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Luso-Can Tuna – A tradição tocada e cantada

As Tunas estudantis são, cada vez mais, adotadas por instituições de ensino como uma forma de difundir esta tradição que remonta à 2.ª metade do século XIX e também de unir jovens num passatempo pós-estudos.

A Luso-Can Tuna é um grupo musical sem fins lucrativos composto por jovens luso-canadianos residentes na GTA e é também a primeira e única Tuna ativa no Canadá e Estados Unidos.

Francisco Pegado conversou com Miguel Marques Dias, membro da Luso-Can Tuna, para ficar a saber tudo sobre este mundo tão especial e repleto de tradição das tunas académicas.

Milénio Stadium: O que é, exatamente, uma Tuna?

Miguel Marques Dias: Uma Tuna é um grupo de estudantes que tocam música num estilo muito específico. A tradição começou em Espanha, viajou para Portugal e espalhou-se depois para a América Latina. Aqui, um grupo canta em coro e toca instrumentos, na sua maioria, de cordas – bandolim, guitarra clássica, violino, etc. É algo bastante específico e que difere de país para país – em Espanha as Tunas tocam e cantam de uma forma, as do México fazem-no de outra maneira e as de Portugal igualmente. Mesmo entre as Tunas portuguesas existem diferenças de estilo, mas na sua maioria tocam com bandolins, guitarras clássicas, fazem solos de pandeiretas e rotinas de porta estandarte.

MS: E como surgiu a Luso-Can Tuna?

MMD: A Tuna começou, oficialmente, em 1998 mas o desafio já vem de 1997, através da Tuna Académica da Universidade dos Açores, a primeira que nasceu nesta Universidade. Esta Tuna veio cá para numa Semana Cultural da Casa dos Açores e conheceram alguns membros da Associação Portuguesa da Universidade de Toronto. Desse contacto surgiu o desafio de criar uma Tuna em Toronto.

MS: São reconhecidos em Portugal, igualmente?

MMD: Sim, e isso é muito importante para nós. Ser reconhecido como uma Tuna portuguesa dá-nos visão e uma rede de contactos mais alargada que nos dá a possibilidade de celebrar esta tradição que nós consideramos ser bastante boa e que não é bem representada fora de Portugal – tem bastantes coisas boas como a música, a tradição académica, o apoio à juventude e a demonstração que, aqui em Toronto, há jovens portugueses que querem tocar, aprender mais sobre a sua cultura, falar e cantar em português e ter essa amizade e fraternidade entre pessoas.

MS: Além de tudo isso qual é, afinal, a vossa grande missão?

MMD: O grande objetivo da Luso Can Tuna é criar um espaço para os jovens estarem juntos e fazerem coisas diferentes, como por exemplo o Festival das Tunas. Normalmente, as Associações de Estudantes são mais focadas em bolsas de estudo e em realizar parcerias  com associações. Nós criámos este clube para apoiar os jovens e dizer que aqui há espaço para eles se unirem e terem algo para fazer para além dos estudos.

MS: E também ajuda a preservar a tradição, não é verdade?

MMD: Sim! E principalmente a nossa tradição aqui não é muito conhecida e é algo que eu acho que motivava muito os jovens para ir para a Escola Secundária, para os Colégios ou para as Universidades. Aqui em Toronto, o folclore e o fado aqui estão muito bem representados na nossa comunidade por fadistas e ranchos folclóricos de alto nível. Já em termos de tradições de estudantes, a representação não é assim tão boa. Eu acho que esta tradição dava mais dinâmica à nossa comunidade e também traria um outro estilo de música que é muito diferente do resto que temos em Portugal.

MS: O que acha que falta para que esse lado português da Luso-Can Tuna e do movimento estudantil possa afirmar-se mais no Canadá?

MMD: Eu acho que a diferença é que a tradição das Tunas é algo realmente novo aqui. Já existem Tunas há muito tempo em Portugal, mas a tradição só começou a “aparecer” a partir de 1990. Antes disso eram muito poucos. Se repararmos, as Tunas mais conhecidas de Portugal – como por exemplo a Tuna Académica da Faculdade de Economia do Porto e a Tuna Académica da Universidade dos Açores – só têm cerca de 25 anos. Por isso a tradição é relativamente nova em contraste com, por exemplo, o folclore e o fado.

Obviamente, o nosso objetivo é dar mais visibilidade a esta tradição, mas como somos um grupo de estudantes e jovens às vezes caímos em ciclos de altos e baixos onde é difícil de nos focarmos nisso. Às vezes focamo-nos apenas em continuar e salvar a Tuna quando ela está em dificuldades e o resto é um pouco posto de parte.

MS: Além das músicas tradicionais vocês também tocam músicas de outros géneros musicais, certo?

MMD: Sim, e isso é muito bom! Em Portugal existem fóruns online onde se fala sobre o que é que uma Tuna pode ou não tocar em palco mas, na realidade, o que realmente acontece é que nos ensaios e atuações informais as Tunas tocam tudo e mais alguma coisa – qualquer canção, seja de que género for, adaptada ao nosso estilo, é claro. Na Luso Can-Tuna, por exemplo, cantamos um êxito de Carlos Paião chamado “Eu não sou poeta”.

Mas uma coisa são as atuações informais e outra são as competições – aqui existem certas regras que temos de cumprir, como por exemplo apresentar canções originais.

MS: Já falámos de alguns dos vossos objetivos mas sei que também estão a preparar uma angariação de fundos, do dia 14 de setembro, no Pearson Convention Centre.

MMD: Vamos fazer o nosso jantar de aniversário em setembro para juntar a malta da Tuna, antigos elementos, novos membros e toda a comunidade. Queremos mostrar a nossa nova geração da Luso-Can Tuna e também angariar fundos para o nosso próximo objetivo. Contamos com a presença de toda a comunidade, que sempre nos apoiou.

Com os fundos obtidos gostávamos de trazer cá uma Tuna de Portugal, tida neste momento como a melhor de Portugal e talvez também possamos dizer uma das melhores do mundo, que é a Tuna Académica da Universidade dos Açores. E não digo isto por eles serem nossos padrinhos – é, realmente, uma Tuna de alto nível, que tem ganho diversos prémios e distinções.


Autor(a): Inês Barbosa
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