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Indústria do entretenimento acumula prejuízos

Na primavera e no verão começa uma das melhores épocas da indústria do entretenimento com concertos, festivais e celebrações um pouco por toda a parte. Mas desde que a pandemia da COVID-19 chegou ao Canadá esta indústria enfrenta dias negros com sucessivos cancelamentos e adiamentos que parecem não ter um fim à vista. O Governo Federal criou o CERBA (Canadian Emergency Business Account), um fundo de $25 mil milhões que vai emprestar a pequenos e médios empresários até $40,000 sem juros até dezembro de 2022.

Carlos Costa é proprietário de várias empresas nesta área e ao Milénio Stadium confessou que até junho os prejuízos já rondam qualquer coisa como $6 milhões. Para além da ACS Productions Sound and Lighting Inc, o empresário tem ainda empresas de palcos, geradores e instrumentos, que ao todo empregam 18 trabalhadores. “As empresas do entretenimento são sempre as primeiras a sofrer e as últimas a receberem apoios. Os empréstimos que o Governo Federal anunciou para apoiar os empresários não são muito vantajosos, já tenho tudo cancelado até junho e continuo a pagar empréstimos, alugueres e seguros. Tive que mandar os trabalhadores para casa e eles estão a beneficiar do CERB, mas os empresários vão ter que se desenrascar como sempre”, explicou.

O empresário luso-canadiano diz que em janeiro começou, infelizmente, a antecipar o pior. “Quando comecei a ver que os casos de COVID-19 estavam a aumentar na China e na Europa percebi que era apenas uma questão de tempo até o novo vírus chegar ao Canadá. Normalmente em janeiro encomendamos o material novo que vamos usar nos espetáculos de verão, mas este ano já não encomendei nada, e ainda bem porque o último espetáculo que fizemos foi em janeiro. O verão está completamente perdido e vamos ver se a conjuntura melhora até dezembro, mas não sabemos quando vai surgir uma vacina”, contou.

Durante o inverno o empresário trabalha muito com a comunidade grega e italiana em eventos e casamentos, mas a pandemia acabou por estragar tudo. “Trabalho pouco com a comunidade portuguesa, comecei nisto quando tinha 19 anos, já lá vão 23 anos. Um dos meus grandes clientes é o Peter e Paul’s, mas eles também tiveram de cancelar tudo. Acho que alguns empresários vão tentar tirar partido dos apoios do Estado, mas o meu plano agora é sobreviver. Como penso sempre no pior estou preparado, mas nem todos são assim. Mesmo que nos apoiem o nosso problema mantém-se porque sem eventos não mantemos a nossa atividade, seria apenas colocar um penso na ferida. Mas claro que gostava de receber um cheque”, avançou.

Desde o início da pandemia que o PM Justin Trudeau e o Premier de Ontário têm pedido às empresas canadianas que se reinventem e ajudem a combater a pandemia. Carlos Costa ouviu o pedido e colocou os seus palcos à disposição para que pudessem ser utilizados como centros de testes. “Nós somos a maior empresa de palcos hidráulicos da América do Norte: temos 17 palcos hidráulicos, não existe ninguém em Ontário com tantos palcos. Temos estruturas de várias dimensões que podem ser utilizadas por todos os municípios da província, mas parece que a província prefere pagar tendas”, explicou.

O empresário, que trabalha regularmente na realização de eventos em Montreal, Vancouver, Buffalo e Florida, este ano já perdeu os Jogos Olímpicos de Verão em Tóquio, o Dundas West Fest em Toronto e o dia do Canadá em Mississauga e em Brampton.

Carlos Costa espera que depois da pandemia o Canadá consiga retirar algumas lições e que diminua a dependência do exterior. “95% do equipamento que uso é feito na China, acho que o Canadá tem capacidade para investir mais na sua mão de obra e criar os seus próprios produtos. Não precisamos de depender de ninguém e seria bom que pudéssemos retirar esta lição depois da pandemia passar”, rematou.

Nos EUA, a Coachella, o maior festival de música da América do Norte, foi adiado para outubro e pelo Canadá e por Ontário os cancelamentos e adiamentos sucedem-se. Os músicos cancelaram digressões e alguns têm feito concertos gratuitos online. Justin Bieber e Shaw Mendes são dois dos artistas canadianos que já fizeram doações para ajudar no combate contra a COVID-19. Toronto, Mississauga e Brampton já cancelaram a emissão de licenças para espetáculos de verão e Pride e TD Toronto Jazz Festival foram os primeiros a serem cancelados em Toronto. Embora o presidente da autarquia de Toronto tenha cancelado as licenças até 30 de junho, o Caribbean Festival que decorre em julho já foi cancelado e o Taste of Danforth, que deveria acontecer em agosto, também já foi suspenso.

Joana Leal/MS

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