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Comunidades Portuguesas: Da concentração à dispersão – Toronto

De uma forma natural, porque um chama o outro, o irmão, o filho, a mulher, os filhos… famílias inteiras… aos poucos os portugueses foram-se concentrando numa zona particular de Toronto. Durante anos, o “território português” foi sendo alargado e o domínio já era tal que muitos foram os que aqui viveram, muitas décadas, sem terem tido quase necessidade de aprender uma única palavra de inglês – viviam no seu pequeno Portugal. O comércio, os serviços, o facto de trabalharem essencialmente para e com portugueses, faziam com que todos se sentissem quase em casa.

Mas o mundo mudou e Toronto também. E a comunidade portuguesa, outrora concentrada no seu Little Portugal, dispersou-se e ajudou a desenvolver outras cidades, multiplicando-se, mas mantendo a sua identidade.
Na edição do Milénio Stadium falamos deste fenómeno e tentamos perceber o que o motivou e que consequências já estão a ser sentidas e que mais poderemos vir a sentir.

Bento São José

Toronto

Tendo em conta que conhece bem a história e o início da comunidade portuguesa em Toronto, acompanhou o crescimento da população e também está agora a ser testemunha do quase “esvaziamento” dos portugueses que viviam em Toronto para outras cidades à volta, como Mississauga, Brampton, etc, gostava de saber a sua opinião sobre as causas deste fenómeno.

O pessoal que está a fugir de Toronto, na sua maioria, são as pessoas mais velhas – porque já estão numa fase que podem comprar uma boa casa por menos dinheiro. É claro que se torna complicado viver em Toronto hoje em dia, com rendimentos não muito elevados, e por isso as pessoas estão a tentar ir para cidades à volta. Por exemplo, existem neste momento grandes campanhas de venda de casas, com excelentes condições e por preços muito mais acessíveis, em cidades como Wasaga Beach – habitações por 390 mil dólares, por exemplo, que aqui em Toronto seriam certamente vendidas por 2 milhões. Portanto, as pessoas que já não têm que ir trabalhar todos os dias, estão reformadas, já consideram essas hipóteses, porque não precisam estar aqui.
Claro que depois há o lado dos jovens, que na sua maioria, não tem posses para comprar uma casa em Toronto e opta por cidades periféricas. Agora os valores são muito altos, mas também temos que admitir que a juventude, não só a portuguesa, já não tem aquela mentalidade de antigamente – ter que trabalhar feito maluco para comprar uma casa e pagar a mortgage o quanto antes, para depois comprar outra e assim sucessivamente. Esse entusiasmo morreu.
Mas no geral penso que esse “esvaziamento” se deve a questões económicas, seja qual for a idade – a ideia é viver de forma mais suave, digamos assim.

De que forma é que isso afetou o comércio português em Toronto?

O comércio em Toronto, neste momento, está todo ele “preocupado”, porque já não há aquela comunidade, com muita gente, para virem às nossas lojas. Agora os vietnamitas, por exemplo, ocuparam grande parte dos negócios portugueses. Se formos a Bradford, por exemplo, parece que estamos em Portugal! Mais de metade da população de lá é portuguesa. Claro que foram para lá pela proximidade com o campo – as batatas, as couves, as cebolas, etc. – e obviamente que o facto da vida lá ser muito mais económica teve e tem muita influência. Isso, claro, afeta o comércio português em Toronto. Hoje em dia nós, donos de comércio português, temos que fazer publicidade virada para todas as comunidades e não apenas a portuguesa! Temos que nos focar nos chineses, nos vietnamitas, etc. No meu caso, por exemplo, os vietnamitas não têm muitos mecânicos e por isso, fazendo publicidade junto deles, ainda conseguimos trazer alguns clientes. Já no que diz respeito aos portugueses, temos que fazer uma promoção que seja muito atrativa mesmo para que algum cliente venha. Antigamente, eu fazia uma campanha e o pessoal todo vinha – agora não! E isso também acontece porque hoje também está tudo em promoção (risos). De qualquer forma, acho muito importante que a comunidade portuguesa seja o mais unida possível e tente manter vivo o comércio português.

Catarina Balça

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