porque ao longo dos anos e com a “Velha guarda” na liderança as luzes de muitas destas salas foram-se apagando. Os palcos silenciados. As festas sem ninguém. E, o mais grave, com contas por pagar. Pertencendo a uma outra associação, a Acapo, que tinha por “obrigação“ proteger estes clubes e, o mais importante, orientá-los, na maioria dos casos só gerou conflito.

Durante os tempos que correm onde estão os líderes? Que se faz com estas salas que não geram fundos nem receitas para pagar o básico? A quem pedir ajuda? E que futuro os espera?

Na grande maioria, tristemente, o encerramento. Não há capacidade para tanto clube na nossa comunidade. Não há mesmo. Não há tempo para tanto Ego na nossa comunidade. Não há mesmo.  A União faz a força. Creio que há soluções. Ceder lideranças, ensinar os mais jovens e deixá-los inovar. Trazer uma nova roupagem. Deixar os títulos e os clubismos de parte. Já é tempo…

Ou na pior das hipóteses, deixar cair por terra este sonho que já conta com mais de 60 anos e é reconhecido e respeitado por todas as etnias neste grande país.

E vou lançar-vos um desafio:

Reúnam-se, sem agressões. Sem mania. Sem má fé e vamos todos, eu ajudo se for necessário, construir um futuro melhor.  Uma casa única onde todos se sintam à vontade e com vontade de fazer mais e melhor.

Saúde para todos que é o mais essencial.

O resto? Vem por acréscimo. Bom fim de semana.

Cristina Da Costa/MS

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