Temas de Capa

Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença

Vamos já deixar as coisas bem claras: este talvez seja um dos textos que mais me custou a escrever até hoje.

Isto porque, como quem me conhece sabe, tenho uma grande ligação e carinho pelos animais e infelizmente já passei por três situações que ainda hoje me trazem as lágrimas aos olhos.

Entre peixes e tartarugas que não tinham vida longa – acredito eu que por ignorância da nossa parte em relação à melhor forma de tratar deles -, um primeiro cão chamado Scooby – que existiu enquanto eu era bebé e do qual, por essa razão, tenho muito poucas recordações -, passando por duas gatas – a Tuxa e a Lara – e, mais recentemente, duas cadelas – a Rita e Joana (sim… eu sou daquelas que dá nomes de pessoas aos animais! E não há por aí tanta gente que devia ter nome de animal também?) -, posso afirmar que este é um amor que já vem de há muito tempo. Ah, e sim, também sou daquelas que lhes diz “fica aí que a dona vai trabalhar e já vem”, que os pisa sem querer e pede desculpa e também que pára tudo o que está a fazer quando vê um animal passar na rua só para lhe dizer “olá!”. Chamem-me tola, eu não me importo.

Sentamo-nos nos nossos sofás, ligamos a televisão ou folheamos o jornal e com o que é que damos de caras, dia sim, dia sim senhor? Homicídios, violência doméstica, violações, guerras… Olhamos para o lado e temos uma bolinha peluda com a língua de fora que a única coisa que pede é carinho e um passeio de vez em quando. E não, eu não sobreponho, de forma alguma, os animais às pessoas – apenas, se pensar bem, acabo por confiar mais neles… porque será?

Os animais têm o dom de me colocar, quase que instantaneamente, um sorriso na cara.  O “problema” é que consigo, com a mesma facilidade, ficar triste e emocionar-me com tudo o que lhes diga respeito – pelo lado positivo e, infelizmente, também pelo lado negativo. Os casos de maus-tratos e abandono são uma dura e ainda muito presente realidade. Somos tão evoluídos numas coisas e tão estúpidos noutras…

Eu tento ajudar, tanto quanto posso, associações ou canis locais – e não é preciso muito. Aqui em Portugal, por exemplo, são feitas “cãominhadas” que têm como objetivo não só angariar fundos para as instituições, como também proporcionar um dia diferente às centenas de animais que passam a maior parte da sua vida dentro de uma jaula, num canil.

Não julgo quem não vê os animais de estimação como membros da família, como é o meu caso. O que não consigo perceber é o que leva alguém a passar ao lado de um animal em sofrimento e virar a cara ou até mesmo a maltratar um ser indefeso que tem a capacidade de nos amar incondicionalmente.

E foi exatamente por me aperceber desta sensibilidade, que embora sendo animais, estes nossos amigos de quatro patas conseguem ter e que tantas vezes falta aos nossos amigos de duas “patas”, que cada vez mais fui concordando com a expressão “quanto mais conheço as pessoas mais gosto dos animais”.

Apesar disso, e como já tinha dito, também já sofri (e continuo a sofrer) muito “por causa” deles: a minha gata Tuxa morreu com um tumor nos ossos e a Lara também tinha um tumor na mama e infelizmente tivemos de a abater. E depois, mais recentemente, a Joaninha…

No dia 25 de outubro de 2019, sentada no sofá, oiço um barulho que nos era tão familiar (e que parece que ainda hoje o oiço…) – o andar Joaninha, que por ter umas unhas bastante compridas e que batiam no chão de madeira se tornou num género de denunciador de por onde ela andava. Olhei na direção do barulho e vi o que já esperava que acontecesse, mas para o qual nunca estamos preparados – ela já não pousava a pata do lado onde lhe havia crescido um enorme tumor (já parece praga…), o que a fazia perder o equilíbrio. A Joaninha já não conseguia estar de pé.

Levantei-me, peguei nela e trouxe-a para junto de mim, no sofá, querendo acreditar que aquilo apenas seria uma dor e que não iria tardar a passar. Mas não passou.

A Joaninha estava desconfortável, não encontrava posição. Peguei nela ao colo, tentei acalmá-la… Não resultou. O desconforto e a evidente dor que sentia pareciam piorar a cada minuto. O ganir de uma cadela que raramente se queixava de alguma coisa fez com que me “caísse a ficha” – ao contrário do dia em que a minha irmã a conseguiu resgatar de uma autoestrada e livrá-la de uma morte certa, naquele dia iríamos ter de tomar (outra vez…) a mais difícil das decisões. Livrá-la, mais uma vez, do sofrimento… mas não da forma que queríamos.

Estivemos junto dela, a fazer muitas festinhas e a dar muitos beijinhos, até que ela adormecesse. Quero acreditar que foi um sono tranquilo.

O momento do adeus não anula de forma alguma todas as alegrias que elas nos deram em vida – as corridas, as brincadeiras, a companhia que nos faziam sempre que estávamos doentes, o olhar que parecia dizer “não estejas triste”… -, mas que dói, dói. E teima em ser mais forte que a vontade de lembrar apenas o que foi bom.

Circula uma história pelas redes sociais (se é verídica ou não pouco importa) que, de forma resumida, diz o seguinte: um veterinário examinava um cão com 13 anos que, apesar da esperança da família, estava a morrer de cancro, deixando ao veterinário uma única opção. O membro mais novo desta família parecia surpreendentemente calmo, fazendo festas ao animal até que este adormeceu, para não mais acordar.

A mãe perguntava-se por que é que a vida dos cães é mais curta que a dos humanos, ao que o menino prontamente respondeu: “Eu sei porquê. Nós vimos ao mundo para aprender a viver uma vida bonita, a amar os outros e a ser boas pessoas, certo? Mas os cães já nascem a saber fazê-lo! É por isso que eles não têm que viver tanto tempo quanto nós!”.

E é isso mesmo: os animais ensinam-nos a correr para cumprimentar a pessoa que amamos sempre que ela entra em casa, a nunca perder uma oportunidade para passear, de sentir o sol no rosto, a brincar todos os dias, a ser fiéis e a estar “lá” quando alguém mais precisa.

Já de lágrimas nos olhos (eu avisei…) concluo este meu “desabafo” esperando que a minha Tuxa, a minha Lara e a minha Joaninha estejam felizes, a brincar com outros “amiguinhos” e livres do sofrimento que teimou em bater-lhes à porta em vida. Estejam elas onde estiverem.

Cuidem bem dos vossos animais, que tanto vos amam, enquanto os têm por perto… Quem me dera a mim ter estas minhas “meninas” de volta.

Inês Barbosa/MS

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