Temas de Capa

Cheiros e sabores de Natal

O Natal da minha terra cheira a filhoses, o típico prato de bacalhau com todos e a muita canela, sempre envolvida em grande parte das receitas.

A azáfama na cozinha, a melodia eletrónica que acompanhava o conjunto de luzes de Natal distribuídos sobre as agulhas do pinheiro e as reuniões da família para combinar os preparativos adivinhavam uma casa quase pequena para albergar pais, avós, primos, tios e parentes.

A tradição era reunir para a ceia do dia 24, em torno de uma mesa basta e aconchegante que servia de rede social para pôr a conversa em dia, sobretudo com quem já não víamos há mais tempo -, partilhar histórias e comentar sobre tópicos que iam surgindo. À meia-noite, em Portugal, celebra-se a milenar Missa do Galo nas igrejas. Se estão curiosos, a cerimónia tem este nome porque deriva de uma lenda ancestral: à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo teria cantado bem alto para anunciar a vinda de Jesus Cristo.

A seguir, no dia 25, é momento dos mais pequenos, principalmente, abrirem os presentes. Se compararmos à América, os portugueses não têm na sua história um cunho tão consumista associado a esta época, apesar de que cada vez mais vermos um aumento do orçamento dedicado a estas despesas. Ainda assim, é muito comum em Portugal oferecer algo mais simbólico a amigos e todas as pessoas que estimamos – como habitualmente dizemos, é uma pequena “lembrança”.

Voltando a casa, durante o Natal há, regra geral, um lugar especial para o presépio: a recriação do estábulo onde nasceu Jesus. Os dias 24 e 25, se forem mais frios, são normalmente passados ao redor da lareira, que garante conforto e aquele toque extra de magia que reveste a época.

Em cima da mesa não falta o bolo rei, recheado com frutas cristalizadas ou com frutos secos, e os também tradicionais sonhos e rabanadas. No que toca ao bolo rei, com certeza esta é uma memória bem especial para muitas gerações: a fava! Algures entre o miolo do bolo costumava vir uma fava e um brinde em miniatura, que normalmente era uma figurinha de chumbo. Todos desejavam que lhes saísse o brinde, claro, mas não a fava porque mandava a tradição que a pessoa a quem calhasse a fatia com a fava deveria pagar o bolo rei do próximo Natal. Tradições que se perderam por razões de segurança alimentar que, convenhamos, fazem todo o sentido.

Depois do dia 25 as decorações mantêm-se até dia 6 de janeiro, o Dia de Reis, quando se cantam as Janeiras. Na rua ou em monumentos e igrejas, ouvem-se estes cantos tradicionais para desejar votos de um bom ano e assim fechar o ciclo natalício.

Telma Pinguelo/MS

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