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Fé, Fátima e o Futuro

VOX POP

Crer em Deus. Crer em algo sobrenatural, omnipresente, omnipotente, claramente invisível aos olhos, mas que a fé faz acreditar e confiar mesmo de olhos fechados.

Há esse lado e depois o outro – da descrença, da dúvida, da indignação, da indiferença perante algo que consideram ser ficção.

Mas o que não é ficção é o número de queixas-crime, que acusavam a Igreja e os que nela operam, de se abrigarem numa espécie de batina protetora, ilibando-os dos seus “pecados”.

No entanto, essa confidencialidade inerente à religião foi agora abolida pelo Papa Francisco – deixou de existir o segredo pontifício para os casos de abuso sexual por parte de membros do Clero. As regras sobre os casos de abuso infantil também são endurecidas, uma vez que é considerado crime “a aquisição, posse ou divulgação, com um objetivo libidinoso, de imagens pornográficas de crianças menores de 18 anos por um clérigo”, e não apenas as de menores de 14 anos como até agora. Esta é uma mudança nas chamadas regras sobre crimes graves, aprovadas em 2001 durante o pontificado de João Paulo II. À época, a Igreja havia decretado que os casos de abuso deveriam ser tratados com o “segredo pontifício”, a mais alta forma de sigilo dentro da Igreja. O Vaticano insistia que essa confidencialidade era necessária para proteger a privacidade da vítima, a reputação dos acusados e a integridade do processo canónico.

Nesta edição do jornal Milénio Stadium, fomos à procura da opinião de crentes, não crentes, católicos, protestantes, agnósticos, sendo eles jovens ou mais velhos, com diferentes profissões – tudo para que, de uma forma abrangente, consigamos perceber qual a perspetiva perante essa confidencialidade agora retirada aos membros da Igreja e também de que forma encaram Fátima e tudo o que a “Ela” está inerente.

Eduardo Cordeiro, 59 anos – advogado

Qual é o seu posicionamento em relação à religião?

Poderia dizer-se que me considero ateu. Mas sinceramente sou daqueles que têm em relação à religião e à crença uma posição de “neutralidade”. Quem quer acredita, quem não quer não acredita, respeito ambas as convicções.

Como vê aquelas pessoas que têm a crença religiosa como centro da sua vida, delineando o seu pensamento e forma de agir?

Independente da fé que se professa, pode dizer-se com muita segurança que as religiões têm como objetivos formar as pessoas para que possam distinguir o bem do mal, adquirir a capacidade de se relacionar com os outros no dia a dia, educar para o respeito em relação ao outro e à natureza, para uma convivência harmoniosa em sociedade. Só com estes objetivos podemos dizer que as religiões, em geral, dão um grande contributo na formação de uma sociedade cada vez mais justa e mais ética. A religião, então, determina o equilíbrio moral com um alto padrão ético de conduta. Há estudos científicos que indicam que quanto maior o nível de envolvimento religioso de uma pessoa, maiores são os indicadores de bem-estar psicológico, menor depressão, diminuição de comportamentos suicidas, menor uso de drogas e consumo de álcool.

Assim, em princípio, poderíamos concluir que as pessoas que têm a religião como centro da sua vida, delineando o seu pensamento e forma de agir, tudo em conformidade com aqueles basilares princípios religiosos, seriam cidadãos exemplares… O problema é que isso não é uma verdade absoluta e as exceções podem ser tantas como a regra.

O que é que o Santuário de Fátima significa para si? Qual a sua leitura relativamente ao fenómeno da aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos?

A primeira pergunta que me assalta desde logo como é que em maio de 1917 três crianças numa charneca, iniciaram um dos maiores movimentos de massas da história de Portugal, de que resultaria, nas décadas seguintes, um dos maiores santuários europeus, uma nova cidade e um culto que se tornou mundial?

