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Famílias de todas as formas e feitios

As famílias são diversas, complexas e dinâmicas. A família é a instituição mais adaptável da sociedade que se molda de acordo com determinados fatores, como por exemplo sociais, económicos, culturais e ambientais. Esta instituição, à semelhança de outras, tem sofrido mutações e tem evoluído ao longo dos séculos, de tal forma que os conceitos de “família tradicional” e “família moderna” são hoje populares na sociedade.

O Canadá não é uma exceção nesta matéria e no universo de 9,4 milhões de famílias que residem cá, existem os mais variados cenários. Dois terços destas famílias resultam do casamento entre duas pessoas, mas as uniões de facto também têm aumentado e, de acordo com as estatísticas, 17% das famílias que residem no país e 32% das que se encontram no Quebec vivem em união de facto.

Em 2018, segundo as estatísticas, existiam 1,64 milhões de famílias monoparentais, isto é, agregados onde apenas um dos pais da(s) criança(s) arca com as responsabilidades de criar o(s) filhos(s). Em 2010 estas famílias monoparentais eram apenas 1,56 milhões a nível nacional.

A maioria das crianças crescem com os pais biológicos e mais de 30,000 são criadas com os avós. Outras 30,000 crescem no seio de famílias adotivas e existem mais de 460,000 famílias mistas no país. Para além disso, quase um em cada cinco canadianos é adotado ou tem um irmão ou parente adotado.

O casamento entre pessoas do mesmo género, que foi legalizado no Canadá em 2005, também contribuiu para aumentar a diversidade das famílias no país. De acordo com os Census de 2016, no Canadá, nesse ano, existiam cerca de 72,880 casais do mesmo género, o que representava 0,9% dos casais. As estatísticas revelam ainda que a maioria destes casais se tende a fixar em grandes áreas urbanas, como se pode observar no gráfico.

Sandra Eamor, presidente da One Parent Families Association para a área de Torontofamilia tradicional, versus, familia moderna

Sandra Eamor é presidente da One Parent Families Association para a área de Toronto e aceitou falar com o Milénio Stadium sobre a diversidade das famílias no Canadá.

Milénio Stadium: Que tipo de apoio é que a One Parent Families Association presta às famílias?

Sandra Eamor: A nossa associação oferece às famílias monoparentais a oportunidade de reconstruir a sua rede social e evitar o isolamento que às vezes advém de seus próprios membros. Disponibilizamos um local seguro para que as famílias monoparentais se reúnam para apoio de colegas e atividades divertidas.

MS: Quantas famílias monoparentais é que existem no país?

SE: Segundo as estatísticas, em 2018, existiam cerca de 1,64 milhões de famílias monoparentais no Canadá.

MS: Que tipo de apoios é que as famílias monoparentais recebem do governo?

SE: Acho que não existem apoios exclusivos para as famílias monoparentais, os apoios públicos são para as famílias no geral. Os apoios financeiros são variados, desde habitação, até transportes, trabalho, educação, creche, alimentação. Creio que a organização Single Moms pode ser uma boa referência para as famílias monoparentais. 

MS: No processo de divórcio ou simplesmente quando uma relação falha, a (s) criança (s) ficam com a mãe ou com o pai?

SE: Existem muitas razões pelas quais as famílias monoparentais nos procuram e o termo “falha” é muito negativo. As crianças podem ter qualquer idade e nem sempre são bebés. No entanto, na maioria das situações as crianças ainda tendem a ficar com a mãe, sobretudo se estiverem envolvidos bebés. Mas claro que tudo depende da forma como decorre o processo de guarda da criança e de quanto o pai pode e está disposto a cuidar dos filhos. Tenho assistido a todas as combinações possíveis e imaginárias e para cada situação existem razões e circunstâncias únicas. Numa situação ideal ambos os pais partilhariam a custódia da criança, independentemente do estado civil, mas isso nem sempre é necessariamente o melhor para a(s) criança(s). Ainda existem muitos casos em que as emoções superam o que pode ser melhor para as crianças envolvidas.

MS: Há tendência para discriminar os pais solteiros e as crianças que crescem em famílias monoparentais?

SE: Infelizmente ainda há algum estigma, contudo pelo que vejo com os nossos membros este estigma está a diminuir e já não prevalece como era comum há algumas décadas. Muitas famílias monoparentais são pais solteiros por escolha própria, em que um pai/mãe escolhe adotar ou ter um filho sem nenhum outro cônjuge presente.

MS: Se formos criados numa família monoparental temos mais hipóteses de vir a ter, no futuro, a nossa própria família monoparental?

SE: Não, não acredito que isso seja verdade de todo.

MS: A emancipação da mulher afetou a família tradicional?

SE: É possível, mas não sei o suficiente sobre a história para entender completamente como isso afetou a família tradicional. A sociedade, em geral, mudou muito ao longo dos anos e a estrutura tradicional da família mudou pelas mais variadas razões, não apenas por causa da emancipação da mulher.  Acho que o aumento da consciencialização sobre a saúde mental e o abuso também contribuiu para que as pessoas optassem por deixar os seus parceiros e com isso a família tradicional foi mudando. Hoje as pessoas sabem que existem instituições que prestam apoio a parceiros que abandonaram relacionamentos abusivos, quer seja a nível físico e/ou psicológico.

Joana Leal/MS

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