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Meu mundo em compasso de espera

Criar e educar um filho já é um desafio na vida de uma pessoa em qualquer época, mas a chegada da Covid-19, e tudo o que viver com essa pandemia global sem precedentes tem representado para a humanidade, faz com que se acumulem ainda mais dúvidas e receios na cabeça dos pais. Afinal, que mundo será aquele em que viverão as nossas crianças? E mais do que isso, que tipo de crianças estaremos criando para essa nova realidade? 

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Foto: DR

Como mãe, posso afirmar que não tenho respostas para essas perguntas, o que também me deixa bastante ansiosa em relação à atualidade e tudo que essa pandemia representa. Assim como milhares de pessoas ao redor do mundo, vi meus planos mudarem de rumo desde março deste ano, quando passamos a viver sob regras de isolamento e com as consequências delas em diversos setores sociais e económicos.

No meu caso, a volta ao trabalho foi adiada de maneira indefinida, as buscas por creches para o filho também foram suspensas, a visita dos avós e até a festinha do primeiro aniversário, canceladas. A sensação foi de que meu mundo todo ficou em compasso de espera. Para além disso, tudo o que antes era visto como uma atividade normal, como por exemplo levar meu filho para um passeio no parquinho, deixá-lo brincar com outras crianças ou até mesmo visitar familiares, tomou outra proporção. O medo se instalou em nossas vidas e nossas rotinas. E o pior, não existe previsão, ou certeza, de que tudo voltará ao velho “normal”.

Diante dessa nova realidade, composta por máscaras, distanciamento social e regada a muito álcool gel, qual mãe não gostaria de manter o filho em uma “bolha” e protegê-lo de todo mal ou, nesse caso, vírus? Mas afinal, sabemos que isso não é possível e tampouco benéfico para qualquer pessoa, em especial uma criança no primeiro ano de vida e em pleno desenvolvimento. Por isso acredito que o caminho seja o do bom senso.

É preciso ouvirmos as autoridades em saúde e seguirmos as recomendações de nossos governos, mas sem desesperos ou extremismos.

O convívio com familiares e amigos, as trocas de experiência e interações com diferentes crianças na escola ou creche, desde que sejam tomados os cuidados necessários, são fundamentais para o crescimento saudável do meu filho, assim como do seu, caro leitor. Por isso muita calma nessa hora. Sim, enfrentamos uma pandemia. Sim, de fato, uma situação atípica e que gera preocupações de todo tipo, mas não podemos deixar com que este nosso medo prejudique a infância de nossas crianças, tornando-as paranoicas e isoladas socialmente.

É preciso seguir em frente, e seguir vivendo. Esperamos que essa pandemia seja apenas um capítulo, que logo terá fim.  Como sociedade é nos momentos de desafio que crescemos e evoluímos para o bem comum, e que de alguma forma essa pandemia nos ensine a sermos e criarmos pessoas melhores e mais responsáveis, preocupadas com o bem comum.

Lizandra Ongaratto/MS

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