Já muita gente, bem mais fundamentada que eu, se debruçou sobre esta temática e, sumariando, apontam como razões para o seu surgimento, desde logo, o lugar uma povoação isolada e pobre na Serra de Aire, perdida numa idade média de lendas e folclore; a época, 1917, na Europa mais um ano de guerra, com faltas generalizadas de alimentos e de combustíveis, e em Portugal mais um ano de confronto entre um governo republicano laicista e o Clero católico; o analfabetismo, ignorância e crendice de três crianças (e, diga-se, de um povo) aterrorizadas pela imagem de um Deus cruel, vingativo e castigador, tal como lhes era apresentado pela pregação constante do terrível conteúdo do livro “Missão Abreviada”, do padre Couto, publicado em 1859, destinado “particularmente (ao) povo de aldeia” para “despertar os descuidados, converter os pecadores e sustentar o fruto das missões”.

Na verdade, como escreveu Alfredo Barroso, “A própria Igreja começou por não dar crédito à narrativa das ‘aparições’, sobretudo à conversa de Lúcia – os seus primos Francisco e Jacinta nunca abriram a boca – com uma Nossa Senhora ‘sem cabelo e sem orelhas’ à vista, que falava português fluentemente e que Lúcia ganhou o hábito de interpelar com um ‘Vossemecê que me quer?’ quando ela lhe ‘aparecia’. E a verdade é que a Igreja só reconheceu oficialmente a primeira ‘aparição’ – houve imensas, como se sabe – 13 anos depois, em 1930, na onda do golpe militar do 28 de maio (de 1926) e já com Salazar no poder, a preparar a institucionalização do regime ditatorial do Estado Novo. O ‘milagre de Fátima’ tornou-se uma arma de arremesso contra a República, a liberdade e a democracia, contra o ateísmo e o comunismo, numa clássica aliança entre ‘a espada e o hissope’ sob a égide do ditador Salazar.”

Ou seja: mais não terá sido que uma reação do Clero português contra o regime republicano, uma encomenda para sabotar a Lei da Separação de 1911, onde a nacionalização dos bens da Igreja não caiu lá muito bem no Clero em geral e na Cúria Romana em particular…

Publicamos nesta edição uma entrevista ao padre Mário de Oliveira, que afirma que “o Santuário de Fátima é uma máfia poderosa”. Qual a sua opinião acerca desta afirmação?

Na verdade, 16 anos depois de ter publicado o livro “Fátima Nunca Mais”, o padre Mário de Oliveira volta ao tema com novo livro igualmente polémico “Fátima S.A.”, resultado de uma longa investigação e que, segundo ele, demonstra que “o Santuário de Fátima é uma máfia poderosa”.

Sem tecer considerações sobre a questão das aparições e atentando somente na parte económica, diria que concordo, de facto, que tudo aquilo é sobretudo negócio à volta de pura idolatria. Um negócio que só em velas gera cerca de 150 mil euros de receitas. Isto num ano normal. A isto soma-se o facto de a Igreja ser detentora de património no concelho de Ourém avaliado em quase 350 milhões de euros. Mas as receitas são de uma ordem de grandeza que se desconhece, porquanto permanecem  secretas há mais de uma década. Não sei se é “Máfia”, mas lá que é poderosa isso é. E seguramente que é do interesse da Igreja e da Cúria Romana para onde vão também muitos daqueles “dividendos”. E tudo livre de impostos…

O Papa Francisco decretou recentemente a abolição do sigilo pontifício, que protegia os padres que exerciam violência ou abusavam sexualmente menores. Que consequências práticas acha que esta tomada de posição irá ter?

Na verdade, esta medida do Papa Francisco atende a um pedido das muitas vítimas e facilita o compartilhamento de informações da Igreja com a polícia e a justiça. O Papa Francisco determinou também que a quem fizer a denúncia não pode ser imposto qualquer ónus de silêncio a respeito do conteúdo da mesma e que são proibidas retaliações ou discriminações pelo facto de ter feito essa sinalização de um caso criminoso. Como consequências práticas, admito que agora “desprotegidos”, os eventuais candidatos a abusadores já pensem bem nas consequências dos seus atos e que isto, só por si, leve, como decorrência, a uma significativa diminuição dos abusos. Por outro lado, caso ocorram, está bem mais facilitado o trabalho da investigação para levar os prevaricadores a pagarem pelos seus atos criminosos.

