Temas de Capa

Festivais de rua?

São para entreter, criar uma experiência comunitária única ou apenas um rendimento estável ou uma forma de “comprar votos”?

Muitos de nós que consideram o congestionamento do trânsito ou o fecho das ruas como uma inconveniência, deveríamos parar e pensar: como era a vida em Toronto antes dos “festivais de rua”?

Eu recordo vivamente, nos meus dias com a Labatt em 1990, quando a proposta de fazer um festival de rua foi discutida pela primeira vez. A melhor forma de assegurar fundos e artistas musicais seria através do envolvimento das duas grandes cervejarias, ou a Labatt ou a Molson. Recebíamos grandes ideias sobre isto e diziam-nos que o festival de rua queria assegurar “dinheiro e marketing”. Os primeiros dias dos Festivais de Rua em Toronto devem ser atribuídos unicamente ao Lido Chidelli, que era proprietário e geria o Lido on the Beaches, um bar muito bem-sucedido, no bairro das Beaches, na área da Queen Street East. O Lido era e ainda é um ícone no que diz respeito ao cenário dos festivais de rua. Foi o mentor por trás do Beaches Jazz Festival e eventualmente seguiu para fazer vários festivais de rua, como o que temos bem perto, o Toronto Fiesta na St. Clair West.

Como era no início? Para dizer o mínimo, do ponto de vista de um organizador ou patrocinador corporativo, como a Labatt, a burocracia e/ou os políticos eram muitos flexíveis e dispostos a facilitar tudo, desde as permissões das ruas, encerramento das ruas e cooperação dos BIA (Áreas de Melhoramento Económico). Os políticos viram esta como uma oportunidade para garantir mais votos, enquanto os BIA compravam a ideia de que os negócios iriam florescer e facilitar a ressurgência do “espírito comunitário e movimentação empreendedora”. O renascimento dos festivais de rua elevaram muitas ruas que, naqueles tempos, eram pouco movimentadas economicamente. Pode-se ainda recordar a emergência do Festival de Rua de Toronto, durante algum tempo pela Yonge Street e depois pela Mayor Mel Lastman que conduzia à Yonge Street, tornando-se novamente “seguro” e um destino em Toronto. E apenas para nomear alguns, o mesmo pode ser dito sobre a Parada Gay na Church Street, Caribana no Lakeshore, o Taste of the Danforth, o Riverdale Street Festival, Taste of Italy na College St e sim, na St. Clair Avenue West o Toronto Fiesta Street Festival, durante os anos 90.

As ruas preenchiam-se de experiências culturais ricas, música que não acabava e uma excelente representação gastronómica da diversidade cultural da “nossa cidade”. Toronto tornou-se num destino, o turismo explodiu e o “orgulho de Toronto” iniciava-se todos os verões para ser preenchido com memórias estimadas de celebrações, onde família e amigos reúnem-se no seu próprio quintal. Toronto era ótimo, era divertido, estava a acontecer. Sim, mas a que custo? Hoje, a maioria de nós considera-os um incómodo, um pesadelo de trânsito e nada mais do que propaganda comercial. Contudo, “os nossos queridos” políticos consideram-os simplesmente como “votos”…

José M. Eustáquio

 


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