Temas de Capa

O fim de uma década!

2019 chega ao fim e com ele culmina também uma década. No futuro, quando os nossos bisnetos estudarem esta década nos livros de história, possivelmente vão vê-la aparecer como o emancipar da globalização. Atingimos o patamar em que tudo é facilmente partilhável e de um modo quase sempre instantâneo. Vivemos na era da abertura e do imediato. Descobrimos o nosso potencial enquanto atores sociais. Os social media ascenderam a mais do que meios de partilhar fotografias e pensamentos: eles tornaram-se numa voz que consegue ocasionalmente sobrepôr-se à dos media, e julgo que este é o pontapé de saída para a próxima década.

O ano, em particular, trouxe-nos variedade de ocorrências. Colocando tudo na balança, pesa mais o positivo do que o negativo. Uma das surpresas para mim foi o resultado das eleiçōes portuguesas. No final da década temos vindo a assistir à ascensão de alguns governos conservadores – resultado do clima de desconfiança política instalado nas naçōes. Por outro lado, Portugal contrariou a tendência e, ainda que com um certo descontentamento, renovou os seus votos com o Governo em vigor por mais quatro anos. Do outro lado temos o Brexit, que tem estado, como se diz em bom português, “em águas de bacalhau” – e dele parece que não veremos um desfecho tão cedo.

Navegamos agora num olhar cronológico. Começamos o ano de forma dura para a lusofonia, com o rompimento da barragem de Brumadinho, no Brasil, em que dezenas de pessoas perderam a vida. Foi no dia 25 de janeiro. Pouco depois, no início de março, o ciclone Idai devastou a costa leste de Moçambique, dizimando milhares de vidas, habitaçōes e territórios. E agora um fast forward para 15 de abril, quando vimos a Catedral de Notre Dame em chamas. Rapidamente os bolsos se abriram para socorrer o monumento das mais variadas formas – arrecadou-se rapidamente mais de 590 milhōes de euros. Enquanto Moçambique continua ainda hoje a lamber as feridas e a tentar erguer-se com uma muleta de cerca de 20 milhōes de euros fornecidos por alguns países e organizações que se chegaram à frente. A ajuda deu para pouco, para o que foi considerado o evento mais mortífero de 2019. Mais tarde neste mês, a dia 27, a União Europeia deu um passo em frente no ambientalismo e aprovou a lei que proíbe o uso de plástico descartável numa tentativa de aliviar a crise climática. Copos, pratos, garfos e palhinhas de plástico serão proibidas na Europa, mas só a partir de 2021. A intenção foi boa, mas é precisa para ontem.

Vamos à ciência. A 10 de abril conseguimos fotografar um buraco negro. Foi uma conquista dos investigadores da National Science Foundation que anunciaram que o buraco negro tem uma massa 6.5 bilhões de vezes maior do que o nosso Sol. Sentem-se pequenos? Ainda neste mês, o fundador do WikiLeaks foi detido no Equador, depois ver o exílio revogado pelo país. Assange está atualmente na prisão, em grave estado de saúde e sem assistência médica, enquanto os Estados Unidos tentam extraditá-lo para o país. Sai caro desmantelar os podres do “American Dream”.

No dia 6 de maio vem ao mundo Archie Harrison Mountbatten-Windsor, o bebé fruto do controverso casamento real entre o príncipe Harry e Megan Markle. A 17 de maio as pessoas celebraram a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo no Taiwan. No dia 25, a primeira-ministra britânica resignou à sua posição. Durante o seu discurso, Theresa May lamentou não ter conseguido entregar o Brexit.

Mas… e o Canadá? A 13 junho, Toronto virou palco de festejos acesos ao ver os Toronto Raptors conquistarem o seu primeiro título de campeões na NBA. Em setembro deflagrou a polémica com o primeiro-ministro Justin Trudeau, depois de ser divulgada a famosa fotografia “brownface”, que reporta a 2001. Um escândalo que veio mesmo a calhar para a oposição em vésperas de eleiçōes. Contra as probabilidades, o liberal venceu no dia 21 de outubro com um número de votos que permitiu a formação de um governo minoritário.

Um pouco antes nesse mês, a 6 de outubro, também os portugueses foram às urnas, num processo eleitoral que faria chorar os Capitães de Abril: a taxa de abstenção bateu recordes. Cada vez mais portugueses se isentam da responsabilidade de escolher por quem querem ser governados.

Regressando a setembro, neste mês perdemos duas grandes personalidades portuguesas: Eduardo Beauté e o artista Roberto Leal, que marcou gerações. Por outro lado, na nossa MDC, nasceu a Camões TV como canal 24/7, a 9 de setembro.

E quando pensávamos que íamos deslizar suavemente até ao final do ano, a 23 de setembro rebenta a onda sueca Greta Thunberg, que veio a ser eleita Personalidade do Ano pela revista Time. “How dare you” são as palavras que cimentaram a globalização do ativismo climático.

Entretanto, Donald Trump vê-se a braços com uma impugnação ao seu governo, caso que se arrasta desde outubro. A dia 11 desse mês, a ciência volta a dar cartas. O rover Curiosity, da NASA, tirou uma série de 57 imagens a partir das quais criou a primeira selfie em Marte.

O ano termina com a morte de Pete Frates, a 10 de dezembro. O criador do famoso Ice Bucket Challenge deixa-nos aos 34 anos tendo angariado mais de $115 milhões de dolares para a investigação da doenca ALS.

Depois de fazer contas à vida, apertamos os cintos para entrar em 2020.

Telma Pinguelo

Redes Sociais - Comentários

Artigos relacionados

Back to top button

DONATE NOW

 

Quer receber a edição semanal e as newsletters editoriais no seu e-mail?

 

Mais próximo. Mais dinâmico. Mais atual.
www.mileniostadium.com
O mesmo de sempre, mas melhor!

 

SUBSCREVER