Madalena Coelho, 79 anos – professora aposentada

Qual é o seu posicionamento em relação à religião?

Eu tenho uma formação católica, acredito em Deus, embora por vezes sinta muitas dúvidas, muitas dúvidas mesmo. Neste momento não sou católica praticamente, mas já fui muito, mas não sou agora porque realmente tem havido coisas na minha vida que me criaram muitas desilusões e incompreensões, digamos, da existência de Deus.

Como vê aquelas pessoas que têm a crença religiosa como centro da sua vida, delineando o seu pensamento e forma de agir?

Acho um exagero, falo com conhecimento de causa, acho que as pessoas a certa altura entram num ciclo e praticamente é só o que veem – a religião. Isso a mim não me agrada, eu não gosto de fanatismos de nenhuma espécie.

O que é que o Santuário de Fátima significa para si? Qual a sua leitura relativamente ao fenómeno da aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos?

Talvez devido à formação que tive, acredito que Nossa Senhora apareceu. Gosto de ir a Fátima, embora tenha gostado mais de ir a Fátima no começo, quando ainda não havia este comércio todo que há agora à volta de Fátima, mas sinto-me bem lá.

Publicamos nesta edição uma entrevista ao padre Mário de Oliveira, que afirma que “o Santuário de Fátima é uma máfia poderosa”. Qual a sua opinião acerca desta afirmação?

Não posso dizer nada porque não tenho conhecimentos suficientes para tal. A única coisa que sei, porque vejo quando lá vou, é que realmente é um exagero de comércio, uma coisa brutal – aquilo deixou de ser algo essencialmente religioso para ser um negócio. Mas quanto à organização em si não me posso pronunciar porque não tenho conhecimento para isso.

O Papa Francisco decretou recentemente a abolição do sigilo pontifício, que protegia os padres que exerciam violência ou abusavam sexualmente menores. Que consequências práticas acha que esta tomada de posição irá ter?

Eu espero que tenha e que realmente comece a existir uma vigilância maior sobre o comportamento de padres, principalmente – e que acontecia muito antigamente – nos seminários, nos asilos, as casas dos miúdos que não tinham família. Mas por isso eu penso, e como tenho uma grande admiração pelo Papa Francisco, que se não lhe cortarem as vazas, pode ser uma boa atitude e que comecem a tomar providências.

Joana Martins, 31 anos – copywriter

Qual é o seu posicionamento em relação à religião?

Vivo “uma relação complicada” com a religião. (risos) Acredito e pratico os princípios da religião cristã porque os considero intrinsecamente bons. Valores como a humildade, o amor pelo próximo, o altruísmo, a igualdade ou a caridade são indiscutivelmente bons; capazes de fazer do mundo um lugar melhor. Acredito, pratico e passo-os ao meu filho. Sem que ele saiba que isso é “religião”; sem que eu me aperceba, até, que isso é seguir uma religião.

Como vê aquelas pessoas que têm a crença religiosa como centro da sua vida, delineando o seu pensamento e forma de agir?

Se isso implicar serem pessoas melhores, acho ótimo. Acredito que pessoas mais crentes são mais confiantes, seguras e, por consequência, mais felizes. Acreditam no seu Deus todo poderoso que sabe o que faz e que não as desamparará. Só vejo dois pontos negativos: quando as pessoas se escondem atrás da religião para tomarem atitudes menos corretas, mas dessa forma justificadas; ou quando são incapazes de pensar sobre a doutrina e praticam cegamente os passos que lhes são “impostos”. E há vários exemplos de pessoas que se afastam da Igreja  por condutas eclesiásticas pouco flexíveis. Como restringir o batismo de crianças cujos padrinhos não seguiram a catequese até à cerimónia do crisma ou cujos pais são divorciados, por exemplo. Estas são algumas das “regras” que não casam com os valores basilares da própria religião.

