Temas de Capa

O espetáculo vai continuar… Só não se sabe quando

O planeta está em pausa, assim como o mundo dos espetáculos. Concertos, festivais, festas nos clubes, nada acontece por enquanto. E até quando? Uma pergunta que procura resposta, mas que, infelizmente, vai ficar na expectativa por tempo indeterminado.
Muitos são os profissionais afetados deste universo do entretenimento – que é bem mais complexo do que se imagina. Há muita gente a trabalhar sem dar a cara, para que quem dá a cara consiga destacar-se com uma boa atuação para um público, que ansiosamente, aguarda por assistir àquele artista. Seja ele ator, cantor, rapper, comediante – existe uma equipa por trás a garantir que nada falha. E agora, nesta fase que obrigou a fechar as portas, são esses rostos escondidos que também sofrem com a crise que atravessamos. Donos de bares, discotecas, teatros, grandes ou pequenos palcos, organizadores de grandes ou pequenos festivais – todos estão no mesmo barco, sem previsão de data de término desta viagem.

Falámos por isso, nesta edição do jornal Milénio Stadium, com Jorge Dias, responsável por espaços como The Mod Club Theatre e Queen Elizabeth Theatre, dois dos nomes que mais se destacam quando falamos de entretenimento na cidade de Toronto. Com agendas constantemente preenchidas, estes dois espaços estão agora de portas fechadas até nova ordem do Governo. Quisemos perceber como é que se gere duas casas destas durante uma pandemia que teima em não dar tréguas tão cedo.

Milénio Stadium: O Mod Club Theatre e o Queen Elizabeth Theatre são dos espaços mais icónicos de Toronto a nível do entretenimento. Como se gere a situação criada pela pandemia quando se está à frente de locais como estes?
Jorge Dias: Infelizmente, esta é a situação mais difícil pela qual passo no mundo dos negócios em toda a minha vida. Em ambos os locais tivemos que colocar a nossa equipa no desemprego, considerando que não temos ideia de quando o Governo permitirá que nossa cidade seja reaberta para este tipo de negócios.

MS: Como se resolveu a agenda que estava já programada?
JD: Os eventos confirmados começaram a ser cancelados e, em muitos casos, os promotores começaram a reagendar eventos para datas mais tarde, mas agora com a fronteira dos EUA / Canadá fechada, temos um desafio ainda maior, já que 90% dos nossos negócios são com artistas americanos que passam pelo Canadá enquanto estão em tour.

MS: Que tipo de apoio o Governo do Ontário tem dado a empresários do mundo do espetáculo?
JD: Essa é uma ótima pergunta e até agora o apoio do Governo é mínimo ou inexistente. O Savehospitality.ca é um site que eu recomendaria a todos os restaurantes e bares portugueses a se inscreverem on-line, porque em números somos mais fortes juntos. Infelizmente, os governos precisam agir rápido ou muitas empresas e empregos começarão a desaparecer.

MS: Perante um futuro que ainda é muito incerto, o que espera das entidades governamentais?
JD: O futuro está muito escuro para todos nós neste momento, mas eu respeito a determinação de nosso Governo em tentar manter o seu povo seguro e isolado desta pandemia, porque é visível que os resultados são muito prejudiciais no mundo inteiro quando nos expomos. Precisamos, no entanto, que todos compreendam que expressar a sua opinião aos governos locais é a única maneira de obter ajuda nestes tempos difíceis. Os governos trabalham para as pessoas, por isso vamos então trabalhar juntos e superar esta fase com rapidez e segurança.

MS: Neste momento tem alguma perspetiva de quando poderão ser reabertos estes espaços de entretenimento?
JD: Na minha opinião, outubro é realista. Levando em consideração a seriedade deste vírus e as leis do Governo para mantermos seis pés de distância com outras pessoas. O meu maior medo é que, quando o nosso Governo facilitar as leis para reabrirmos a nossa cidade, poderemos ver um segundo surgimento deste vírus mortal e voltarmos a ter a nossa cidade noutro bloqueio.
Vamos todos fazer nossa parte para nos mantermos saudáveis e fortes e vamos superar a pandemia.

Catarina Balça/MS

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