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Manuel Molinos é hoje diretor-adjunto do JN e diretor Digital de todo o grupo Global Notícias, mas é acima de tudo e sempre será jornalista. A articulação nem sempre pacífica entre o mundo online e o estrito cumprimento dos preceitos jornalísticos é um desafio diário para quem assume a missão de fazer chegar da forma mais rápida possível, informação credível e útil aos leitores ou utilizadores das mais diversas plataformas de comunicação. Numa breve conversa com o Milénio Stadium Manuel Molinos deixa-nos a sua visão do trabalho que tem sido desenvolvido pela comunicação social neste ano de pandemia, abordando também questões que se afiguram cada vez mais importantes para quem faz do jornalismo mais do que uma profissão e o encara como um verdadeiro serviço público.

Milénio Stadium: Como caracteriza, de uma forma global, o trabalho desenvolvido pelos órgãos de comunicação social neste tempo de pandemia?

Manuel Molinos: Bom, sobretudo se tivermos em conta que as condições de trabalho se tornaram mais difíceis e o tempo de resposta mais curto.

MS: Considera que o facto de, diariamente, as pessoas terem sido invadidas com informação sobre a evolução da pandemia e, concretamente com os dados estatísticos (casos de covid-19), contribuiu, de certo modo, para a “banalização” desses números?

MM: Julgo que não. Os dados de tráfego indicam-nos que os leitores querem essa informação detalhada.

MS: Que preocupações tem, enquanto diretor-adjunto do JN e diretor Digital de todo o grupo Global Notícias, relativamente à necessidade de se publicarem notícias online, cada vez mais rapidamente? Considera que as regras mais elementares do jornalismo podem ser postas em causa devido a essa velocidade que a internet impõe à informação?

MM: A preocupação é, nesta época, a mesma de sempre: prestar um serviço público. Ser sobretudo útil e relevante para quem nos prefere. A velocidade faz parte do processo informativo. É preciso saber atuar com essas circunstâncias, recorrendo sempre a fontes e dados credíveis para produzir a melhor informação possível.

MS: As redes sociais são hoje mais uma ferramenta de trabalho para o jornalista – tanto na recolha de informação, como na sua divulgação. O Twitter, por exemplo, tem sido uma plataforma por vezes confusa no que a notícias diz respeito: lá deparamo-nos com uma mistura de verdade e mentira. O que podem fazer os órgãos de comunicação social para salvaguardar a veracidade jornalística, não deixando de usar meios que cheguem mais próximo e mais rápido às pessoas?

MM: As redes sociais não são apenas uma ferramenta de trabalho. São também um canal de distribuição de informação. É preciso que o leitor diferencie o que é informação credível, um processo que também devia passar pela educação para os media.     

MS: Qual o papel efetivo das entidades reguladoras de comunicação? Há quem realmente controle o tipo de jornalismo que se tem vindo a fazer?

MM: O jornalismo não deve ser “controlado”.  Não percebi a questão. O papel da ERC está bem definido na lei. Importante é encontrar soluções justas para combater a concorrência desleal dos gigantes da Internet que absorvem 80% das receitas publicitárias.

MS: Na sua perspetiva, por onde passa o futuro do jornalismo? Quais são os grandes desafios que se perspetivam a curto/médio prazo?

MM: O maior desafio é encontrar modelos de negócio sustentáveis e manter os leitores com as marcas e menos com as redes sociais.

Catarina Balça/MS

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