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Canadianos querem Biden como próximo presidente dos EUA

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As consequências de uma eleição americana afetam países em todo o mundo e isso começa pelos seus vizinhos – o Canadá é um deles. Donald Trump e Joe Biden têm duas agendas políticas diferentes e os canadianos podem beneficiar mais com uma delas. A 3 de novembro, Dia do Trabalho nos EUA, os americanos vão ter escolher se querem continuar a ser governados pelos Republicanos ou se preferem antes dar uma oportunidade ao democrata Joe Biden. Trump, que contraiu recentemente a COVID-19, diz que já recuperou e garante que está preparado para governar os EUA durante mais quatro anos. 

Se a corrida à Casa Branca é já habitualmente renhida, em 2020 a pandemia vai testar tudo e todos e o vencedor vai ter de mitigar os efeitos da crise. A nova realidade sem precedentes está a obrigar todos a se reinventarem e a economia americana é agora muito diferente do que há quatro anos, quando Trump foi eleito. Embora em setembro a taxa de desemprego tenha caído 7,9%, o número de americanos que está desempregado continua ainda a ser elevado. Em abril a taxa de desemprego atingiu um valor histórico de 14.7% quando a pandemia obrigou empresas e famílias a encerrarem a porta e a ficarem em casa para diminuírem o risco de transmissão de COVID-19. Nos últimos meses as manifestações contra o racismo sistémico têm aberto telejornais nos EUA e no resto do mundo e nestas eleições a morte de George Floyd pode ser um fator importante para o eleitorado. Em setembro a percentagem de desempregados brancos era de 7% enquanto que para os negros ultrapassava os 12%. Em relação à COVID-19 os EUA não têm sido elogiados pela sua atuação para diminuir os números e do outro lado da fronteira física os canadianos querem que a fronteira continue encerrada para viagens não essenciais. Na última extensão Otava prolongou o encerramento da fronteira com os EUA até 21 de novembro, mas alguns especialistas defendem que dificilmente a fronteira vai abrir até ao final do ano para viagens não essenciais.

O Canadá e os EUA têm em conjunto a maior parceria comercial do mundo, por isso não surpreende que de vez em quando os interesses comerciais entrem em choque. Embora o NAFTA, o Acordo de Livre Comércio da América do Norte, tenha sido retificado em julho e a agora ministra Federal das Finanças, Chrystia Freeland, tenha feito parte das negociações e na altura tenha dito que queria construir “pontes em vez de muros”, em agosto o último episódio desta guerra comercial ficou marcado pela decisão dos EUA de aumentar em 10% as tarifas sobre importações de alguns produtos de alumínio com origem no Canadá. Trump explicou na altura, um mês depois da retificação do NAFTA, que o Canadá estava a inundar o mercado americano com o seu alumínio enquanto destruía as fábricas de alumínio americanas.

Segundo o Office of the United States Trade Representative, em 2018 o comércio de bens e serviços dos EUA com o Canadá foi de $ 718,5 mil milhões. As exportações foram de $363,8 mil milhões e as importações foram de $ 354,7 mil milhões. Em 2019 os produtos que lideraram as exportações canadianas para os EUA foram: madeira ($8.95 mil milhões); alumínio ($7.11 mil milhões); aviões ($6.51 mil milhões) e papel ($6.14 mil milhões). No mesmo ano os produtos que lideram as importações canadianas dos EUA foram maquinarias, reatores nucleares e caldeiras (33 mil milhões); combustíveis minerais, óleos e produtos destilados ($24.64 mil milhões); produtos eletrónicos ($12.14 mil milhões) e plásticos ($11.40 mil milhões).

Uma sondagem recente aponta que cerca de três quartos dos canadianos gostava que Biden ganhasse e substituísse Trump nas eleições de 3 de novembro. Mas será que Biden seria bom para a economia canadiana? A resposta parece ser positiva em matérias como o combate às alterações climáticas porque Biden propõe criar o maior pacote económico da história do país para travar as alterações climáticas, o que está em sintonia com a agenda do governo liberal de Justin Trudeau que se comprometeu a reduzir as emissões e a taxar o CO2. Biden promete ainda restaurar a harmonia comercial global e diminuir as tensões entre a China e o mundo que têm sido especialmente prejudiciais para o Canadá. Nos últimos meses a tensão entre Canadá e China tem sido visível em vários domínios: desde a detenção da diretora financeira da Huawei em Vancouver a pedido dos EUA, até aos bloqueios chineses nas importações de produtos canadianos como óleo de canola, carne de vaca ou de porco. Biden também propõe um aumento nas taxas de impostos corporativos dos EUA que tornariam o Canadá mais competitivo na atração de capital estrangeiro.

Mas nem tudo são rosas para o Canadá se Biden for eleito. Biden é um defensor acérrimo do “Buy American” que pode prejudicar os exportadores canadianos. Biden também prometeu revogar a licença de Trump proposta para a expansão do oleoduto Keystone XL, o que vai negar  a Alberta a porta de entrada nos EUA para que os mercados mundiais consumam o seu petróleo pesado (crude). Biden também se propõe a criar um serviço de saúde universal acessível para todos americanos, o que à primeira vista vai de encontro aos valores de justiça social defendidos pela Charter of Rights and Freedoms, mas que a nível económico pode ser pouco convidativo porque fará com que o baixo custo de saúde canadiano deixe de atrair americanos.

A nível de imigração, Biden defende uma maior abertura das fronteiras o que pode fazer com que haja uma fuga de cérebros que inicialmente viriam para o Canadá.

Joe Biden tem 77 anos, nasceu na Pensilvânia, é formado em Direito e tem 36 de experiência no Senado. Em 2008 juntou-se a Barack Obama e terá sido aí que conheceu Trump. Donald Trump tem 74 anos, nasceu em Nova Iorque, é formado em Economia e é um empresário bem-sucedido com investimentos em várias áreas, desde imobiliário, hotelaria e entretenimento.

Donald Trump promete criar 10 milhões de postos de trabalho em 10 meses; diminuir impostos para pequenas empresas que criem emprego; trazer um milhão de empregos das fábricas de manufatura da China para os EUA; cortar no preço dos medicamentos; diminuir o preço dos seguros de saúde; proteger os veteranos; aumentar as penas para assaltos; impedir que os imigrantes ilegais tenham acesso a apoios sociais, serviço de saúde e ensino; proibir empresas americanas de substituírem cidadãos americanos por trabalhadores estrangeiros com salários inferiores e exigir que os novos imigrantes sejam capazes de se sustentar financeiramente.

Como o voto antecipado ou pelo correio é autorizado, mais de 65 milhões de eleitores já votaram, segundo o US Elections Project, que compila os dados da votação antecipada. Na quinta-feira (29 de outubro) os estados onde mais pessoas tinham votado foram: Texas (8.188.246 pessoas); Califórnia (8.478.869) pessoas) e Flórida (6,921,358 pessoas). Os Democratas estavam a vencer com 47.3% dos votos (17,624,925) e os Republicanos tinham 29.4% dos votos, cerca de 10,956,718.

A 3 de novembro não é apenas o futuro dos EUA que está em jogo, são os capítulos da história mundial para os próximos quatro anos.

Joana Leal/MS

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