O que é que o Santuário de Fátima significa para si? Qual a sua leitura relativamente ao fenómeno da aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos?

Honestamente não sinto nada no recinto do santuário. Sinto, sim, quando me encontro com a Nossa Senhora. Tenho uma ligação muito forte com a sua imagem e presença na minha vida. É como se ela fosse a minha mãe espiritual. Com quem converso, a quem quero agradar e sinto obrigação de agradecer a orientação. Não tenho uma opinião formada sobre a aparição; nunca me informei o suficiente sobre esse tema para me poder pronunciar.

Publicamos nesta edição uma entrevista ao padre Mário de Oliveira, que afirma que “o Santuário de Fátima é uma máfia poderosa”. Qual a sua opinião acerca desta afirmação?

Algum motivo há-de ter, algum fundamenteohá-de existir. Há muitos anos que se fala nisso, mas nunca nada se provou. Confesso que tenho até alguma curiosidade e se realmente for verdade, espero que as pessoas percebam que caridade deve ser praticada individualmente, todos os dias, com quem surge no nosso caminho.

O Papa Francisco decretou recentemente a abolição do sigilo pontifício, que protegia os padres que exerciam violência ou abusavam sexualmente menores. Que consequências práticas acha que esta tomada de posição irá ter?

Acredito que vai ser uma revolução na Igreja Católica. Acredito que muitos crimes se levantarão  mas, principalmente, muito possivelmente se evitarão por medo de exposição. Só pode ser positiva a expectativa!

Giovana Moura, 46 anos – tecnóloga em processamento de dados

Qual é o seu posicionamento em relação à religião?

Sou uma pessoa de muita fé em Deus, porém na minha opinião a religião em si torna as pessoas muito “religiosas” ou seja, a ponto de acharem que fazendo exatamente aquilo que seu líder religioso mandar é suficiente para alcançarem o céu, as bençãos ou sua comunhão com Deus, isto é, se elas frequentarem a missa/culto todos os domingos já cumpriram o seu “dever”, não importando como elas se comportaram durante toda a semana com o seu próximo em termos de atitudes, como elas agiram em relação a si mesmas e muitas coisas mais. Além de achar que as denominações da religião tais como ser católico, evangélico ou espírita e assim por diante, causam separação entre as pessoas, pois muitos “religiosos” acabam julgando seu próximo pela religião que ele segue e não pelo ser humano que ele é. Eu sou o tipo de pessoa que prefiro dizer que sigo a doutrina Cristã, sou cristã (creio confio em Jesus Cristo como Senhor da minha vida) e não necessariamente a denominação evangélica ou católica…

Para finalizar, acho que as pessoas têm que se preocupar mais em conhecer Deus, seus ensinamentos e promessas, ter um relacionamento mais próximo com Ele, do que apenas cumprirem rituais.

Como vê aquelas pessoas que têm a crença religiosa como centro da sua vida, delineando o seu pensamento e forma de agir?

Acho muito importante que as pessoas tenham uma crença e fé para seguir e evoluir espiritualmente, mas como mencionei anteriormente acho que funcionaria muito melhor que colocassem em prática os ensinamentos da sua doutrina, serem mais praticantes dos ensinamentos a favor do seu próximo, do que apenas serem demasiadamente religiosos, se importando apenas em julgar os outros ou tentando convencer as pessoas que somente sua religião é a correta.

O que é que o Santuário de Fátima significa para si? Qual a sua leitura relativamente ao fenómeno da aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos?

Eu como cristã, tenho Jesus Cristo como meu intermediário junto a Deus, todas as minhas orações e petições são feitas a Deus por intermédio de Jesus, como diz na bíblia em 1 Timóteo 2:5 “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo”. Então para mim o Santuário de Fátima não passa de um local de visitação e um local de arrecadação de dinheiro.

Cada um tem sua fé e respeito, porém, como Cristã e com o entendimento que tenho da Bíblia, esta é a minha posição quanto ao Santuário de Fátima onde as pessoas vão prestar culto a um santo em que acreditam.

