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Ano Novo

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O ano de 2020 foi repleto de surpresas que ninguém pediu. Primeiro, os incêndios florestais que assolam a Austrália queimaram 18,6 milhões de hectares e tiraram a vida a um bilhão de animais. Depois, o drone americano que atingiu o Aeroporto Internacional de Bagdad e derrubou o major-general iraniano. Tememos, na altura, que fosse o despoletar da terceira guerra mundial. A este cenário juntaram-se as tensões raciais, a brutalidade policial que chegou a um ponto de ebulição e, como se não fosse suficiente, ainda tivemos que lidar com a pandemia de COVID-19, que vitimou cerca de 1.8 milhões de pessoas até agora. Por esta altura pensámos: pior não pode ficar.

Mas outros acontecimentos marcaram este ano. Kobe Bryant e a filha perderam a vida num desastre de helicóptero. O Príncipe Harry e Meghan Markle renunciaram à coroa e, em fevereiro, o Reino Unido deixou a União Europeia. Outro marco de 2020 foi o caso que chocou o mundo: um polícia branco ajoelhou-se por cima do pescoço de um cidadão negro durante nove minutos. O incidente que terminou com a morte de George Floyd ficou registado em vídeo. Uma onda de protestos começou contra a brutalidade policial e nada foi feito: não houve reformas no sistema ou outras medidas que efetivamente mudassem a situação. Algumas marcas decidiram tomar posição, tiraram a ilustração de Aunt Jemima da garrafa de maple syrup, cancelaram a série Cops e outras iniciativas do género. Mais à frente, Joe Biden concorreu contra Trump e venceu as eleições americanas. O processo foi, como esperado, polémico, e Trump decidiu evitar a todo o custo que o seu opositor tomasse o lugar. Ainda a não esquecer sobre este 2020: houve um surto de Ébola em África de que ninguém falou o suficiente.

As boas notícias: enviámos dois homens para o espaço. E para terminar numa nota mais positiva, quem sabe, com um pouco de esperança, sugiro que leiam sobre o trabalho da historiadora Carlota Perez, que escreveu “Technological Revolutions and Financial Capital: The Dynamics of Bubbles and Golden Age”. Esta obra mostra-nos que a história não se repete exatamente, mas ocorre em ciclos. E este pode ser um ponto de viragem para a próxima era de ouro. Carlota Perez fala dos diferentes altos e baixos ao longo da história. Assistimos à Revolução Industrial, o vapor e os caminhos de ferro, a eletricidade e engenharia, a indústria automóvel e a produção em massa, e ultimamente as telecomunicações e tecnologia. Cada um destes ciclos passa por uma fase de adaptação e ocorre depois a fase de estabilidade, em que o mundo já integrou as mudanças e flui com as novas estruturas. Feitas as contas, já estamos no ciclo da revolução tecnológica desde 1971 – quando surgiram os primeiros microprocessadores de computador, a internet, telemóveis e biotecnologia. Até agora temos estado na fase de instalação e adaptação destes recursos o que, segundo Perez, eventualmente vai transicionar para a fase de estabilidade. Como sabemos que isso vai acontecer? Aparentemente, observando a história, no final de cada fase de instalação ou adaptação dá-se um colapso económico e muitas vezes político, resultante do ritmo extremamente rápido de crescimento anterior. E é o que sentimos neste ano de 2020. Embora a crise financeira tenha começado em 2007, este ano sentimos mais do que nunca que a economia está a colapsar. Isto sugere que a podemos superar o período atual de turbulência e entrar numa nova “era de ouro” de grande crescimento económico, se os principais líderes mundiais agirem em conjunto para ajudar a promovê-lo. Espero que este trabalho vos inspire em continuar a trabalhar ao longo desta fase mais difícil, com a esperança de que melhores dias virão.

A todos desejo um bom ano novo com prosperidade e que os vossos projetos se concretizem.

Telma Pinguelo/MS

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