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Julie Dzerowicz votou na Shirley Street School

O Milénio Stadium acompanhou a candidata Liberal a MP de Davenport no dia de eleições. A noite acabou bem com a reeleição de Julie Dzerowicz, mas na altura em que a reportagem foi feita os resultados eleitorais ainda não eram conhecidos.

Julie Dzerowicz tem 48 anos e é filha de mãe mexicana e pai ucraniano. Desde muito cedo que sonha em ser MP e defende que o governo tem de intervir na redução das emissões atmosféricas. Atualmente mora em Davenport e garante que é a melhor opção para esta área.

Julie Dzerowicz visitou de manhã o New Horizons Tower, um lar de terceira idade que fica na Bloor, relativamente próximo do escritório de campanha.

Antes do almoço Julie Dzerowicz votou na Shirley Street School. Aqui cumprimentou alguns dos eleitores que iam chegando às urnas que foram improvisadas nesta escola. A afluência durante o período da manhã foi pequena e o nosso jornal cruzou-se com alguns eleitores luso-canadianos e não só. Depois de votar, Julie aproveitou para ir até uma pastelaria portuguesa levantar uma encomenda e depois acabou por almoçar com alguns voluntários de campanha.

Durante a tarde a agenda foi semelhante e seguiram-se várias visitas a outros lares de idosos em Davenport. A diretora de campanha de Julie Dzerowicz é portuguesa e explicou-nos que é um privilégio trabalhar com a MP.

“Os meus pais são portugueses, a minha mãe chegou ao Canadá em 1949 e antes de mudarmos para Scarborough vivíamos em Davenport. Esta área sempre teve alma portuguesa e hoje é uma honra e um privilegia trabalhar com a Julie Dzerowicz e regressar a Davenport”, contou-nos Diana Mendes.

Mendes reconhece que esta é grande oportunidade a nível profissional e de servir a sua própria comunidade. “É uma experiência gratificante a vários níveis e acho que ela é a melhor candidata para promover e divulgar a cultura portuguesa no Canadá. Isto não é um token para ela, porque a Julie gosta realmente da nossa cultura, adora as nossas comidas e já viajou várias vezes para Portugal”, adiantou.

Em 40 dias de campanha a candidata bateu a muitas portas para convencer os eleitores a votarem nela e Diana trabalhou muito de perto com a candidata nas últimas semanas. “Trabalhámos muito intensamente nos últimos 15 dias e posso garantir-vos que ela está ao vosso lado e que vai lutar pelos vossos interesses até ao fim. Os portugueses têm muita sorte em ter alguém como a Julie em Davenport porque ela não parar, independentemente do que vier a acontecer”, avançou.

Matthew Correia, office manager da Federação de Empresários e Profissionais Luso-Canadianos, foi outro dos luso-canadianos que fez campanha por Julie Dzerowicz.  Na segunda-feira (21) Matthew bateu a algumas portas dos eleitores e esteve no Wallace Emerson Community Centre a acompanhar as urnas. “Hoje voltámos a bater às portas e alguns portugueses ainda não sabem se vão votar, outros dizem que a Julie fez um bom trabalho e que deve continuar. Nos outros grupos étnicos há dúvidas em relação à escolha do melhor líder nacional. Aqui no Wallace Emerson a hora mais concorrida foi por volta das 19 horas, julgo que terão votado cerca de 100 pessoas”, disse.

Matthew Correia já participou na campanha de Julie Dzerowicz há quatro anos e não tem dúvidas que é a melhor candidata para Davenport. “Ela vive na nossa comunidade desde a adolescência e acredito que as mulheres têm uma forma diferente de fazer política. O Partido Liberal é o que faz mais pela classe média e pelas comunidades étnicas. Como luso-canadiano acho que ela tem feito muito pela comunidade portuguesa. A nível nacional, penso que Justin Trudeau será a melhor opção porque ele é mais aberto ao diálogo e isso é importante num país com tanta diversidade”, referiu.

Julie Dzerowicz aguardou pelos resultados eleitorais em casa e por volta das 23 horas, depois de já ser conhecida a sua vitória com 43,6% dos votos, chegou à Casa dos Açores na College Street.

A entrevista que abaixo é publicada foi realizada antes dos resultados eleitorais serem conhecidos.

Milénio Stadium: Está a concorrer a um segundo mandato em Davenport. Está ansiosa nestas eleições federais?

Julie Dzerowicz: Não estou ansiosa, estou entusiasmada, mas julgo que ao longo do dia vou experimentar vários estadios e vou ter alturas em que vou estar mais nervosa. Temos trabalhado muito nos últimos três meses de campanha e estamos prontos para hoje. Acho que os canadianos estão prontos para votar e espero ser reeleita para mais um mandato aqui em Davenport, tenho muita confiança nos eleitores de Davenport e espero poder continuar a melhorar a vida das pessoas e o meu país. O tempo está espetacular e normalmente quando o tempo é bom as pessoas têm tendência para vir votar e escolher o seu futuro líder.

MS: Como é que correu a campanha eleitoral?