Na minha opinião devemos cultuar somente a Deus, o que passar disto não é correto. Sobre a aparição aos pastorinhos, acho complicado falar algo pois na minha opinião, Deus, que é o Criador de todas as coisas, se tivesse algo para transmitir à humanidade faria de alguma forma que todos tivessem acesso a esta revelação, assim como a Bíblia é a referência do cristão em qualquer parte do mundo. Sinceramente, acho que Deus não iria fazer uma revelação para somente algumas pessoas, neste caso a crianças, de algo que envolve toda a humanidade. Então, se Deus tivesse feito uma revelação para todos os Homens (humanidade), a Igreja não teria que esconder.

Enfim, tenho minha opinião formada sobre determinados assuntos, porém não sou dona da verdade e acredito que existem muitos mistérios entre Deus e o Homem, e que nem sempre é permitido ao Homem conhecer – como seres humanos somos limitados para tamanha compreensão -, e que somente Deus sabe a verdade realmente e que um dia nos será revelado. Cabe ao Homem, neste caso os cristãos, seguirem os ensinamentos que Ele deixou a todos como referência da Sua Palavra: a Bíblia.

Publicamos nesta edição uma entrevista ao padre Mário de Oliveira, que afirma que “o Santuário de Fátima é uma máfia poderosa”. Qual a sua opinião acerca desta afirmação?

Concordo plenamente. Não só o Santuário de Fátima como o Vaticano e a Igreja num todo é uma grande máfia, infelizmente. Tanto a Igreja Católica como muitas outras denominações. Porém, acredito sim que ainda existam pessoas (padres, pastores, cristãos no geral) dedicadas e comprometidas com o objetivo único e principal de levarem a Palavra de Deus a toda a humanidade.

O Papa Francisco decretou recentemente a abolição do sigilo pontifício, que protegia os padres que exerciam violência ou abusavam sexualmente menores. Que consequências práticas acha que esta tomada de posição irá ter?

Se não houver nenhum outro tipo de intervenção por parte da Igreja, que proteja de alguma forma os agressores, as consequências serão as melhores possíveis, pois é inconcebível em pleno ano 2020 atitudes como estas serem escondidas ou mantidas em sigilo.  As pessoas que cometem qualquer tipo de abuso, sejam elas quem forem, devem sim ser expostas e cumprirem as penas que as leis estabelecem e dependendo da sua posição na sociedade, neste caso os padres, devem perder o direito de exercer as suas funções, pois se aproveitaram dos seus cargos de confiança e liderança perante a sociedade para abusar da fragilidade e inocência de menores.

Desta forma, se realmente a Igreja se posicionar e não permitir mais este tipo de situação, os abusadores saberão que haverá punição das suas atitudes e aqueles que infelizmente já foram suas vítimas terão a liberdade de serem ouvidos e verem a justiça do Homem ser feita, mesmo que muitas vezes falhe, mas a justiça de Deus é infalível.

Pedro Faria, 28 anos – arquiteto

Qual é o seu posicionamento em relação à religião?

Eu não sou crente, mas também não tenho a certeza que não exista algo. Digamos que sou agnóstico.

Como vê aquelas pessoas que têm a crença religiosa como centro da sua vida, delineando o seu pensamento e forma de agir?

Sou super liberal, cada um sabe de si e da sua religião, só não podem é interferir com os outros.

O que é que o Santuário de Fátima significa para si? Qual a sua leitura relativamente ao fenómeno da aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos?

Uma jogada. Acho que tudo isso é uma jogada de marketing e um negócio. É turismo religioso. Não acredito na “aparição”.

Publicamos nesta edição uma entrevista ao padre Mário de Oliveira, que afirma que “o Santuário de Fátima é uma máfia poderosa”. Qual a sua opinião acerca desta afirmação?

Se ele que esteve lá dentro diz isso… Ele sabe mais que nós, está dentro do assunto… E depois claro que, entretanto, foi afastado. A instituição religiosa tem coisas boas e más, e Fátima parece-me que é mais voltada para fins lucrativos do que outra coisa.

