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CAMH lançou campanha para a prevenção do suicídio

Not suicide. Not today.

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Photo: CAMH.

Todos os anos 4,000 canadianos cometem suicídio, são quase 11 pessoas por dia. O Centro para a Adição e a Saúde Mental (CAMH) lançou em setembro a campanha “Not Today” (Hoje não), a maior da história do país para alertar para a prevenção do suicídio. Catherine Zahn, presidente e CEO da CAMH, diz que o “suicídio rouba tempo, o que permite às pessoas conseguirem obter a ajuda que precisam para se curarem e para manterem a esperança num dia de amanhã melhor”. O CAMH é o maior hospital de ensino do país e um dos líderes mundiais em investigação na área das doenças mentais. Deborah Gillis, presidente da Fundação da CAMH, sublinha que “falar abertamente sobre o suicídio, de uma forma respeitosa, tem o potencial de mudar e salvar vidas”. 

Segundo o CAMH, estima-se que 90% das pessoas que cometem suicídio têm uma doença mental.  A taxa de suicídio em pessoas com transtornos do espectro da esquizofrenia é 20 vezes superior do que na população em geral. A instituição identifica ainda mais riscos nas comunidades indígenas e transgénicas e em pessoas com histórico familiar de suicídio. Com a pandemia os pedidos de ajuda têm aumentado e há o receio de que a crise económica, associada ao desemprego, problemas financeiros e familiares, possa levar a um aumento dos casos.

Os cientistas do CAMH estão a tentar compreender melhor o nosso cérebro e esperam encontrar novas maneiras de diagnosticar, tratar e prevenir as doenças mentais. Através de novas técnicas e de novas formas de diagnóstico a instituição espera progredir nesta área e desta forma ajudar os vários canadianos que sofrem de doenças mentais. 

O tópico do suicídio é repleto de estigmas, mitos e tabus antigos que levam ao preconceito e à discriminação. Parte do problema relacionado com as doenças mentais resulta de ausência de reconhecimento pela sociedade. A CAMH defende que os avanços têm de ser coletivos e começam por todos nós. Muitas pessoas têm vergonha de procurar ajuda ou recusam a aceitar que têm uma doença mental. A educação para a saúde mental é por isso essencial para prevenir o suicídio e para sensibilizar a sociedade para este flagelo. Com a pandemia os próprios trabalhadores essenciais, como médicos e enfermeiros, acusam mais stress e mais ansiedade e provaram-nos de que ninguém está livre de ver a sua saúde emocional ser alterada.

Todos os anos 800,000 pessoas cometem suicídio no mundo – uma pessoa a cada 40 segundos -, e no Canadá, uma em cada cinco pessoas vai sofrer um dia de doenças mentais. A pandemia da COVID-19 que primeiro começou por ser uma crise de saúde, transformou-se numa crise económica e social. Desde a primavera que governos de todo o mundo reagiram à crise com um pacote de medidas para proteger a saúde física e financeira das pessoas. O governo federal e o Governo de Ontário reconheceram os danos que a pandemia provocou na saúde mental das pessoas e anunciaram mais investimento para a saúde mental para que a ajuda chegasse a todos.

Em junho o Governo de Ontário anunciou um investimento de $10 milhões para permitir que os alunos tivessem acesso direto aos profissionais de saúde mental e para reduzir as listas de espera. Em setembro Otava anunciou $11,5 milhões para linhas de prevenção ao suicídio em comunidades marginalizadas. O governo federal avançou que a Canada’s Suicide Prevention Service tinha recebido em julho o dobro dos pedidos de ajuda em relação a março. Enquanto as mulheres têm mais probabilidade de sofrer de pensamentos suicidas, os homens têm três vezes mais hipóteses de morrer, em parte porque poucos procuram a ajuda de que precisam. A ministra da Saúde, Patty Hajdu, disse na altura que os suicídios estavam a aumentar com a pandemia o que significava que as pessoas precisavam de mais apoio. Os mais de $11 milhões vão ajudar 32 programas em várias comunidades racializadas que enfrentam problemas de saúde mental. Otava alerta que os problemas de saúde mental também estão relacionados com racismo, discriminação, estatuto socioeconómico e exclusão social.

Um estudo recente revelou que sete em cada 10 residentes em Ontário acreditam que a pandemia vai criar uma crise grave de saúde mental no país. As suas preocupações são justificadas porque em crises económicas anteriores a saúde mental coletiva também foi afetada. O CAMH alerta que o país já estava a meio de uma crise de saúde mental antes da COVID-19 e que a pandemia apenas contribui para agravar a situação. Um estudo da Universidade de Toronto divulgado em junho sugere que a crise económica em torno do vírus pode resultar num aumento de até 2.114 mortes por suicídio até ao final de 2021, um número acima da média nacional. Os investigadores atribuem o aumento das mortes por suicídio a fatores como desemprego, isolamento social e instabilidade financeira.

A maioria das associações que presta apoio a doenças mentais viu os pedidos de ajuda a aumentarem. A Crisis Services Canada informou que as linhas de telefone aumentaram 90% e que os casos em que tiveram de intervir aumentaram em 200%. A Canadian Mental Health Association diz que os pedidos de ajuda dos canadianos aumentaram entre 50 e 60% desde o início da pandemia.

Pais e mulheres estão entre os que lutam mais com problemas de saúde mental

Pais e mulheres estão entre os canadianos que mais lutam com problemas de saúde mental durante a pandemia. Estas são as conclusões de um novo estudo do CAMH divulgado esta semana. A organização entrevistou mais de 1.000 adultos entre 18 e 22 de setembro e concluiu que 30% dos pais com filhos com menos de 18 anos que ainda moram em casa disseram estar a sentir-se deprimidos. São mais 10% do que a percentagem de adultos sem filhos que disse estar a sentir-se da mesma forma.

A CAMH explica que os pais com crianças menores estão a passar por muita coisa em casa ao mesmo tempo, o que traz mais ansiedade e sensação de não estar ao nível das expectativas. O estudo sugere ainda que uma parte significativa da população está a lidar com um problema de saúde mental, mesmo aqueles que não têm filhos. Uma em cada cinco pessoas disse ao CAMH que tinha procurado ajuda profissional devido a problemas de saúde mental. O estudo do CAMH foi desenvolvido em colaboração com a empresa global Delvinia.

A nível de género, quase um quarto das mulheres disse estar com ansiedade moderada a grave e 18% dos homens disse estar a sentir-se ansioso. Os números são semelhantes no que toca à solidão. No estudo do CAMH de setembro salta à vista outra preocupação, a de que os canadianos estão com mais receio de contrair a COVID-19. Mais de um quarto dos entrevistados admitiu ter medo de ficar doente, um aumento em relação aos 20% de um estudo feito no verão pelo CAMH. As descobertas surgem quando pais e crianças lutam para se adaptar a um novo ano escolar e para conciliar trabalho com aulas online numa altura em que algumas escolas e creches foram fechadas. Os maiores receios dos canadianos passam agora pelo medo do impacto financeiro da pandemia (38%); medo de ficar doente (34%) ou medo de perder um familiar (30%).

O CAMH lançou na primavera uma linha telefónica de apoio e segundo a instituição até 26 de setembro mais de 66.000 pessoas recorreram a este serviço. Antes da pandemia o CAMH recebia 400 telefonemas em duas semanas, depois da pandemia os números aumentaram para entre 2.500 e 4.500 ligações em duas semanas. 

Joana Leal/MS

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