JD: Nos últimos dias em que fomos bater às portas percebemos que algumas pessoas ainda não sabiam em quem iam votar. Talvez signifique que a campanha precisava de pelo menos mais uma semana para que os eleitores tivessem um maior conhecimento sobre as plataformas, as diferentes propostas de cada um dos partidos. Mas tivemos 40 dias e acho que há muita informação online. O que me surpreendeu nesta campanha foi a desinformação, sobretudo em relação ao Partido Conservador. Mas acredito que os canadianos vão ver para além disso e vão saber escolher.

Milénio Stadium: A opinião pública está contaminada por “fake news”?

JD: Só vamos perceber isso depois de conhecermos os resultados eleitorais. Hoje as redes sociais têm um papel importante e elas influenciam o que as pessoas seguem e o que o público lê. Quando era mais nova tínhamos cinco ou seis jornais e a informação era semelhante em todas as publicações, a única coisa que mudava eram os ângulos jornalísticos. Agora é diferente e acredito que isso tornou a campanha mais divisiva. Nem todos têm acesso à mesma informação e isso é preocupante.

MS: Seria uma mais valia ter uma mulher a liderar Davenport por mais quatro anos?

JD: Sinto-me honrada por ser a primeira mulher a ser eleita em Davenport, mas não quero ser eleita porque sou a primeira mulher. Gostava de ser eleita porque acredito verdadeiramente que sou a melhor candidata. Tenho a melhor experiência, fui eleita como MP do Partido Liberal e isso significa que posso ser uma voz forte e que sei como criar ação junto do governo. O meu adversário político era MP [Andrew Cash], mas era uma voz fora do governo e na minha opinião tudo o que ele pode ser é um “voice screaming”.

MS: Nunca se falou tanto em mudanças climáticas, no Canadá e no mundo.

JD: Há uma mudança inequívoca, sobretudo em relação há quatro anos. Nas últimas eleições, uma em cada 10 portas em que batíamos havia alguém que estava preocupado com as alterações climatáticas. Este ano todas as portas estavam preocupadas com este assunto e queriam saber qual o governo que ia ter o melhor plano para lidar com este problema e mais hipóteses para implementá-lo o mais rápido possível.

MS: Este ano o número de canadianos que votou antecipadamente aumentou cerca de 25%.

JD: Creio que é aumento muito positivo, uma vez que demonstra interesse no futuro do país. Quem já tinha a decisão tomada acabou por votar mais cedo e talvez os mais indecisos precisaram de mais uma semana para pensar. Acho que somos uma nação com hábitos de leitura e de informação e isso é extraordinário. Há cerca de uma semana publiquei um vídeo nas redes sociais que já tem cerca de 10,000 visualizações. Acho que as pessoas tiraram tempo para perceber quem é a Julie, o que é que ela fez por elas e porque é que ela é a melhor escolha.

MS: Os indocumentados são uma das grandes preocupações em Davenport.

JD: Existem três áreas chave: mudanças climáticas, imigração e cultura. Há 10 anos que me preocupo com as alterações climáticas e já fui a muitas escolas para alertar os mais jovens para este problema. E alertamos o governo para o perigo que os plásticos representam nos oceanos e para a vida marinha. O segundo assunto é a imigração que está relacionada com a nossa economia. A questão dos indocumentados afeta a comunidade portuguesa e não só, e o governo Liberal está comprometido com este problema. Ao longo dos últimos quatro anos tentámos resolver este problema de várias formas e temos agora um projeto piloto em curso. Também temos um programa de mobilidade juvenil e acho que ainda há muito que podemos fazer. As pequenas, médias e grandes empresas estão desesperadas porque não encontram pessoas para preencher as vagas de trabalho, o que faz que sejam forçadas a empregar pessoas sem estatuto legal. O terceiro são as artes, a cultura e os media. Acredito que jornalismo independente e forte é vital para a democracia. Mas também acredito que precisamos de algumas regras nas redes sociais. Temos de combater a desinformação que circula online. Sou apologista de que devemos taxar empresas como a Netflix, a Amazon, ou o Google e fazer com que esse dinheiro seja aplicado na criação de conteúdos desenvolvidos pelos canadianos. Somos um país gigante e diverso e a única forma de seguirmos em frente como um todo é termos a capacidade de nos entendermos uns aos outros. Partilhando as nossas histórias vamos ser capazes de fazê-lo. As culturas locais são fundamentais para mim e como é do conhecimento geral fui a principal responsável por termos reconhecido junho como o mês de Portugal no Canadá.

MS: Escolheu a Casa dos Açores para conhecer os resultados eleitorais.

JD: Na minha primeira eleição escolhi a Casa das Beiras. Mais de 60% da população portuguesa que vive no Canadá é de origem açoriana e por isso pareceu-me o lugar certo para celebrar esta noite.

MS: Acha que vamos ter um governo maioritário?

JD: Acho que ninguém sabe, ontem vi oito sondagens e a minha equipa inteira viu 21 sondagens no sábado (19). Acho que temos hipóteses de ter uma maioria, mas não acredito que seja muito significativa. Escrevi uma mensagem para a minha equipa a dizer que a democracia é confusa e imprevisível. Mas temos uma grande equipa e espero representar Davenport nos próximos quatro anos.

Joana Leal/MS

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