O Papa Francisco decretou recentemente a abolição do sigilo pontifício, que protegia os padres que exerciam violência ou abusavam sexualmente menores. Que consequências práticas acha que esta tomada de posição irá ter?

Hão-de haver uns que vão ser os “mártires”… “Mártires” neste contexto, para eles…Vão haver culpados para mostrar a cara, mas acho que não vai ser, de todo, uma salvação do que aconteceu. Acho que vai ser só uma pequena percentagem, só para limpar um bocadinho a imagem da Igreja, não estou com outra esperança.

Helena Alberto, 92 anos – reformada

Qual é o seu posicionamento em relação à religião?

Sou crista, católica, já fui praticante, agora já não porque aos 92 anos já não consigo fazer o que fazia antes. Fui uma pessoa muito dedicada à Igreja. Tomei, aliás, conta de uma, durante 32 anos – era voluntária lá na minha paróquia, ia visitar lares, doentes em casa, acompanhava doentes ao hospital. Eu tinha que fazer isso, enquanto voluntária e católica.

Como vê aquelas pessoas que têm a crença religiosa como centro da sua vida, delineando o seu pensamento e forma de agir?

Eu vejo na minha paróquia que pessoas de facto se dedicam à Igreja, a Deus. Mas também vejo quem vá à Igreja só por ir. Mas por exemplo eu, a minha maneira de ser, sempre gostei de ajudar os outros – por isso tudo aquilo que eu fazia, era por minha livre vontade, porque se um Padre me dissesse “tens que fazer aquilo” eu talvez não fizesse.

O que é que o Santuário de Fátima significa para si? Qual a sua leitura relativamente ao fenómeno da aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos?

Bem… Eu quando ia a Fátima, no início, ainda garota, aquilo era um deserto. Para mim Fátima agora é um comércio. É pena é que Nossa Senhora esteja no meio daquele negócio que surgiu, entretanto, à volta. Não concordo com tanto comércioque lá há. Quanto à aparição, eu acredito. Porque na minha maneira de ser e pensar, acredito que nós um dia morremos, mas o nosso espírito, a nossa alma, nunca morre: eleva-se. Acho que por isso é realmente verdade… Não sei. Os pastorinhos sofreram tanto na altura e nunca desmentiram aquilo que tinham visto. Eu acho que sim… Acho que aconteceu. E, além disso, Nossa Senhora quando apareceu disse aos pastorinhos que mais tarde ou mais cedo a Rússia havia de ser católica… E agora é o que se vê, há muita gente russa em Fátima.

Publicamos nesta edição uma entrevista ao padre Mário de Oliveira, que afirma que “o Santuário de Fátima é uma máfia poderosa”. Qual a sua opinião acerca desta afirmação?

Eu acho que sim. Acho que é. Porque eu gostava de saber o que eles fazem, o que lá está, o Cabecinhas, o que se faz a tanto dinheiro que cai lá… Cai muito dinheiro lá e não vejo para onde vai. Eu penso que aquele dinheiro podia ser usado, por exemplo, para se fazer casas para idosos, para pessoas que não têm lar, no fundo ajudar quem mais precisa. E eu não sei o que fazem ao dinheiro… É que em Fátima cai muito dinheiro.

O Papa Francisco decretou recentemente a abolição do sigilo pontifício, que protegia os padres que exerciam violência ou abusavam sexualmente menores. Que consequências práticas acha que esta tomada de posição irá ter?

Antes de mais nada, na minha opinião, acho que o padre devia casar. Porque se um padre fosse casado, não havia tanta pouca vergonha, tanta desgraça, conforme se vê ouve dizer… Que os padres abusam das crianças e assim. Há outras medidas que o nosso Papa Francisquinho tomou e que eu acho muito bem, uma delas é, por exemplo, a permissão de que bebés de filhos de pais separados sejam batizados, porque as crianças não têm culpa. Quanto a esta quebra do sigilo, acho muito bem. Para mim ele é um Papa muito aberto e concordo com essas medidas, assim não se protegem aqueles que cometem esses crimes.

Catarina Balça/MS

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